sábado, 22 de novembro de 2025

Tornozeleira tinha sinais de avaria e marcas de queimadura, diz relatório; Bolsonaro confessou uso de ferro de solda

'Meti ferro quente aí', disse o ex-presidente ao ser questionado por uma policial penal sobre o que havia ocorrido com o aparelho de monitoramento. Após o episódio, Moraes determinou que ex-presidente, que estava preso em casa, fosse levado para a Superintendência da PF.
RESUMO
  • Relatório da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal aponta que a tornozeleira de Jair Bolsonaro (PL) 'possuía sinais claros e importantes de avaria'.
  • Segundo o relatório, havia, no equipamento, 'marcas de queimadura em toda sua circunferência, no local do encaixe/fechamento do case'.
  • Bolsonaro foi questionado sobre qual instrumento havia utilizado na tornozeleira. O ex-presidente disse que tinha utilizado ferro de solda para tentar abrir o equipamento.
  • Ao ser questionado por uma policial penal, Bolsonaro afirmou que começou a mexer no aparelho no fim da tarde de sexta.
  • A Secretaria de Administração Penitenciária anexou ao relatório um vídeo, onde o próprio ex-presidente confessa ter utilizado o ferro de solda
Um relatório da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal divulgado neste sábado (22) aponta que a tornozeleira de Jair Bolsonaro (PL) “possuía sinais claros e importantes de avaria".

Segundo o relatório, havia, no equipamento, "marcas de queimadura em toda sua circunferência, no local do encaixe/fechamento do case”.

Conforme o documento, no momento da análise da situação, Bolsonaro foi questionado sobre qual instrumento havia utilizado na tornozeleira. O ex-presidente, então, disse que tinha utilizado um ferro de solda para tentar abrir o equipamento.

Ao ser questionado por uma policial penal, Bolsonaro afirmou que começou a mexer no aparelho no fim da tarde de sexta.

A Secretaria de Administração Penitenciária anexou ao relatório um vídeo, onde o próprio ex-presidente confessa ter utilizado o ferro de solda.

O alarme da tornozeleira disparou às 0h07. Imediatamente, a equipe que faz a segurança de Bolsonaro foi acionada pela Secretaria de Administração Penitenciária do governo do Distrito Federal, responsável pelo aparelho. A escolta, então, confirmou a violação e fez a troca à 1h09.

Por volta de 2h, Moraes determinou que o ex-presidente, que estava em prisão domiciliar, fosse levado preso preventivamente para uma cela na Superintendência da PF (veja a cronologia aqui).


Em um vídeo divulgado pela Secretaria de Administração Penitenciária, uma policial penal aponta para a tornozeleira avariada e pergunta a Bolsonaro:

"O senhor usou alguma coisa para queimar isso aqui?". Ele responde: "Eu meti ferro quente aí. Curiosidade".

"Que ferro foi, ferro de passar?", a servidora questiona. "Não, ferro de soldar, de solda", diz Bolsonaro.

Em seguida, a servidora pergunta se Bolsonaro tentou arrancar a pulseira que prende o equipamento ao tornozelo, e ele nega.

"Pulseira aparentemente intacta, mas o 'case' [a capa] violado", relata a servidora no vídeo.

"Que horas o senhor começou a fazer isso, seu Jair?", ela pergunta. "No final da tarde", Bolsonaro afirma.

Tornozeleira passará por perícia da PF

Mesmo com o relatório da Secretaria de Administração Penitenciária do DF, a tornozeleira avariada por Bolsonaro seguiu para perícia no Instituto Nacional de Criminalística, da PF, que tem o prazo legal de até dez dias para entregar um relatório.
O prazo deve ser menor porque esse tipo de perícia é considerado simples.

🔎A parte do equipamento que foi queimada com um ferro de solda, segundo um profissional que acompanha o caso, é o "coração" da tornozeleira, onde ficam os sensores de localização e integridade e toda a parte eletrônica do aparelho.
Tanto essa parte como a pulseira, que prende o equipamento ao tornozelo, têm sensores que disparam se forem danificados, segundo o profissional.
Cronologia
Relembre a cronologia dos movimentos que resultaram na prisão de Bolsonaro na Superintendência da PF em Brasília:
Por volta das 17h de sexta-feira (21)
Senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) convoca, pelas redes sociais, uma vigília próxima à casa do ex-presidente Jair Bolsonaro, no bairro Jardim Botânico, em Brasília. O convite previa que a vigília começaria às 19h deste sábado (22).
  • Por volta das 23h de sexta-feira (21)
Senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) convoca, pelas redes sociais, uma vigília próxima à casa do ex-presidente Jair Bolsonaro, no bairro Jardim Botânico, em Brasília. O convite previa que a vigília começaria às 19h deste sábado (22).

A Polícia Federal pede ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão preventiva de Bolsonaro com base na convocação feita por Flávio.

A PF afirmou haver "a possibilidade concreta de que a vigília convocada ganhe grande dimensão, com a concentração de centenas de adeptos do ex-presidente nas imediações de sua residência, estendendo-se por muitos dias, de forma semelhante às manifestações estimuladas pela organização criminosa nas imediações de instalações militares, especialmente no final do ano de 2022".

Para a PF, havia risco de a vigília dificultar que Bolsonaro cumprisse a pena de prisão no processo da tentativa de golpe, que está próximo de ser encerrado.

"Tal fato [a vigília] tem o condão de gerar um grave dano à ordem pública, podendo inclusive inviabilizar o cumprimento de eventuais medidas em decorrência do trânsito em julgado da ação Penal 2.668/DF [da trama golpista], ou exigir o indesejável emprego de medidas coercitivas pelas forças de segurança pública para o seu cumprimento, colocando em risco a segurança de moradores do condomínio de residência e imediações, apoiadores, policiais designados para a missão e até mesmo o condenado e seus familiares", afirmou a PF.

0h08 de sábado (22)

Em paralelo ao pedido da PF, o Centro Integrado de Monitoração Eletrônica (Cime), ligado à Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal, registra a "ocorrência de violação" da tornozeleira eletrônica usada por Bolsonaro.

O Cime informou nesta manhã, em nota, que não fornece detalhes sobre casos concretos. Alexandre de Moraes registrou a comunicação do órgão.

"O Centro de Integração de Monitoração Integrada do Distrito Federal comunicou a esta Suprema Corte a ocorrência de violação do equipamento de monitoramento eletrônico do réu Jair Messias Bolsonaro, às 0h08min do dia 22/11/2025. A informação constata a intenção do condenado de romper a tornozeleira eletrônica para garantir êxito em sua fuga, facilitada pela confusão causada pela manifestação convocada por seu filho", escreveu o ministro.

1h25 de sábado (22)

Acionado por Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, assina um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) informando que não se opunha à prisão preventiva solicitada pela PF.

"Diante da urgência e gravidade dos novos fatos apresentados, a Procuradoria-Geral da República não se opõe à providência indicada pela Autoridade Policial", afirmou Gonet ao Supremo.

Ordem de prisão

Moraes decreta a prisão preventiva do ex-presidente por ver risco de fuga nos fatos novos — a vigília convocada por Flávio e a tentativa de violação da tornozeleira eletrônica. A decisão é tomada na madrugada, após o ministro consultar a PGR — não há um horário expresso no documento.

"Não bastassem os gravíssimos indícios da eventual tentativa de fuga do réu Jair Messias Bolsonaro acima mencionados, é importante destacar que o corréu Alexandre Ramagem, a sua aliada política Carla Zambelli, ambos condenados por esta Suprema Corte; e o filho do réu, Eduardo Nantes Bolsonaro, denunciado pela Procuradoria-Geral da República no Supremo Tribunal Federal, também se valeram da estratégia de evasão do território nacional, com objetivo de se furtar à aplicação da lei penal", afirmou Moraes na decisão.

O ministro determina que a prisão seja cumprida na manhã deste sábado, "com todo o respeito à dignidade do ex-presidente [...], sem a utilização de algemas e sem qualquer exposição midiática", e que Bolsonaro fique recolhido na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal.

Por volta das 6h de sábado (22)

A PF vai até o condomínio do ex-presidente e cumpre a ordem de prisão. Bolsonaro é levado em um comboio de veículos para a Superintendência da PF, na Asa Sul, em Brasília.




quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Como responder às críticas a Ellen G. White?

Com um novo formato e uma abordagem atual, a Semana do Espírito de Profecia 2025 buscou fortalecer a fé dos participantes e reafirmar sua importância na vida cristã contemporânea.
Por Cristina Levano | Brasil
4 de novembro de 2025
O programa destaca a relevância do dom profético e o valor dos escritos inspirados de Ellen G. White para os adventistas do sétimo dia. (Foto: Divulgação)

A Igreja Adventista do Sétimo Dia na América do Sul realizou a Semana da Profecia 2025, do dia 27 a 31 de outubro, um programa que colocou em evidência questões atuais relacionadas ao papel profético de Ellen G. White. A proposta deste ano foi abordar, com fundamento bíblico e histórico, as críticas frequentes que circulam na internet a respeito da escritora, reforçando a confiança dos fiéis na inspiração divina e no Espírito de Profecia como característica distintiva da Igreja.

De acordo com o pastor Jonatas Leal, diretor do departamento de Espírito de Profecia da Divisão Sul-Americana (escritório administrativo da denominação para oito países da América do Sul), o assunto está intrinsecamente ligado à identidade adventista.
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“O Espírito de Profecia é uma das marcas da Igreja remanescente, segundo Apocalipse 12:17. Deus sempre guiou Seu povo por meio dos profetas, e hoje faz isso por meio dos escritos de Ellen White", explica.
Além do enfoque teológico, a iniciativa visou promover o estudo pessoal e o fortalecimento espiritual dos membros da Igreja. A leitura regular da Bíblia acompanhada com os escritos de Ellen G. White foi apresentada como um instrumento que auxilia no fortalecimento da fé, no engajamento com a missão e na aplicação prática dos princípios cristãos no dia a dia. Da mesma forma, se ressaltou que os escritos de White não substituem a leitura da Bíblia, mas atuam como um recurso adicional que promove uma compreensão mais aprofundada das Escrituras, mantendo sempre sua autoridade suprema como Palavra de Deus.

Assista ao primeiro episódio:
A expectativa, segundo o pastor Leal, é que o programa tenha um impacto positivo nas igrejas locais, oferecendo métodos e ferramentas práticas para que os membros possam lidar com objeções comuns, como aquelas relacionadas a plágio, finanças e o papel profético de Ellen White.
“Quando aprendemos a lidar com essas objeções, fortalecemos também a confiança na genuína inspiração divina dos escritos de Ellen White e na autoridade profética que ela recebeu de Deus”, destacou.

A série, realizada como videocast pela Casa Publicadora Brasileira 
(CPB) em parceria com a Divisão Sul-Americana, foi dividida em cinco episódios, com cada um abordando perguntas específicas sobre a vida e o ministério de Ellen G. White. Em cada capítulo, houve convidados e especialistas que, com base em evidências bíblicas e históricas, analisaram as principais críticas dirigidas à autora, tais como: “Por que os adventistas acreditam no papel profético de Ellen White?”, “As visões de Ellen White foram causadas por distúrbios nervosos?”, “Ellen White foi uma plagiadora?”, entre outras questões.
Todos os episódios da Semana da Profecia 2025 já estão disponíveis. 
lique aqui e assista.Você também pode receber esse e outros conteúdos diretamente no seu dispositivo. Assine nosso canal no Telegram ou no WhatsApp.

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Obra reforça identidade cristã e crenças fundamentais adventistas

Conteúdo reafirma, com linguagem acessível, a base bíblica da fé adventista e sua centralidade em Cristo
Por Oscar Lopes | Brasil
5 de novembro de 2025
Coletânea revisita as 28 crenças fundamentais dos Adventistas do Sétimo Dia (Imagem:
 Divulgação)
Nossa identidade é o que nos confere aspecto pessoal, propósito e destino. A Igreja Adventista do Sétimo Dia encontra sua identidade na Bíblia e a expressa por meio de 28 crenças fundamentais, que descrevem Deus e Sua criação, a humanidade e o plano da salvação, a vida cristã e a esperança futura. Esse conjunto de princípios doutrinários coerente e integrado fundamenta nossa identidade como Igreja e orienta nossa missão no mundo.
Sob a coordenação editorial de Artur A. Stele, vice-presidente da Associação Geral — o escritório administrativo mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia —, Comprometidos com Nossa Identidade reúne o conteúdo das apresentações de alguns dos principais teólogos adventistas sobre nosso sistema de crenças. A coletânea, composta de 12 capítulos breves, é atual, agradável e de leitura acessível.
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Seu conteúdo aborda novamente assuntos que, recentemente, geraram debates, como a autoridade bíblica, o dom profético, a criação literal, o sábado, o estado dos mortos e a doutrina do santuário celestial. Além disso, em cada um deles, Cristo é apresentado como o centro da mensagem das Escrituras. De forma complementar, cada ensino ilumina a pessoa de Cristo e Seu ministério.

Para Stele, organizador e um dos autores do livro, as 28 crenças fundamentais são como 28 cores distintas que, juntas, compõem com maior nitidez “o belo retrato de Cristo”. Portanto, o estudo das crenças bíblicas proposto nessa obra encontra sentido e profundidade quando descobrimos Cristo em cada uma delas.

Em uma época em que muitos reinterpretam o Evangelho de acordo com suas preferências pessoais, o livro convida os leitores a permanecerem firmes na Palavra de Deus e a não desvincularem o Autor de Sua mensagem. Enquanto muitos ignoram o testemunho do Senhor manifestado em toda a Bíblia e, assim, moldam um Salvador à sua própria imagem, esta obra encoraja a confiar ainda mais na solidez e na fundamentação bíblica das doutrinas essenciais da fé adventista.

“Nossas crenças não são um mero conjunto de proposições intelectuais a serem aceitas pelo fiel. Muito mais do que isso, elas são janelas que revelam a beleza do caráter de Deus” (Comprometidos com Nossa Identidade p. 29, 30).

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Governo do RJ confirma 121 mortos em megaoperação; moradores retiram dezenas de corpos de mata

No dia seguinte à operação, moradores afirmam ter encontrado mais de 70 corpos, que foram levados para uma praça na Penha. Secretário da Polícia Civil fala em 63 corpos.
O governo do RJ confirmou nesta quarta-feira (29) 121 mortos na megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha contra o Comando Vermelho. Foram 4 policiais e 117 suspeitos, segundo o secretário da Polícia Civil, o delegado Felipe Curi. Foi a operação mais letal da história do estado.
Moradores do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, afirmaram ter encontrado pelo menos 74 corpos, que foram levados para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, uma das principais da região, ao longo da madrugada desta quarta-feira (29). Curi disse que foram 63 corpos achados na mata.
  • Entenda os números divulgados até agora:O governo havia informado em balanço na terça que havia 64 mortos, sendo que 4 eram policiais civis e militares.
  • Mas, na manhã desta quarta, o governador Cláudio Castro (PL-RJ) só confirmou oficialmente 58 mortos, sendo que eram 54 criminosos. Ele não esclareceu por que o número do balanço de ontem foi alterado.
  • Em coletiva, a cúpula da segurança do RJ atualizou os números: 4 policiais e 117 suspeitos mortos.
  • Moradores afirmam ter encontrado 74 mortos na mata, que foram levados uma praça na Penha. Secretário da Polícia Civil fala em "63 corpos achados na mata".
  • Haverá uma perícia para ver se há relação entre essas mortes e a operação.
  • Curi disse também que foram 113 presos, 33 de outros estados, como Amazonas, Ceará, Pará e Pernambuco.
O g1 apurou ainda que os corpos, todos de homens, estavam na área de mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, onde se concentraram os confrontos entre as forças de segurança e traficantes.


Mais cedo, o governador não comentou os corpos encontrados pelos moradores na mata
.“A nossa contabilidade conta a partir do momento que os corpos entram no IML. A Polícia Civil tem a responsabilidade enorme de identificar quem eram aquelas pessoas. Eu não posso fazer balanço antes de todos entrarem”, afirmou.

O secretário da Polícia Militar, Marcelo de Menezes, explicou a estratégia das forças de segurança durante a megaoperação. Segundo ele, foi criado o que chamou de “Muro do Bope”: policiais avançaram pela área da Serra da Misericórdia para cercar os criminosos e empurrá-los em direção à mata, onde outras equipes do Batalhão de Operações Especiais já estavam posicionadas.

A explicação foi dada durante entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira (29), quando a cúpula da Segurança Pública do Rio detalhou os resultados da ação.

O secretário de Segurança Pública, Victor Santos, classificou o “dano colateral” como “muito pequeno”, afirmando que apenas quatro pessoas inocentes morreram durante a ação. A ação contou 2,5 mil policiais civis e militares e é considerada pela cúpula da segurança como de alto risco.

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O ativista Raull Santiago é um dos que ajudaram a retirar os corpos da mata. “Em 36 anos de favela, passando por várias operações e chacinas, eu nunca vi nada parecido com o que estou vendo hoje. É algo novo. Brutal e violento num nível desconhecido”, disse.
Segundo apurou o g1, o objetivo do traslado dos corpos até a praça foi facilitar o reconhecimento por parentes. Moradores os deixaram sem camisa para agilizar esse processo, a fim de deixar à mostra tatuagens, cicatrizes e marcas de nascença.

Muitos dos mortos tinham feridas a bala – alguns estavam com o rosto desfigurado. Um tinha sido decapitado, mas não se sabia como.

Depois, a Polícia Civil informou que o atendimento às famílias para o reconhecimento oficial ocorre no prédio do Detran localizado ao lado do Instituto Médico-Legal (IML) do Centro do Rio, a partir das 8h.

Nesse período, o acesso ao IML está restrito à Polícia Civil e ao Ministério Público, que realizam os exames necessários. As demais necropsias, sem relação com a operação, serão feitas no IML de Niterói.

Corpos levados a hospital
Mais cedo, moradores também transportaram seis corpos em uma Kombi para o Hospital Estadual Getúlio Vargas. O veículo chegou em alta velocidade e saiu rapidamente do local.









segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Hamas liberta 20 reféns israelenses após mais de 700 dias de cativeiro em Gaza

Grupo terrorista tinha até as 6h desta segunda para libertar todas as vítimas. Israel afirma que outros 28 reféns que ainda estão sob o poder do grupo terrorista estão mortos
Por Wesley Bischoff, Aline Freitas, g1 — São Paulo

Os 20 reféns israelenses vivos que ainda estavam sob poder do grupo terrorista Hamas foram finalmente libertados após mais de dois anos de cativeiro, na madrugada desta segunda-feira (13). A operação faz parte de um acordo de cessar-fogo assinado entre Israel e o Hamas.

O que aconteceu até agora:
  • Havia 48 reféns sob poder do Hamas na Faixa de Gaza. Desses, 20 foram libertados com vida. Israel diz que os demais 28 reféns estão mortos, mas dois deles ainda têm a situação oficialmente desconhecida.
  • No total, o Hamas sequestrou 251 pessoas no ataque terrorista de 7 de outubro de 2023. Outros reféns foram libertados ao longo de outros acordos de cessar-fogo.
  • Como contrapartida, o governo israelense libertou 2 mil prisioneiros palestinos, incluindo 250 que haviam sido condenados à prisão perpétua por crimes cometidos contra Israel e sua população.
  • Os prisioneiros libertados por Israel embarcaram em ônibus da Cruz Vermelha para serem enviados para Gaza, Cisjordânia e outros países.
O Hamas sequestrou 251 pessoas durante os ataques terroristas de 7 de outubro de 2023. Segundo Israel, o grupo ainda mantinha 48 vítimas na Faixa de Gaza, das quais 28 estão mortas. Os demais sequestrados foram libertados em outros dois acordos de cessar-fogo ou resgatados por militares israelenses.

Os 28 corpos dos reféns mortos não foram entregues pelo Hamas a Israel até a última atualização desta reportagem. Ainda não foram divulgados detalhes sobre a entrega dos restos mortais desses reféns.

Sete reféns foram libertados por volta das 2h desta segunda-feira, no horário de Brasília. Os outros 13 foram entregues duas horas depois. Eles foram encaminhados para uma base, onde reencontraram familiares e receberam atendimento médico.

Os reféns libertados nesta segunda-feira foram entregues à Cruz Vermelha e, depois, às Forças de Defesa de Israel, para deixarem a Faixa de Gaza.

Em troca, Israel prometeu soltar quase 2 mil prisioneiros palestinos, incluindo 250 que cumpriam penas de prisão perpétua. A Reuters informou que os detentos embarcaram em ônibus da Cruz Vermelha para serem enviados para Gaza, Cisjordânia e outros países.

Na quarta-feira (8), Israel e o Hamas anunciaram um plano de paz para interromper a guerra na Faixa de Gaza. Pelo acordo, o grupo se comprometeu a libertar todos os reféns vivos e a devolver os restos mortais das vítimas que morreram.

O Hamas tinha até as 6h desta segunda-feira, pelo horário de Brasília, para concluir a libertação. O grupo pediu mais tempo para localizar todos os corpos dos reféns mortos.

Ainda não há prazo para que todos os corpos sejam devolvidos. A Turquia anunciou uma força-tarefa para ajudar o Hamas a encontrar os restos mortais das vítimas na Faixa de Gaza.

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O acordo
O plano de paz entre Israel e Hamas foi apresentado no fim de setembro pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e negociado com a mediação de Egito, Catar e Turquia. Veja alguns pontos a seguir.

🟢 Reféns: O Hamas mantinha 48 dos 251 sequestrados no ataque terrorista em 2023. As demais vítimas foram libertas durante a vigência de outros dois acordos de cessar-fogo ou por meio de operações militares israelenses.

💥 Ataques em Gaza: O plano prevê o fim dos bombardeios na Faixa de Gaza e o recuo das tropas israelenses
  • O plano divulgado pela Casa Branca no fim de setembro prevê uma retirada gradual das tropas do território palestino.
  • Logo após o anúncio do cessar-fogo, as forças israelenses recuaram para uma linha acordada com o Hamas.
  • Com isso, Israel diminuiu a área de ocupação em Gaza de 75% para 53%.
  • O chefe do Estado-Maior de Israel instruiu as tropas a se prepararem para todos os cenários e para a operação de retorno dos reféns.


🔎 O que falta esclarecer: Apesar do início do cessar-fogo, vários detalhes do plano de paz ainda não foram divulgados.
  • Segundo o presidente Trump, outras fases do acordo estão em negociação. Ainda não se sabe como serão as próximas etapas.
  • Também não está claro como será a transição de governo na Faixa de Gaza, proposta pela Casa Branca.
  • Além disso, não há confirmação de que o Hamas tenha se comprometido a entregar suas armas. O grupo terrorista tem indicado que não concorda com a ideia.
  • O Hamas disse também que não vai acertar uma tutela estrangeira na governança de Gaza, algo previsto no plano dos Estados Unidos.
Uma cerimônia para oficializar a assinatura do acordo será feita nesta segunda-feira, no Egito. Trump e outras 20 lideranças internacionais devem participar do evento.

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Ao querer mudar o mundo pela tela do celular alguns têm travado guerras virtuais e violado princípios eternos
Já virou um hábito! Basta uma brecha no trabalho, uma palestra tediosa, um bom sinal Wi-Fi por perto ou um smartphone com pacote de dados generoso para que o indicador continue seu movimento automático, quase involuntário, deslizando sobre a tela e um mundo de informações. Assim tem sido a rotina de milhões de pessoas nas redes sociais. O que não interessa cai no esquecimento; se algo compensar, quem sabe ganha um like, um comentário ou alguma crítica.

Redes sociais fazem de nós espectadores da vida. Porém, os inúmeros recursos oferecidos por essas plataformas digitais nos dão a possibilidade de não somente observar o que se passa na rede, mas de ser autores, promotores e incentivadores de qualquer ideia. É nesse ponto que vale a pena refletir sobre a maneira como temos utilizado esses espaços virtuais, considerando que eles têm tomado direções perigosas que esbarram em questões éticas, morais e espirituais.

Já nos acostumamos a ser inundados de postagens com pensamentos prontos, frases de efeito, memes, sátiras, ironias e insinuações. Muitas delas abordando situações do dia a dia e, diga-se de passagem, algumas muito criativas e engraçadas. Entretanto, temos observado o crescente número de conteúdos falsos, produzidos por grupos com interesses ideológicos, comerciais e políticos. São as chamadas fake news. De acordo com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) nos EUA, as notícias falsas se espalham 70% mais rápido do que as notícias verdadeiras. Já a consultoria internacional Trend Micro concluiu que se trata de um mercado consolidado que tem orçamentos que chegam a 400 mil dólares. Com essa verba, é possível criar uma celebridade digital ou manipular um processo de decisão. De fato, temos constatado o papel delas na formação da opinião pública sobre os diferentes temas da atualidade.

Não podemos esquecer que tudo o que falamos ou fazemos exerce algum tipo de impacto na vida de outras pessoas. Nosso comportamento nos ambientes virtuais pode igualmente influenciar a maneira de outros pensarem e agirem, tanto para o bem quanto para o mal. Em um tempo tão solene, infelizmente muitos cristãos estão desperdiçando as boas oportunidades que são oferecidas de promover o bem, a paz e o amor. Em vez disso, preferem transformar as redes em campos de guerra ideológica, política e religiosa. Alguns, de maneira intransigente e descuidada, ignoram a possibilidade de se tornarem agentes de uma eventual fake news quando postam ou compartilham conteúdos sem se certificar da autenticidade da informação.

Considerando a maneira como Deus deseja que vivamos, a questão é mais grave do que parece. Nosso papel é restaurar a verdade, não propagar a mentira. Os adventistas têm dado grande ênfase na obediência à Lei de Deus, os dez mandamentos, com especial destaque no quarto mandamento, que diz respeito ao sábado como dia sagrado. Contudo, consideramos que os outros nove devem ser igualmente praticados, inclusive o nono, que afirma: “Não darás falso testemunho contra o teu próximo” (Êx 20:16, NVI). Não seria o caso de pensarmos na grave possibilidade de milhões de usuários virtuais se enquadrarem em uma rotineira transgressão do nono mandamento quando atribuem a personalidades, políticos, autoridades e a outras pessoas frases descontextualizadas, pensamentos distorcidos ou vídeos editados com propósito de defender seus próprios interesses?

No meio jurídico, testemunhar a respeito de alguém é tão sério que pode ser determinante sobre uma decisão judicial a favor ou contra determinada pessoa. No ambiente virtual, cada notícia falsa que é compartilhada e viralizada seguramente cumprirá seu propósito de difamar e denegrir a pessoa mencionada, podendo trazer sérias consequências psicológicas e emocionais sobre a mesma. Nesse sentido, Fernando Peres, advogado especialista em direito digital e crimes cibernéticos, expressa que os usuários são virtuais, mas as vítimas são reais.

Contrariamente, há quem possa dizer que rede social é um amplo espaço para discussão das questões contemporâneas, e que seu uso, ainda que de forma inadequada, deve ser aproveitado para denunciar conceitos filosóficos, ideologias, assim como falhas de líderes políticos e religiosos. Entretanto, considere a seguinte questão: Seria essa a missão do povo de Deus para os dias finais da Terra? Não deveríamos gastar mais energia na tarefa de amar e apresentar o Cristo Salvador ao próximo do que em batalhas virtuais? Alguns têm manifestado uma verdadeira obsessão em sempre levar a melhor em debates e discussões. Contudo, a Palavra de Deus adverte que “nossa luta não é contra pessoas, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais” (Ef 6:12, NVI). Este é um conflito sério demais para ser reduzido a um ambiente virtual com cristãos armados com frases de efeito ou imagens convincentes.

Aqui na Terra, Cristo venceu o mal propondo uma revolução. Não um levante contra o corrupto sistema vigente. A revolução de Cristo consistia numa deflagrada reversão dos efeitos do pecado sobre cada pessoa, materializada em cada gesto de amor, em cada sofrimento aliviado, ou então numa singela palavra compassiva. Assim, Cristo transformou pessoalmente um ser humano de cada vez, preparando-o para sair deste mundo, e não para ficar nele.

Ser um militante da rede pode fazer alguém parecer engajado nas questões sociais, mas isso não passa de uma fantasia particular. Sendo assim, será que vale a pena querer mudar o mundo pela tela de um celular, correndo o risco de violar princípios eternos, principalmente o nono mandamento?

Ellen G. White orientou: “Cultivem o hábito de falar bem do próximo. Detenham-se sobre as boas qualidades daqueles com que estão associados e olhem menos possível para seus erros e fraquezas” (A Ciência do Bom Viver, p. 492). Faça logoff das teorias, objeções, tumultos e insurreições e login na prática do serviço, amor e serenidade do evangelho. Todas as partes envolvidas só terão a ganhar.

Um olhar sobre o nono mandamento e o nono mandamento no olhar

Neste artigo, faço uso das diversas e abrangentes definições dadas pelo dicionário para a palavra “mentira”, aliadas a uma pesquisa exegética e bibliográfica do assunto para desvendar algumas possibilidades de aplicações para uma melhor compreensão do nono mandamentos da Lei de Deus. Considerando que as palavras possuem um grande poder, e, portanto, um “falso testemunho” também pode causar um grande mal, procuro mostrar a origem desse mal através de uma leitura mais atentiva e interpretativa do Sermão do Monte.

1. Introdução

Certa vez, em 2006, pude testemunhar uma história digna de um filme. Refiro-me ao meu terceiro ano como professor de escola pública estadual em São Paulo, capital, numa escola da periferia da Zona Leste. Foi lá que tive o privilégio de conhecer a Professora Marta, que, em decorrência de um problema em suas cordas vocais, trabalhava na biblioteca da escola. Muito ativa e sempre simpática, não havia ninguém que não apreciasse sua boa companhia. Ao mesmo tempo, era uma pessoa organizada e responsável, zelosa pela ordem. De tal forma que o jornal local a convidara para fazer uma matéria sobre a biblioteca e a dificuldade da escola em adquirir novos livros e organizá-los num espaço razoável para que todos os alunos tivessem um bom acesso.

Próximo ao fim do ano, Marta recebeu uma carta, com o endereço da escola, de um escritório de advocacia. Preocupada, abriu-o com rapidez e teve uma grande surpresa ao começar a ler… Era Paulo, um ex-aluno, de quem Marta pouco se lembrava, mas que estava a sua procura havia um bom tempo. Aliás, já estava quase desistindo de procurar, quando encontrou, em seu escritório, um jornal já vencido, o qual por coincidência abriu… Nem é preciso dizer quem ele viu. A matéria citava apenas o nome da escola. Paulo pesquisou o endereço e realizou seu desejo: o de se comunicar com sua antiga professora a fim de agradecer por sua importante ajuda. Paulo, em sua carta, agradecia simplesmente por um dia ter sido incentivado a ler na sala de aula, de frente para os colegas. Por sua timidez, teve medo, vergonha, tremedeira, como muitos nessa situação. Errou palavras, engasgou, e nem se lembra ao certo se conseguira chegar até o fim, mas Paulo jamais esqueceu as palavras de incentivo e o elogio que Marta fizera a sua leitura e a sua voz. Paulo esperava uma bronca, uma palavra de desagrado por seu erro, risos, porém, ao contrário, recebeu um elogio, um incentivo, uma palavra de afeto. Em sua carta, Paulo afirmava, com convicção, que aquele dia fora um divisor em sua vida, que o fez modificar sua maneira de agir e lhe possibilitou ser o que era hoje, um profissional bem sucedido.

2. O Poder das Palavras

Quanto poder há num simples elogio! Uma simples palavra transformou a vida de Paulo. A Bíblia, em diversas ocasiões, demonstra e chama a atenção para esse poder que um elogio ou uma palavra de afeto possui, especialmente no livro de Provérbios: “Favos de mel são as palavras agradáveis, doçura para a alma e saúde para os ossos.” (Pv. 16.24); “Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo.” (Pv. 25.11). No entanto, com o mesmo poder que uma palavra pode salvar, infelizmente também pode destruir. A Bíblia, igualmente no livro de Salomão, demonstra a importância e o cuidado que devemos ter com o poder das palavras por meio de mensagens de aviso e também de condenação: “Os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor, mas os que agem fielmente são o seu deleite.” (Pv. 12.22); “O que diz a verdade manifesta a justiça, mas a falsa testemunha diz engano.” (Pv. 12.17); “a falsa testemunha não fica impune e o que profere mentiras não escapará.” (Pv. 19.9). Entre muitos outros textos sobre o assunto, sem dúvida o mais conhecido é o nono mandamento em Êxodo 20.16 – “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.”

Ao olharmos para o nono mandamento do decálogo, logo nos vem à mente a idéia de mentira, ou o ato de mentir. Contudo, o nono mandamento deve ser entendido de forma mais profunda, pois assim como os outros mandamentos, não se limita a uma simples sentença negativa ou a uma simples regra, mas a uma norma de conduta e de relacionamento entre Deus e os homens. “Os Dez Mandamentos nos convida a descobrir nossas obrigações com relação a Deus, ao próximo e à sociedade” Por isso o conceito de “lei” em toda a Bíblia se resume no amor, pois está baseado em relacionamentos, primeiro entre Deus e os homens e depois entre o homem e seu próximo. E não há relacionamento verdadeiro sem amor.

3. Um Olhar sobre o Nono Mandamentos: Olhando Além da Mentira

“Não dirás falso testemunho” pode ser entendido como falar falsamente, dizer algo com o intuito de enganar, contrariar a verdade. Ellen White amplia o alcance do texto ao dizer que “por um relance de olhos, um movimento da mão, por uma expressão do rosto pode-se dizer falsidade tão eficazmente como por palavras.” Essa afirmação é confirmada pelo texto original, na língua hebraica, no qual a palavra “ta’aneh”, traduzida como “dirás”, também pode ser expressa como “dar a entender” , portanto, não se refere apenas ao falar, mas também ao agir.

Se recorrermos ao dicionário, poderemos ter definições ainda mais enriquecedoras, e abrangentes como: dar indicação contrária à realidade, cessar de ser bom, criar intriga, tirar a boa fama, desacreditar… e por este primeiro grupo de definições podemos entender outra implicação do nono mandamento: a difamação, ou seja, o esforço no sentido de prejudicar a reputação, a “fama” de alguém. Podemos adicionar ainda outra tradução possível para o termo em hebraico mencionado anteriormente: “concordar”. Desta forma, não somente aquele que difama, mas também aquele que concorda com o que é falado ou permite que falem enganosamente de outro sem se manifestar contra, transgride o nono mandamento, uma vez que possibilita a outros serem tentados a acreditar e repetir tudo o que é indigno para aqueles cuja opinião ou atitude pretendem reprovar. Também está incluso aqui a paradoxal declaração “mentir para o bem”, isto é, “insinuar ou divulgar informações à desvantagem pessoal de outros, como se fossem justificados em pensar mal de alguém que entendem estar agindo errado” espalhando suspeitas sobre as motivações da conduta ou do outro. Motivo pelo qual os homens atraem tanta culpa a si próprios e criam tantos problemas para outros.

Em um segundo grupo de definições, observamos outra possibilidade de aplicação: disfarçar, encobrir as intenções, fingir, simular, não revelar os sentimentos, ocultar… , essas definições demonstram uma intenção que não consiste somente em prejudicar o próximo, como na anterior, mas em obter algum benefício próprio por não mostrar a verdade ou por mostrá-la de forma incompleta. Podemos mencionar diversos exemplos, como simular uma doença para receber atenção, fingir simpatia por alguém importante para ganhar algum beneficio de sua amizade, como diz Brokke : “o falso testemunho nem sempre é engano, por vezes é adulação”. Forjar uma prova para inocentar-se de alguma acusação ou para acusar outro em seu lugar, como o exemplo bíblico dos irmãos de José que sujaram sua túnica nova com sangue de um animal como prova de que ele estava morto, também é dizer falso testemunho. Temos ainda outro exemplo bíblico em Gênesis, onde Abraão apresenta Sara como sua irmã omitindo que era também sua esposa. Deste modo, essa definição “não se limita a ação consciente contra alguém, mas abrange também o resultado ulterior e, ás vezes, inesperado das palavras falsas” , pois as mentiras que dizemos, ou as verdades que ocultamos para satisfazer e ou justificar a nós mesmos, sempre refletirão contra alguém e poderão produzir efeitos imensuráveis de sofrimento, amargura e ódio.

4. Olhando para os Efeitos

Uma última definição encontrada no dicionário que me chamou a atenção foi “atenuar o efeito de”. Um importante aspecto está implícito nessa definição, visto que a ordem de Deus para não dizer falso testemunho nos faz atentar, em primeiro lugar, para o grande valor da verdade. O relativismo do atual mundo pós-moderno considera as preferências pessoais acima do conceito de verdade e entende a liberdade de expressão como premissa para o direito de dizer o que quiser, doa a quem doer, já que “os direitos são mais importantes que as responsabilidades”, tornando a aplicação da verdade apenas local e temporal. Através da mídia e do excesso de informações, o valor da verdade se torna cada vez menos relevante e cada vez mais conceitual, de forma que os mandamentos e a as verdades bíblicas, eternas e atemporais, são incluídas imperceptivelmente no mesmo paradigma, sob uma máscara de aculturação ou abertura a novas idéias, por aqueles que deveriam defendê-las como tal. É fácil observar como o relativismo mina a verdade e a vida da mente mesmo quando aparece mascarado de esclarecimento e tolerância. Portanto, não dizer falso testemunho abarca não “atenuar o efeito” que a verdade tem, não reter uma verdade que precisa ser dita. Em outras palavras, abarca defender a verdade para que o seu valor não seja diminuído.

Num outro aspecto, o nono mandamento também nos previne para o grande valor do nome de uma pessoa. Para os judeus, o nome de Deus, representado pelo tetragrama de quatro consoantes “YHWH”, era tão sagrado que usavam uma pena diferente e especial para escrevê-lo nas Escrituras e só era pronunciado uma vez ao ano pelo Sumo Sacerdote. Considerando que os seres humanos foram criados à “sua imagem e semelhança”, eles também devem ter seus nomes protegidos contra falsos testemunhos. Deste modo, “mentir se torna mais grave do que roubar” , já que o ladrão leva apenas coisas materiais que podem ser repostas, enquanto o mentiroso tira algo que talvez nunca mais possa ser restituído. William Shakespeare, sobre este assunto, declarou: “Quem me rouba a bolsa, escória rouba… Mas quem me surripia o bom nome, furta aquilo que em nada lhe enriquece e que a mim me deixa na miséria.” Portanto, “atenuar o efeito” de um bom nome é o mesmo que roubar o valor de uma pessoa. E, por conseguinte, é o mesmo que prejudicar todos os seus relacionamentos como família, igreja e sociedade. Pois “quando a verdade é substituída pela fraude em qualquer relacionamento, este perde seu valor”

Num terceiro aspecto, o nono mandamento nos faz atentar para o valor da palavra de uma pessoa . Em Mateus 12.34, Jesus diz: “A boca fala do que está cheio o coração”, ou seja, pode-se ver o estado do coração de um homem mediante as palavras que pronuncia, pois as palavras não são apenas sons vocalizados pela boca, mas idéias que resultam do “bom ou mau tesouro do coração” (v. 35), são símbolos da condição espiritual de uma pessoa. Certamente não há nada tão revelador como as palavras. Destarte, revelamos continuamente o que somos mediante o que dizemos e por isso a palavra de uma pessoa é tão importante. “Atenuar o efeito” da palavra de alguém é como tirar o valor de suas intenções mais íntimas sem conhecê-las. Por outro lado, é possível que muitas das palavras que um homem pronuncia em público sejam finas e nobres, e que suas conversações privadas sejam o oposto, grosseiras e maldosas. “A palavra que se diz com muito cuidado pode ser uma hipocrisia calculada” . Assim, o hipócrita pode ser incluído nesse aspecto como aquele que “atenua o efeito” de suas próprias palavras, pois não age de acordo com elas, não dá valor a elas e, conseqüentemente, não valoriza a si mesmo, pois não se mostra como é verdadeiramente. Reprime as palavras que estão em seu coração, mas fala as que provêm de seu orgulho. Cada homem deve analisar-se a si mesmo. Deve examinar suas palavras para poder descobrir o estado de seu coração. E deve recordar que Deus não o julga pelas palavras que pronuncia com cuidado e premeditação, mas sim pelas que pronuncia quando desapareceram todas as barreiras convencionais e os verdadeiros sentimentos de seu coração aparecem na superfície.

5. Olhando Internamente

No Novo Testamento, a lei é repercutida no Sermão da Montanha, em que Cristo nos mostra uma interpretação mais profunda e uma aplicação mais “atualizada” da lei de Moisés. Jesus, nas bem-aventuranças, aplica a lei ao caráter; nas metáforas do sal e da luz, aplica a lei à influência que Seus seguidores deveriam exercer no mundo. Ao dizer que não veio “ab-rogar, mas cumprir” (Mt.5.17), Jesus aplica a lei à justiça confirmando sua autoridade. Nas comparações entre os dois senhores, entre as coisas terrenas e celestiais, Jesus aplica a lei às motivações e desejos do homem. Em suma, no Sermão da Montanha Jesus aplica a lei ao relacionamento entre Deus e o homem e entre o homem com o seu próximo , e assim como foi dito anteriormente, o amor deve ser o elo desses relacionamentos, pois este é o grande mandamento da lei: “amarás a teu Deus de todo o teu coração, de toda tua alma e de todo o teu entendimento… e ao próximo como a ti mesmo” (Mt. 22.37-39).

Como vimos, o nono mandamento não se resume em somente não mentir, mas envolve muitos outros aspectos relacionais, de modo que, se o Sermão do Monte é uma ampliação da aplicabilidade da lei nos relacionamentos humanos, deve então ampliar a nossa visão sobre o nono mandamento. Stott comenta que com bastante freqüência o olho nas Escrituras é equivalente ao coração, isto é, “colocar o coração” e “fixar os olhos” em alguma coisa são sinônimos. O que vemos, fisicamente, nos afeta e nos influencia, da mesma forma, o que vemos espiritualmente (aquilo em que fixamos nosso coração) afeta toda a nossa vida. “Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Mt. 6:21). Por isso Jesus pede a seus ouvintes que não ajuntem tesouro na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, mas no céu, pois o materialismo e a ganância nos faz perder o senso de valores e o discernimento das coisas temporárias e as eternas. Esse verso é seguido pela analogia dos olhos, que Jesus compara com a lâmpada do corpo: “Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teu olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas” (v. 22, 23). Portanto, o olho bom é como um binóculo que amplia o alcance ou como uma lente que melhora a visão distorcida pelo pecado e o olho mau é como uma catarata que obscurece a visão, ou como uma venda que cega e conduz às trevas.

6. O Nono Mandamento no Olhar

A palavra nesse texto traduzida como “bom” tem um sentido bastante comum no grego do Novo Testamento, como generoso ou generosidade, como no livro de Tiago que diz, com respeito a Deus, que ele dá a todos “generosamente” (Tiago 1:5). E o advérbio que usa em grego, é o mesmo que aparece no texto como adjetivo. Por oposição, a palavra traduzida por “mau” tanto no Novo Testamento como na Septuaginta, também significa miserável ou mesquinho. Assim sendo, Jesus está afirmando que não há nada como a generosidade para nos permitir ver a vida e as pessoas de maneira correta e não há nada como a avareza para fazer com que nossa visão das coisas e das pessoas seja incorreta. Olho bom é aquele olhar que busca dar e não receber, que olha para ajudar, para entender, para compartilhar, para agradecer… olha com amor. Ao contrário, o olho mau é aquele olhar que só busca receber, olha com cobrança, com julgamento, esperando algo que ele mesmo não tem, sempre querendo mais e sempre insatisfeito.

Seguindo essa interpretação, podemos dizer que o nono mandamento nos conduz a dar um melhor significado a coisas duvidosas. Leva-nos a esperar o que é bom sobre o nosso próximo, ou pelo menos dar ao próximo o benefício da dúvida, mesmo que ele tenha feito algo de errado, visto que toda pessoa é capaz de mudar de idéia. “A calúnia não é só incriminar e achar erro no inocente onde não há razão para isso, mas é também dar o pior significado a coisas ditas de forma comum” . Um olho mau desconfia, entende coisas ditas, correta ou ambiguamente, da pior forma possível. Isso não significa que devemos ser ingênuos ou ignorar o óbvio, mas que devemos ser generosos em nossos julgamentos com respeito a outros. Uma das características da natureza humana é pensar sempre o pior, e encontrar um prazer maligno em repetir o pior. Todos os dias vêem assassinar a boa reputação de pessoas perfeitamente inocentes na fofoca de pessoas cujos julgamentos estão impregnados de veneno. O mundo se veria sacado de muito sofrimento se tratássemos de pensar o melhor, e não o pior, com respeito a nossos próximos, e se nossa interpretação de suas ações fosse sempre “generosa”.

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