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terça-feira, 14 de julho de 2026

Entre a política e a religião

Obra ajuda a compreender conceitos políticos e oferece orientações sob uma perspectiva bíblica adventista.
Por Diogo Cavalcanti

Livro é uma das poucas referências sobre a relação entre os adventistas e a política (Foto: Divulgação / CPB)
Nos últimos anos, a política passou de um tema de discussão para um campo de batalha. Pautas sociais, culturais, esportivas, científicas e até mesmo temas religiosos têm sido avaliados predominantemente a partir de lentes políticas. Lideranças ganham projeção e se digladiam em confrontos. Enquanto isso, atravessamos uma grave crise institucional, esticando ao máximo o delicado fio da democracia. Em meio a tudo isso, a militância, o ódio político e a desinformação causam tensões nas redes sociais.

Confusão e desinformação

Infelizmente, esse estado de coisas não se restringe à sociedade, mas também alcança o mundo religioso. Com o crescimento da população evangélica e cada vez mais políticos religiosos nas assembleias legislativas, tribunas têm se tornado púlpitos, e os púlpitos, tribunas. No intertexto, vemos uma luta cultural pela preservação de valores antagônicos e um conflito de moralismos conservadores e liberais.


Os cidadãos cristãos se veem confusos pela simpatia a propostas e valores dispersos por todo o espectro político, mas não reunidos em um só lugar. A necessidade de uma argumentação mais educativa e equilibrada acerca dos conceitos sobre política, economia e partidarismo se mostra ainda mais útil, principalmente por uma ótica fundamentada na cosmovisão bíblica. O grande desafio de muitos é conseguir entender contextos ao seu redor sem a interferência de visões, muitas vezes, impregnadas por paixões alinhadas a filosofias e conceitos puramente humanos.


Assim, raciocínios torcidos e incoerentes se contradizem nos discursos de algumas vozes políticas, o que muitos não percebem. Enquanto isso, os horizontes da política e da religião estão se aproximando e por vezes até se unindo. Aliás, como adventistas, temos uma visão profética sobre esse tema.

O que você precisa saber

Diante disso, a Casa Publicadora Brasileira (CPB) lançou o livro Política: O Que Você Precisa Saber (2022, 160 p.), escrito por Marcos De Benedicto, redator-chefe da editora. A obra faz parte da Série Essencial, uma nova coleção sul-americana de volumes introdutórios, eruditos e em uma linguagem acessível, que trata dos temas mais discutidos da atualidade.

Basicamente, antes mesmo de votar e saber se posicionar sobre qualquer questão política, é preciso entender seus conceitos básicos. E é isso o que o livro oferece. Ele parte da necessidade da política, suas origens histórico-filosóficas e demonstra como a Bíblia oferece princípios para nos orientar em uma era de vertigens.

Nas palavras do próprio autor, “o objetivo não é simplesmente definir política ou historiar o pensamento da igreja sobre o tema, mas levar o leitor a refletir sobre o assunto, a discernir padrões, avaliar ideologias, perceber implicações, votar mais conscientemente. Obras técnicas e filosóficas sobre política existem aos milhares. Porém, não temos muitas fontes no âmbito adventista” (p. 13).

O livro não é um documento oficial da igreja nem representa a palavra final sobre o tema, mas se propõe a oferecer orientações objetivas e desapaixonadas sobre ele. A obra está dividida em sete capítulos intitulados: (1) A invenção da política; (2) A política na Bíblia; (3) A visão adventista; (4) A teologia do poder; (5) A política da religião; (6) A batalha dos impérios; e (7) A filosofia da história. Ajuda tanto a compreender os conceitos políticos (política, democracia, ideologia, Estado, direita, esquerda, centro), os sistemas de governo, bem como as ideologias e seus efeitos ao longo da história. Apresenta princípios bíblicos, as orientações de Ellen G. White sobre o tema, relata situações emblemáticas do adventismo, cita documentos oficiais e reflete sobre obras clássicas e pensadores obrigatórios.

O adventismo tem uma identidade própria e uma perspectiva teológica, histórica e profética da política, a qual o livro busca descrever. Em uma era de desinformação, Política é leitura obrigatória, em meio à atmosfera polarizadora e asfixiante. Espera-se que sua leitura leve e bem embasada produza mais esclarecimento, reflexão e uma distinção clara entre política e religião, a cidadania que devemos exercer e os limites que os políticos e os religiosos não devem atravessar. Afinal, é sempre bom encontrar um oásis de bom-senso no deserto das loucuras. Por meio da luz das Escrituras, podemos elevar o debate e redescobrir o que Deus espera de nós como povo e como indivíduos.

Diogo Cavalcanti é teólogo, jornalista e editor de Livros da Casa Publicadora Brasileira.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

A Bíblia fala de uma guerra final no Oriente Médio?

Nesta entrevista, especialista explica o que realmente significam as expressões dos capítulos 38 e 39 do livro de Ezequiel.
Por Felipe Lemos | Mundo
Fumaça no Irã após ataques dos EUA e Israel. (Foto: Getty Images)

Os recentes conflitos no Oriente Médio costumam despertar, entre alguns cristãos, medo quanto a uma grande guerra. As tensões que envolvem os países da região aguçam o imaginário de quem enxerga, na Bíblia, a descrição de batalhas militares finais. É o caso de algumas interpretações sobre a batalha do Armagedom, no livro do Apocalipse. Alguns representantes de vertentes evangélicas veem, nos capítulos 38 e 39 do livro do profeta Ezequiel, conflitos entre Israel, Irã, Hamas, Hezbollah e até a Rússia. Para alguns, inclusive judeus, a identificação das nações de Gogue e Magogue pode estar em países atuais.

Resolvemos oferecer uma perspectiva diferente para a interpretação dos capítulos. Por isso, a Agência Adventista Sul-Americana de Notícias (ASN) entrevistou o teólogo adventista Luiz Gustavo Assis.

Ele é bacharel em Teologia pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), mestre em Arqueologia do Antigo Oriente Próximo e Línguas Semíticas pela Trinity International University, e doutor em Bíblia Hebraica pelo Boston College. Sua pesquisa doutoral envolve a aquisição e produção de conhecimento oracular (profético) na Bíblia Hebraica, especialmente no livro do profeta Ezequiel. No momento, Assis atua como pastor da Igreja Adventista de Anaheim, no estado da Califórnia, Estados Unidos.

De onde surgem ideias como a de uma batalha militar nos tempos atuais com referência na Bíblia?

Existem dois tipos de estudo de profecias bíblicas. Um é realizado com a Bíblia em uma mão e o jornal na outra. Nesse tipo de estudo, quase a mesma atenção é dada às Escrituras e ao jornal ou canal de notícias. O problema com esse tipo de estudo bíblico é que ele é muito especulativo. Ele deixa muitas perguntas sem resposta e quase exige um diploma em geopolítica, economia ou política externa para se entender a profecia.

É o caso dos capítulos 38 e 39 do livro de Ezequiel?

Sim. Há muita empolgação no mundo cristão, principalmente entre evangélicos, em relação a esses capítulos. O capítulo 38 começar com uma descrição de Gogue e de seu vasto exército: “a palavra do Senhor veio a mim, dizendo: Filho do homem, vire o seu rosto contra Gogue, da terra de Magogue, príncipe chefe, de Meseque e Tubal, e profetize contra ele dizendo: Assim diz o Senhor Deus: "Eis que estou contra você, Gogue, príncipe chefe de Meseque e Tubal. Eu o farei mudar de direção, porei anzóis em seu queixo e o levarei para longe, juntamente com todo o seu exército: cavalos e cavaleiros, todos vestidos de armamento completo, grande multidão, com escudos, todos empunhando a espada; persas e etíopes e Pute com eles, todos com escudo e capacete; Gômer e todas as suas tropas; a casa de Togarma, do lado do Norte, e todas as suas tropas, muitos povos com você” (38:1-6).

Se você observar o que alguns cristãos estão pregando sobre esse capítulo, frequentemente ouvirá a ideia de que ele descreve uma aliança entre Turquia, Pérsia (Irã) e Rússia. Alguns até conectam isso a líderes políticos modernos. Essas ideias foram influentes, inclusive na política externa dos Estados Unidos. Há registros do ex-presidente norte-americano Ronald Reagan, nos anos 1980, citando Ezequiel 38 para identificar a Rússia como inimiga do Ocidente durante a Guerra Fria. O que está acontecendo aqui? Este é um exemplo de impor interpretações do jornal sobre as Escrituras.

Outra interpretação

E qual seria uma outra maneira de ver o assunto?

Para entender isso, precisamos de um mapa. O texto menciona Gogue, um governante enigmático cuja identidade é debatida. Alguns o associam a Giges, rei da Lídia, no século 7 a.C. Meseque e Tubal são associados a regiões da antiga Turquia, Mushki e Tabal respectivamente, na época do segundo milênio antes de Cristo. A Pérsia é mencionada, juntamente com Cuxe e Pute, que correspondem a regiões da África. Seria o atual Sudão e Etiópia. No entanto, há a possibilidade de que Pérsia seja a palavra “Patros”, referindo-se ao Alto Egito. Isso significaria que todas essas regiões estariam geograficamente mais próximas.

O texto também menciona a casa de Togarma, conhecida em textos assírios do sétimo século antes de Cristo como Tilgarimmu associada à Armênia, e Gômer, identificada em textos clássicos e assírios como a região dos Cimérios ao norte da Turquia, próximas ao Mar Negro. É por isso que alguns intérpretes identificam Turquia e Irã na passagem. No entanto, esses nomes (Gogue, Meseque, Tubal, Togarma, Gomer) não tinham qualquer significado nos dias do profeta Ezequiel. Eram nomes antigos usados aqui de maneira genérica para descrever inimigos do povo de Judá.

Rússia e a profecia

Mas então surge a pergunta: de onde vem a Rússia?

A Rússia entra na interpretação por meio de um problema de tradução. A expressão hebraica traduzida como príncipe-chefe é nasi rosh, que significa líder principal. Quando foi traduzida para o grego, a palavra rosh não foi traduzida, mas transliterada. Mais tarde, alguns interpretaram isso como referência à Rússia por causa da semelhança sonora. Tanto é que várias versões em português se referem a Gogue como princípe de Ros. Isso levou à ideia de que Ezequiel 38 fala da Rússia, mas isso se baseia em uma má tradução.

O episódio mostra o perigo de importar a geopolítica moderna para o texto bíblico. Essa interpretação ganhou força durante a Guerra Fria e influenciou muitos sermões, livros e até filmes como Deixados para Trás. Mas, quando a União Soviética colapsou, essas interpretações se tornaram instáveis. Com esse tipo de abordagem, é possível fazer o texto dizer praticamente qualquer coisa. Por isso, não sou favorável a ler a Bíblia com o jornal. Devemos deixar o texto falar por si mesmo.

Interpretação adventista

E, então, o que realmente temos nessa passagem?

Os Adventistas do Sétimo Dia costumam entender que temos aqui um grupo de nações atacando o povo de Deus no fim dos tempos. A linguagem é simbólica. Assim como no livro de Apocalipse, essas imagens não devem ser interpretadas de forma estritamente literal. Gogue é retratado quase como um monstro marinho. No versículo 4, Deus diz que colocará anzóis em suas mandíbulas, como se faz com um peixe. Essa imagem é semelhante à de Ezequiel 29, onde o Egito é descrito da mesma forma.

O ponto principal é o quadro geral: sete nações representando um caos completo vindo de todas as direções contra o povo de Deus. A descrição é intencionalmente geral. Gogue não é claramente identificado, e não há um candidato histórico ou futuro definitivo. A imagem permanece aberta, porque representa qualquer força de caos contra o povo de Deus.

O problema ao estudar profecia é que muitas vezes nos concentramos em detalhes pequenos como nomes, símbolos e lugares e tentamos conectá-los aos acontecimentos atuais. Ao fazer isso, perdemos o quadro geral. É como olhar uma paisagem através de uma moldura pequena. Você vê algo bonito, mas perde todo o resto.

Contexto completo

Interessante essa ideia de olhar o quadro geral...

Sem dúvida. Estudar profecia é desafiador, mas precisamos manter o quadro geral em mente. Qual é esse quadro geral? Deus está no controle. No versículo 4, Deus diz: “Eu te farei voltar e porei anzóis em teus queixos.” É Deus quem dirige a ação. Gogue não age de forma independente. No versículo 21, Deus diz: “Chamarei contra Gogue a espada.” Deus está orquestrando o resultado. Deus é o vencedor desde o início.

No capítulo 39, Deus destrói as armas do inimigo: “Ferirei o teu arco… e farei cair as tuas flechas” (v. 3). Isso faz o leitor lembrar do Salmo 46, onde Deus quebra o arco e queima os carros de guerra. Ele destrói as armas, executa o juízo e garante a vitória. O versículo 6 diz: “Enviarei fogo sobre Magogue… e saberão que eu sou o Senhor.” Deus é o vencedor. Em Ezequiel 39:9, o povo de Deus queima as armas do inimigo, enfatizando que a guerra terminou.

Ainda assim, ao estudar profecia, muitas vezes nos concentramos no inimigo—quem ele é e o que está fazendo—e esquecemos a vitória de Deus. Muitos leem textos apocalípticos como Ezequiel 38-39, Daniel 11, Zacarias 9-14, e o próprio livro do Apocalipse como documentos de descrições das forças malignas. A realidade é que em todos eles a ênfase é no Deus que destrói essas forças malignas e caóticas, independente de quem elas sejam.

Deixe uma mensagem final para os leitores da Bíblia

Deixe o Espírito Santo, a própria Bíblia e o contexto em que ela foi escrita ajudarem na interpretação. Evite fazer um estudo com todos os conceitos já definidos. No caso do texto sobre o qual estamos falando, observe também o uso repetido da palavra “grande” nesses capítulos: um “grande” exército (38:15), um “grande” terremoto (38:19). Isso tudo conduz à declaração de Deus: “Mostrarei a minha grandeza e a minha santidade” (38:23) O propósito da batalha é revelar a grandeza de Deus, não a do inimigo. Esse é o enfoque das profecias, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.

Quando a humanidade vai mais longe e Deus vem mais perto

 Uma reflexão bíblica a partir da observação do recente feito da humanidade no projeto Artemis de viagem à Lua.

Por Josué Cardoso dos Santos | Brasil

Astronautas entraram para a história ao participarem deste tipo de expedição depois de 50 anos. (Foto: Reprodução/NASA)

No dia 6 de abril de 2026, a missão Artemis II, parte do programa Artemis da NASA (agência espacial norte-americana), marcou um feito histórico: quatro astronautas, em trajetória que contornou a Lua, atingiram a maior distância já alcançada por seres humanos a partir da Terra por meios próprios. Isso marcou também a primeira vez que olhos humanos puderam ver em pessoa a face oculta da Lua.

É um feito histórico e impressionante. Mas, diante da escala de tamanho de nosso sistema solar e do universo conhecido, essa viagem revela também o quanto ainda estamos “presos ao nosso próprio quintal cósmico”, mesmo após milênios de existência de civilização humana que culminaram nos atuais desenvolvimentos tecnológicos. Esse contraste na escala de grandezas nos convida a refletir.

Mensagem de esperança
Primeira imagem do chamado “lado oculto da Lua” registrada pela missão Artemis 2. (Foto: Reprodução/NASA)

A exploração espacial carrega uma mensagem de esperança: a de que o futuro da humanidade pode ser melhorado na Terra ao ser expandido para além dela mesma. Os astronautas da missão Artemis II, ao irem tão distante e retornarem, trazem boas notícias e evidenciam sinais de que estamos retomando a era da exploração espacial.

Curiosamente, a mensagem central do cristianismo também é descrita como boas novas. Os quatro evangelhos relatam uma outra jornada — similar por um lado e contrastante por outro. Enquanto, de forma semelhante à exploração espacial, a busca por respostas e melhoria de vida pode apontar para além da Terra, a mensagem bíblica não apresenta o ser humano indo em direção ao cosmos, mas Deus vindo em direção à humanidade.

Se por um lado quatro astronautas viajam ao espaço e voltam para contar o que outros jamais viram, quatro evangelistas registram o que testemunhas viram e proclamaram sobre a vinda daquele que entrou na história para transformar o destino humano.

Essa diferença é fundamental.

A esperança última não está em uma viagem que fazemos para fora por nós mesmos, mas em uma intervenção que vem ao nosso encontro. Dessa forma, a Bíblia apresenta um Deus que não espera que a humanidade O alcance por seus próprios meios. Ele veio até nós.

Em um mundo marcado por grandes avanços, mas também por limitações — tecnológicas, físicas e espirituais — isso muda tudo. Podemos avançar, aprender, explorar. E devemos fazê-lo. Há valor no esforço humano, na ciência, na busca por conhecimento e desenvolvimento humano.
Limitações humanas x poder de Deus

Mas esses avanços também expõem um limite claro: por nós mesmos, ainda estamos confinados a uma pequena região do universo. A mensagem cristã aponta para algo maior.

De forma simbólica, assim como os astronautas da Artemis II viajam e retornam trazendo boas notícias, há cerca de dois mil anos Cristo veio, morreu, ressuscitou e, segundo as Escrituras, ascendeu aos céus (Atos 1:9–11). E fez isso com a promessa de que Ele voltará (João 14:1–3). Não para nos deixar à nossa própria capacidade de alcançar a salvação, mas para Ele mesmo restaurar todas as coisas (Apocalipse 21:1–4).

A esperança cristã, que é compartilhada e ensinada pelos Adventistas do Setimo Dia, então, não é apenas de expansão civilizacional para além deste planeta, mas a de sua restauração plena. Não apenas de alcançar novos mundos, porém de receber acesso pleno à criação, em uma realidade renovada, sem as limitações atuais (Apocalipse 21:5–7).

Diante disso, os avanços da exploração espacial podem ser vistos com admiração e também com humildade. Eles mostram até onde conseguimos ir. O evangelho revela até onde Deus já foi para nos alcançar.

Talvez o maior contraste não esteja na distância percorrida, mas na direção do movimento.

Muito antes de tentarmos ir aos céus, foi Ele quem veio até nós.

Josué Cardoso dos Santos é PhD em Física, astrônomo e professor de engenharia aeroespacial na Universidade do Colorado, EUA. Ele é membro do ministério Cientistas Adventistas.



O discurso de ódio e o papel dos cristãos na internet

Em um cenário de reações impulsivas, a educação midiática e os princípios bíblicos mostram caminhos para responder com sabedoria
Por Carlos Magalhães | América do Sul
Comentários e publicações nas redes sociais podem causar um impacto negativo na vida das pessoas e reforçar mensagens discriminatórias (Imagem gerada com IA)

Você já saiu de uma rede social mais irritado do que entrou? Já se pegou respondendo no impulso a um comentário provocativo ou compartilhando algo que depois se arrependeu? Se a resposta for sim, você não está sozinho.

Esse comportamento tem se tornado muito frequente e gerado consequências desastrosas, a ponto de governos e entidades se mobilizarem para conscientizar e tentar conter o avanço do preconceito, da hostilidade e da discriminação na Internet.


E, para os cristãos, também existe uma pergunta inevitável: nossas interações digitais refletem o caráter de Cristo?
Um problema que não para de crescer

O discurso de ódio é definido como qualquer comunicação que ataque ou desqualifique uma pessoa ou grupo por causa de sua religião, etnia, gênero, nacionalidade ou outra característica.

Os dados de 2025 indicam um aumento expressivo no volume de denúncias de crimes de ódio em todo mundo. Este discurso afeta especialmente as mulheres, as quais estima-se que 38% já sofreram violência online. Ainda assim, menos de 40% dos países dispõem de leis que as protejam contra assédio ou perseguição digital, deixando cerca de 1,8 bilhões de mulheres e meninas sem qualquer proteção legal diante desses ataques.

Por trás de cada estatística há pessoas reais: alguém que foi humilhado por sua aparência, atacado por sua fé ou silenciado pelo medo. O discurso de ódio não é apenas um problema digital. É uma ferida humana e espiritual presente em várias esferas da vida.
Aprender a ler antes de reagir

Boa parte dos conflitos online não nasce da maldade, mas da pressa. Reagimos a manchetes sem ler o texto, interpretamos mal uma frase fora de contexto e respondemos no calor da emoção.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Columbia e do instituto francês Inria revelou um dado impressionante: cerca de 59% dos links compartilhados nas redes sociais nunca foram abertos por quem os compartilhou. Em outras palavras, a maioria das pessoas espalha conteúdo que não leu.

É aqui que entra a educação midiática. A UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) a define como a capacidade de pensar criticamente sobre o que recebemos e produzimos na mídia. O lema de um de seus principais materiais resume bem: pense criticamente, clique com sabedoria.

Na prática, isso significa criar o hábito de fazer algumas perguntas antes de reagir ou compartilhar: quem escreveu isso? Com que intenção? Isso é fato ou opinião? Estou entendendo o contexto completo? Esse pequeno filtro evita mal-entendidos, reações impulsivas e muitos conflitos desnecessários.
Quando a raiva vira isca

Existe ainda um agravante: parte do conteúdo que circula na internet é feito de propósito para irritar. É o chamado rage bait (isca de raiva), eleito a palavra do ano de 2025 pelo dicionário Oxford. São publicações desenhadas para provocar indignação, porque a raiva gera cliques, comentários, alcance e receita financeira para alguns.

Cada resposta furiosa alimenta exatamente o que o autor da provocação queria: engajamento. Reconhecer essa armadilha já é metade do caminho para não cair nela. Muitas vezes, a atitude mais sábia, e mais cristã, é simplesmente não responder.
Cinco atitudes para um consumo digital mais conscientePause antes de reagir. Se um conteúdo despertou raiva imediata, espere. A emoção é um péssimo conselheiro de publicações.
Leia antes de compartilhar. A manchete não é o texto. Abra, leia até o fim e só então decida se vale a pena repassar.
Verifique a fonte. Prefira veículos e instituições confiáveis. Desconfie de conteúdo sem autor, sem data e sem referências.
Não alimente a provocação. Discussões com quem só quer brigar não convencem ninguém. Silêncio também é resposta.
Lembre-se de quem está do outro lado. Atrás de cada perfil há uma pessoa criada à imagem de Deus, com história, dores e dignidade.
Conclusão

Muito antes das redes sociais, a Bíblia já oferecia o melhor manual de convivência digital. Tiago escreveu: “Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se” (Tiago 1:19, NVI). É quase uma descrição do antídoto contra a cultura da reação instantânea.

Os Provérbios completam: “A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira” (Provérbios 15:1). E Paulo orienta: “Nenhuma palavra torpe saia da boca de vocês, mas apenas a que for útil para edificar os outros, conforme a necessidade, para que conceda graça aos que a ouvem” (Efésios 4:29).

Jesus chamou Seus seguidores de sal da terra e luz do mundo (Mateus 5:13-14). Isso vale também para o mundo digital. Cada comentário, cada compartilhamento e cada curtida é uma oportunidade de temperar as conversas com amor e graça.

Antes de postar, pergunte: isso é verdadeiro? É necessário? Edifica alguém? Honra a Deus?

segunda-feira, 1 de junho de 2026

OS ADVENTISTAS E A POLÍTICA

Como adventistas do sétimo dia, esperamos o breve retorno de nosso Senhor Jesus Cristo e ansiamos por aquela pátria eterna “da qual Deus é o arquiteto e edificador” (Hebreus 11:10). Aceitamos igualmente o desafio de ser “sal da terra” e “luz do mundo” (Mateus 5:13, 14). Assumimos o compromisso de pregar o evangelho com seus valores eternos e o dever de ser relevantes e servir às comunidades em que estamos inseridos, tornando-as lugares melhores.

 “A Igreja Adventista tem procurado, desde seu início, seguir o exemplo de Cristo ao advogar a liberdade de consciência como parte integral de sua missão evangélica. À medida que o papel da igreja na sociedade se expande, é apropriado declarar os princípios que guiam nossa igreja em sua extensão mundial nos contatos com os governos das regiões nas quais operamos” (Declarações da Igreja, p. 154). Portanto, como Igreja estamos determinados a cumprir nossos deveres institucionais e individuais, desenvolvendo relacionamentos saudáveis com as instâncias de poder.

 Este documento foi elaborado e aprovado para servir como a referência oficial a respeito do pensamento adventista sobre a relação da organização com questões políticas, partidárias e eleitorais. Ele será útil para pastores, servidores e membros, indicando o posicionamento adequado nessa esfera. Não pretende substituir os conselhos divinos, mas sim expressar claramente a compreensão que a Igreja Adventista do Sétimo Dia tem acerca do relacionamento institucional com os poderes públicos e os assuntos políticos, bem como os deveres de seus membros como cidadãos. 

1. Os adventistas e a política partidária 

Existem alguns princípios fundamentais que regem a posição da Igreja Adventista do Sétimo Dia sobre política partidária. Um deles é o princípio da separação entre Igreja e Estado, o que leva cada uma dessas entidades a cumprir suas respectivas funções sem interferir nas atividades da outra. A Igreja acredita que adotar uma postura sem filiação partidária ou qualquer tipo de compromisso com partidos políticos é uma das maneiras de manter esse princípio. Tal prática deve nortear não apenas a organização adventista em todos os seus níveis administrativos, mas também as instituições por ela mantidas, seus pastores e servidores.

 A Igreja encontra nos ensinos do Senhor Jesus e dos apóstolos base segura para evitar qualquer militância político-partidária institucional. O cristianismo apostólico cumpriu sua missão evangélica sob as estruturas opressoras do Império Romano sem se voltar contra elas. O próprio Cristo afirmou que Seu reino “não é deste mundo” e que, portanto, os Seus “ministros” não empunham bandeiras políticas (João 18:36). Qualquer posicionamento ou compromisso com legendas partidárias dificultaria a pregação do evangelho a todos indistintamente.

 Por outro lado, a Bíblia não isenta a comunidade de crentes dos deveres civis e do compromisso com a cidadania, e isso está evidente na ordem de Jesus: “Deem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Marcos 12:17). O Novo Testamento apresenta várias orientações sobre o dever cristão de reconhecer e respeitar os governos e as autoridades (Romanos 13:1-7; Tito 3:1, 2; 1 Pedro 2:13-17). Somente quando os poderes temporais impõem transgressão às leis divinas é que o cristão deve assumir a postura de antes “obedecer a Deus do que aos homens” (Atos 5:29). 

Assim, a Igreja Adventista do Sétimo Dia: 

Reconhece as obrigações do exercício da cidadania, mas não possui nem mantém partidos políticos, não se filia a eles, tampouco repassa recursos denominacionais para atividades dessa natureza. Por adotar uma postura apartidária, respeita as autoridades constituídas, mas não incentiva a participação institucional em qualquer atividade político-partidária. 

Entende a importância do processo democrático. Todavia não permite que em seus templos, sedes administrativas e instituições sejam realizadas reuniões com finalidades eleitorais, seja para promoção ou apoio de candidatos (membros e não membros da igreja) ou de partidos políticos. 

Respeita as pessoas eleitas para os diferentes cargos públicos. No entanto, não possui uma bancada de parlamentares, não investe na formação de lideranças partidárias nem trabalha para esse fim. 

2. Os adventistas e as eleições 

Os adventistas reconhecem a autoridade profética e a influência da vida e da obra de Ellen G. White, mensageira e cofundadora da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Seus escritos não substituem a Bíblia, mas têm servido para aprofundar a compreensão das Escrituras Sagradas. Isso ocorre também em assuntos relacionados com a esfera pública. 

Em um de seus diários, ela registrou que, em determinada reunião, os pioneiros adventistas consideraram demoradamente a questão de votar. Depois de serem mencionadas algumas opiniões, ela escreveu: “Eles acham que é correto votar em favor dos homens defensores da temperança para governar nossa cidade, em vez de, por seu silêncio, correr o risco de serem eleitos homens intemperantes” (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 337). 

Em outra oportunidade, encontramos Ellen G. White assumindo uma posição clara sobre a participação dos membros da Igreja na escolha de candidatos que pudessem favorecer a aprovação de leis que combatessem a venda de bebidas alcoólicas. Nessa ocasião, ela destacou que cada cristão tem a responsabilidade de exercer toda influência possível para estabelecer leis com o propósito de conter essa atividade destruidora da saúde e das famílias. Ela escreveu: “Todo indivíduo exerce uma influência na sociedade. Em nossa terra favorecida, todo eleitor tem, de certo modo, voz para decidir que tipo de leis governará a nação. Não devem sua influência e voto se posicionar ao lado da temperança e da virtude?” (Obreiros Evangélicos, p. 387).

 Esses textos deixam claro que cada adventista deve exercer o direito ou o dever de votar, usando essa prerrogativa para eleger pessoas que promovam conceitos em favor da saúde e da qualidade de vida. Certamente isso envolve a preferência por candidatos que também promovam outros princípios e valores bíblicos praticados e defendidos pelos adventistas e que podem se tornar um benefício para toda a população.

 Assim, a Igreja Adventista do Sétimo Dia: 

Recomenda que seus membros cumpram o direito ou o dever do voto. 

Orienta que seus membros votem de acordo com a consciência individual.

 Determina que pastores, outros obreiros, jubilados com credencial especial, funcionários da organização, líderes locais e membros não apresentem nem promovam candidatos nos templos, em suas sedes administrativas, unidades educacionais, de saúde e em quaisquer outras instituições, seja nos cultos seja em programas promovidos e realizados pela denominação.

 Veda o uso do dízimo e de quaisquer outros recursos denominacionais para financiar candidatos, campanhas eleitorais ou partidos políticos. 

Repudia e não autoriza o recebimento de vantagens e benefícios pessoais ou institucionais ilícitos, indevidos ou em desacordo com os Regulamentos Eclesiástico-Administrativos. 

Não usa, não fornece nem autoriza o fornecimento de dados cadastrais ou de qualquer outra natureza para o envio de propaganda eleitoral aos seus membros. Não autoriza a impressão de propaganda ou material de cunho político em suas editoras nem o uso de espaço publicitário em seus periódicos para veiculação de propaganda eleitoral. Fica igualmente não autorizado o uso de internet, rádio, televisão e publicações da Igreja e de suas instituições para esse mesmo fim, salvo quando impostas obrigatoriamente por lei, como no caso da Rádio e da TV Novo Tempo. 

Não autoriza o uso do espaço físico de seus templos, escolas, colégios, universidades, sedes administrativas, escritórios de projetos assistenciais e demais instituições para qualquer tipo de propaganda político-partidária eleitoral.

 Não aprova que sejam organizados encontros e reuniões por pastores, outros obreiros, jubilados com credencial especial e funcionários da organização, com propósitos político-partidários, em ambientes públicos ou privados.

 Determina, clara e expressamente, quem deve falar em nome da Igreja para se comunicar com os órgãos de imprensa e demais meios. Pastores e servidores, editores das casas publicadoras, apresentadores da Rádio e da TV Novo Tempo, jornalistas, assessores de comunicação e comunicadores não estão autorizados a escrever, postar e falar em nome dos adventistas sobre temas políticos, e devem ter constante cuidado para não dar declarações que demonstrem preferências por ideologias, candidatos ou partidos. 

3. Candidatos que são adventistas

 Entre os direitos do cristão adventista no exercício da cidadania está o de ocupar cargos públicos, eletivos ou não. O Antigo Testamento menciona exemplos de pessoas que exerceram funções de grande projeção nos governos de sua época. Por exemplo, José foi primeiro-ministro do Egito (Gênesis 41:38-46) e, tendo sido colocado por Deus no comando dessa nação, se manteve puro e fiel na corte do rei e foi “um representante de Cristo” junto aos egípcios (Patriarcas e Profetas, p. 369). Daniel exerceu importantes cargos governamentais em Babilônia sob os reinados de Nabucodonosor, Belsazar, Ciro e Dario, e, com lealdade incondicional aos princípios divinos, ele e seus companheiros foram embaixadores do verdadeiro Deus nas cortes desses reis.

 É interessante notar que José e Daniel foram nomeados para funções públicas diretamente pelos próprios monarcas. Hoje, na maioria dos governos, oficiais públicos tanto podem ser nomeados como podem ser eleitos por voto popular. A Igreja Adventista do Sétimo Dia respeita a decisão de seus membros de ocuparem cargos públicos, seja por meio de processo eleitoral seja por nomeação direta. Reconhece também que, como nos tempos de José, Daniel e Ester, a sociedade pode ser beneficiada pelo bom exemplo de políticos religiosos que exerçam suas atividades dignamente, sem comprometer princípios cristãos, ao mesmo tempo em que dão um bom testemunho da fé e promovem os valores bíblicos. 

Assim, a Igreja Adventista do Sétimo Dia:

 Determina que candidatos adventistas não usem os cultos e programas oficiais da igreja. 

Define que os membros que se candidatarem a cargos públicos eletivos se afastem de suas funções de liderança na igreja local durante o período de campanha.

 Estabelece que pastores, outros obreiros e funcionários que decidirem lançar candidatura devem se desvincular obrigatoriamente do trabalho na organização adventista. 

Estabelece que pastores e outros obreiros que decidirem atuar em qualquer trabalho direta ou indiretamente relacionado à política partidária, como assessorias, propaganda, publicidade, ou outras atividades afins, devem se desvincular obrigatoriamente do trabalho na organização adventista. 

Estabelece que pastores jubilados com credencial especial que decidirem lançar candidatura ou atuar em qualquer trabalho direta ou indiretamente relacionado à política partidária, como assessorias, propaganda, publicidade, ou outras atividades afins, tenham sua credencial suspensa enquanto durar esse envolvimento.

 Reconhece que, quando membros adventistas se candidatarem a cargo eletivo com mandato, serão candidatos exclusivamente do partido político ao qual se filiarem e nunca candidatos oficiais da Igreja Adventista.

 Estabelece que, quando surgirem situações em que candidatos, membros da igreja ou não, no exercício do mandato, estiverem concorrendo à reeleição ou a qualquer outro cargo público eletivo, serão tratados de acordo com as orientações deste documento.

 Orienta aos administradores e diretores de departamentos de Associações/Missões, Uniões e diretores de instituições que se limitem, no exercício de suas funções, a informar aos pastores e membros sobre candidatura de adventistas. E que o façam com prudência, sem utilizar a estrutura organizacional para pedir ou induzir membros ao voto. 

4. Os adventistas e as manifestações em redes sociais 

O avanço da tecnologia digital em todas as áreas da vida humana, inclusive na discussão da temática político-partidária, é fato inegável e, de certa forma, ilimitado. Como ambiente de manifestações relacionadas a partidos, candidatos e eleições, as redes sociais propiciam muitos debates, mas também apresentam acusações mútuas e a propagação de dados inverídicos. Essas acusações podem ser caracterizadas pelas legislações nacionais como crimes, sujeitando seus propagadores a penalidades.

 A livre expressão do pensamento, especialmente em relação às questões políticas, implica profunda responsabilidade, podendo gerar consequências indesejáveis decorrentes da veiculação de conteúdos inadequados. Ainda que as postagens e opiniões de seus membros não reflitam necessariamente o pensamento da Igreja, muitas vezes as manifestações individuais são tidas como se fossem o posicionamento oficial da organização adventista sobre o assunto.

 Assim, a Igreja Adventista do Sétimo Dia:

 Orienta a todos os que têm vínculo religioso/missionário ou laboral com a organização adventista que não postem nas redes sociais nem encaminhem mensagens com opiniões ou manifestações sobre política partidária nem opções de candidatos a cargos eletivos, especialmente em período de eleições. 

Recomenda que membros adventistas sejam muito prudentes ao se envolver em posicionamentos e discussões nas mídias sociais a respeito de política, partidos e eleições. Há outros temas de relevância espiritual e missionária que merecem atenção maior por parte dos que compreendem seu papel como multiplicadores do evangelho. 

Reconhece o valor da veiculação nas redes sociais de conteúdos que motivem boas iniciativas em favor das pessoas como forma de contribuir para o bem-estar de todos. A própria organização adventista, quando julgar necessário, expressará seu posicionamento acerca de temas de interesse social, cumprindo seu papel de ser uma voz de esperança na sociedade.

 Conclusão

 Como denominação cristã, a Igreja Adventista do Sétimo Dia reconhece o papel legítimo dos governos organizados na sociedade, respeita o direito do Estado de legislar nas questões seculares e consente com essas leis quando não contrariam os preceitos divinos. Entende também que seus membros devem assumir responsabilidades civis com seriedade e exercer o papel de cidadãos, mas sem se esquecer da cidadania celestial.

 Não desmerecendo as questões políticas e sua importância, a Igreja Adventista do Sétimo Dia entende ser seu dever dar o devido destaque ao objetivo de desenvolver práticas que resultem no fortalecimento da fé e promovam a esperança na iminente volta do Senhor Jesus Cristo. Reconhece que a vocação de pregar o evangelho envolve executar ações de solidariedade que expressem amor ao próximo e produzam alívio ao sofrimento humano. Por isso, todo esforço e toda energia devem ser canalizados para o serviço desinteressado em favor das pessoas, revelando profundo interesse na sua salvação. Seja nossa oração: “[…] Vem, Senhor Jesus” (Apocalipse 22:20). 
Este documento foi preparado em harmonia com as declarações oficiais da igreja, conforme conteúdo do capítulo “A Relação entre Igreja e Estado” (Declarações da Igreja, p. 154-160), adotado pela Associação Geral em março de 2002 e que serve de diretriz e referência para o departamento de Assuntos Públicos e Liberdade Religiosa. Votado em maio de 2026 pela Comissão Diretiva Plenária da Divisão Sul-Americana.

domingo, 4 de janeiro de 2026

Saúde Espiritual

Gratidão: por que essa prática é essencial para a saúde emocional e espiritual
A gratidão vai além de frases prontas. Entenda como essa prática fortalece a saúde emocional, o equilíbrio interior e a espiritualidade de forma consciente.

Gratidão é a capacidade de reconhecer aspectos positivos da experiência vivida, mesmo quando o contexto inclui dificuldades. Nesse sentido, não se trata de negar problemas, mas de identificar elementos que contribuíram para a manutenção da vida, da saúde ou do aprendizado.

Além disso, do ponto de vista da saúde emocional, a gratidão funciona como um recurso cognitivo que ajuda a organizar experiências e reduzir padrões de pensamento negativos recorrentes.
O erro comum ao praticar gratidão
No entanto, um erro frequente é associar gratidão à obrigação de estar satisfeito o tempo todo. No entanto, essa interpretação pode gerar repressão emocional e sentimento de culpa, principalmente em períodos de estresse ou perda.
Por isso, a prática saudável da gratidão não elimina:
o, do ponto de vista da saúde emocional, a gratidão funciona como um recurso cognitivo que ajuda a organizar experiências e reduzir padrões de pensamento negativos recorrentes.
O erro comum ao praticar gratidão
No entanto, um erro frequente é associar gratidão à obrigação de estar satisfeito o tempo todo. No entanto, essa interpretação pode gerar repressão emocional e sentimento de culpa, principalmente em períodos de estresse ou perda.

Por isso, a prática saudável da gratidão não elimina:
  • emoções negativas
  • frustrações
  • cansaço
  • limitações
Ao contrário, ela permite que esses elementos coexistam com o reconhecimento do que foi possível.
Efeitos da gratidão na saúde emocional
Estudos na área da psicologia apontam que a prática regular da gratidão está associada a:
  • redução dos níveis de ansiedade
  • melhora do humor
  • maior clareza emocional
  • menor comparação social
Além disso, a gratidão ajuda a direcionar a atenção para aspectos concretos da realidade. Desse modo, diminui-se a ruminação mental excessiva e o desgaste emocional.
Relação entre gratidão e corpo
O corpo responde diretamente ao estado emocional. Por esse motivo, estresse crônico, ansiedade e excesso de cobrança podem se manifestar fisicamente.
Assim, praticar gratidão envolve também reconhecer sinais corporais, como:
  • fadiga constante
  • dores recorrentes
  • tensão muscular
  • dificuldade de recuperação
Dessa forma, esse reconhecimento facilita ajustes de rotina, descanso adequado e decisões mais saudáveis.
Gratidão e regulação do estresse
A prática consciente da gratidão contribui para a regulação do sistema nervoso. Consequentemente, favorece estados de maior equilíbrio fisiológico.
Isso ocorre porque, ao reduzir pensamentos de ameaça e antecipação negativa, há menor ativação contínua do estresse. Portanto, a capacidade de lidar com pressões diárias tende a melhorar.
Aplicação prática da gratidão
Para aplicar a gratidão de forma objetiva, recomenda-se:
  • identificar um aspecto positivo real do dia
  • reconhecer um limite que evitou sobrecarga
  • registrar um aprendizado obtido em situação difícil
Dessa maneira, o exercício permanece baseado em fatos, não em idealizações.
Gratidão segundo a perspectiva bíblica
Na Bíblia, a gratidão é apresentada como uma atitude consciente, não como negação da realidade.
O texto de 1 Tessalonicenses 5:18 orienta:
“Em tudo, dai graças; porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.”
A expressão “em tudo” indica que a gratidão deve ser praticada dentro das circunstâncias vividas. Isso inclui momentos de dificuldade, incerteza ou espera.
Na perspectiva bíblica, a gratidão está associada à confiança em Deus e à consciência de que a vida não depende exclusivamente do controle humano.
CONCLUSÃO
A gratidão é uma prática que contribui para a saúde emocional, o equilíbrio físico e a estabilidade espiritual quando aplicada de forma consciente e realista.
Ela não elimina problemas, mas melhora a forma como eles são percebidos e enfrentados.
Se este conteúdo foi útil, compartilhe com alguém que busca cuidar da saúde emocional e espiritual de forma prática e consciente.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Gratidão missionária

  • Quando reconhecemos as bênçãos do passado, renovamos a confiança no Deus que guia nosso futuro.

Erton Köhler
















quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Como responder às críticas a Ellen G. White?

Com um novo formato e uma abordagem atual, a Semana do Espírito de Profecia 2025 buscou fortalecer a fé dos participantes e reafirmar sua importância na vida cristã contemporânea.
Por Cristina Levano | Brasil
4 de novembro de 2025
O programa destaca a relevância do dom profético e o valor dos escritos inspirados de Ellen G. White para os adventistas do sétimo dia. (Foto: Divulgação)

A Igreja Adventista do Sétimo Dia na América do Sul realizou a Semana da Profecia 2025, do dia 27 a 31 de outubro, um programa que colocou em evidência questões atuais relacionadas ao papel profético de Ellen G. White. A proposta deste ano foi abordar, com fundamento bíblico e histórico, as críticas frequentes que circulam na internet a respeito da escritora, reforçando a confiança dos fiéis na inspiração divina e no Espírito de Profecia como característica distintiva da Igreja.

De acordo com o pastor Jonatas Leal, diretor do departamento de Espírito de Profecia da Divisão Sul-Americana (escritório administrativo da denominação para oito países da América do Sul), o assunto está intrinsecamente ligado à identidade adventista.
Leia também:
“O Espírito de Profecia é uma das marcas da Igreja remanescente, segundo Apocalipse 12:17. Deus sempre guiou Seu povo por meio dos profetas, e hoje faz isso por meio dos escritos de Ellen White", explica.
Além do enfoque teológico, a iniciativa visou promover o estudo pessoal e o fortalecimento espiritual dos membros da Igreja. A leitura regular da Bíblia acompanhada com os escritos de Ellen G. White foi apresentada como um instrumento que auxilia no fortalecimento da fé, no engajamento com a missão e na aplicação prática dos princípios cristãos no dia a dia. Da mesma forma, se ressaltou que os escritos de White não substituem a leitura da Bíblia, mas atuam como um recurso adicional que promove uma compreensão mais aprofundada das Escrituras, mantendo sempre sua autoridade suprema como Palavra de Deus.

Assista ao primeiro episódio:
A expectativa, segundo o pastor Leal, é que o programa tenha um impacto positivo nas igrejas locais, oferecendo métodos e ferramentas práticas para que os membros possam lidar com objeções comuns, como aquelas relacionadas a plágio, finanças e o papel profético de Ellen White.
“Quando aprendemos a lidar com essas objeções, fortalecemos também a confiança na genuína inspiração divina dos escritos de Ellen White e na autoridade profética que ela recebeu de Deus”, destacou.

A série, realizada como videocast pela Casa Publicadora Brasileira 
(CPB) em parceria com a Divisão Sul-Americana, foi dividida em cinco episódios, com cada um abordando perguntas específicas sobre a vida e o ministério de Ellen G. White. Em cada capítulo, houve convidados e especialistas que, com base em evidências bíblicas e históricas, analisaram as principais críticas dirigidas à autora, tais como: “Por que os adventistas acreditam no papel profético de Ellen White?”, “As visões de Ellen White foram causadas por distúrbios nervosos?”, “Ellen White foi uma plagiadora?”, entre outras questões.
Todos os episódios da Semana da Profecia 2025 já estão disponíveis. 
lique aqui e assista.Você também pode receber esse e outros conteúdos diretamente no seu dispositivo. Assine nosso canal no Telegram ou no WhatsApp.

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Obra reforça identidade cristã e crenças fundamentais adventistas

Conteúdo reafirma, com linguagem acessível, a base bíblica da fé adventista e sua centralidade em Cristo
Por Oscar Lopes | Brasil
5 de novembro de 2025
Coletânea revisita as 28 crenças fundamentais dos Adventistas do Sétimo Dia (Imagem:
 Divulgação)
Nossa identidade é o que nos confere aspecto pessoal, propósito e destino. A Igreja Adventista do Sétimo Dia encontra sua identidade na Bíblia e a expressa por meio de 28 crenças fundamentais, que descrevem Deus e Sua criação, a humanidade e o plano da salvação, a vida cristã e a esperança futura. Esse conjunto de princípios doutrinários coerente e integrado fundamenta nossa identidade como Igreja e orienta nossa missão no mundo.
Sob a coordenação editorial de Artur A. Stele, vice-presidente da Associação Geral — o escritório administrativo mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia —, Comprometidos com Nossa Identidade reúne o conteúdo das apresentações de alguns dos principais teólogos adventistas sobre nosso sistema de crenças. A coletânea, composta de 12 capítulos breves, é atual, agradável e de leitura acessível.
Leia também:


Seu conteúdo aborda novamente assuntos que, recentemente, geraram debates, como a autoridade bíblica, o dom profético, a criação literal, o sábado, o estado dos mortos e a doutrina do santuário celestial. Além disso, em cada um deles, Cristo é apresentado como o centro da mensagem das Escrituras. De forma complementar, cada ensino ilumina a pessoa de Cristo e Seu ministério.

Para Stele, organizador e um dos autores do livro, as 28 crenças fundamentais são como 28 cores distintas que, juntas, compõem com maior nitidez “o belo retrato de Cristo”. Portanto, o estudo das crenças bíblicas proposto nessa obra encontra sentido e profundidade quando descobrimos Cristo em cada uma delas.

Em uma época em que muitos reinterpretam o Evangelho de acordo com suas preferências pessoais, o livro convida os leitores a permanecerem firmes na Palavra de Deus e a não desvincularem o Autor de Sua mensagem. Enquanto muitos ignoram o testemunho do Senhor manifestado em toda a Bíblia e, assim, moldam um Salvador à sua própria imagem, esta obra encoraja a confiar ainda mais na solidez e na fundamentação bíblica das doutrinas essenciais da fé adventista.

“Nossas crenças não são um mero conjunto de proposições intelectuais a serem aceitas pelo fiel. Muito mais do que isso, elas são janelas que revelam a beleza do caráter de Deus” (Comprometidos com Nossa Identidade p. 29, 30).

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Ao querer mudar o mundo pela tela do celular alguns têm travado guerras virtuais e violado princípios eternos
Já virou um hábito! Basta uma brecha no trabalho, uma palestra tediosa, um bom sinal Wi-Fi por perto ou um smartphone com pacote de dados generoso para que o indicador continue seu movimento automático, quase involuntário, deslizando sobre a tela e um mundo de informações. Assim tem sido a rotina de milhões de pessoas nas redes sociais. O que não interessa cai no esquecimento; se algo compensar, quem sabe ganha um like, um comentário ou alguma crítica.

Redes sociais fazem de nós espectadores da vida. Porém, os inúmeros recursos oferecidos por essas plataformas digitais nos dão a possibilidade de não somente observar o que se passa na rede, mas de ser autores, promotores e incentivadores de qualquer ideia. É nesse ponto que vale a pena refletir sobre a maneira como temos utilizado esses espaços virtuais, considerando que eles têm tomado direções perigosas que esbarram em questões éticas, morais e espirituais.

Já nos acostumamos a ser inundados de postagens com pensamentos prontos, frases de efeito, memes, sátiras, ironias e insinuações. Muitas delas abordando situações do dia a dia e, diga-se de passagem, algumas muito criativas e engraçadas. Entretanto, temos observado o crescente número de conteúdos falsos, produzidos por grupos com interesses ideológicos, comerciais e políticos. São as chamadas fake news. De acordo com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) nos EUA, as notícias falsas se espalham 70% mais rápido do que as notícias verdadeiras. Já a consultoria internacional Trend Micro concluiu que se trata de um mercado consolidado que tem orçamentos que chegam a 400 mil dólares. Com essa verba, é possível criar uma celebridade digital ou manipular um processo de decisão. De fato, temos constatado o papel delas na formação da opinião pública sobre os diferentes temas da atualidade.

Não podemos esquecer que tudo o que falamos ou fazemos exerce algum tipo de impacto na vida de outras pessoas. Nosso comportamento nos ambientes virtuais pode igualmente influenciar a maneira de outros pensarem e agirem, tanto para o bem quanto para o mal. Em um tempo tão solene, infelizmente muitos cristãos estão desperdiçando as boas oportunidades que são oferecidas de promover o bem, a paz e o amor. Em vez disso, preferem transformar as redes em campos de guerra ideológica, política e religiosa. Alguns, de maneira intransigente e descuidada, ignoram a possibilidade de se tornarem agentes de uma eventual fake news quando postam ou compartilham conteúdos sem se certificar da autenticidade da informação.

Considerando a maneira como Deus deseja que vivamos, a questão é mais grave do que parece. Nosso papel é restaurar a verdade, não propagar a mentira. Os adventistas têm dado grande ênfase na obediência à Lei de Deus, os dez mandamentos, com especial destaque no quarto mandamento, que diz respeito ao sábado como dia sagrado. Contudo, consideramos que os outros nove devem ser igualmente praticados, inclusive o nono, que afirma: “Não darás falso testemunho contra o teu próximo” (Êx 20:16, NVI). Não seria o caso de pensarmos na grave possibilidade de milhões de usuários virtuais se enquadrarem em uma rotineira transgressão do nono mandamento quando atribuem a personalidades, políticos, autoridades e a outras pessoas frases descontextualizadas, pensamentos distorcidos ou vídeos editados com propósito de defender seus próprios interesses?

No meio jurídico, testemunhar a respeito de alguém é tão sério que pode ser determinante sobre uma decisão judicial a favor ou contra determinada pessoa. No ambiente virtual, cada notícia falsa que é compartilhada e viralizada seguramente cumprirá seu propósito de difamar e denegrir a pessoa mencionada, podendo trazer sérias consequências psicológicas e emocionais sobre a mesma. Nesse sentido, Fernando Peres, advogado especialista em direito digital e crimes cibernéticos, expressa que os usuários são virtuais, mas as vítimas são reais.

Contrariamente, há quem possa dizer que rede social é um amplo espaço para discussão das questões contemporâneas, e que seu uso, ainda que de forma inadequada, deve ser aproveitado para denunciar conceitos filosóficos, ideologias, assim como falhas de líderes políticos e religiosos. Entretanto, considere a seguinte questão: Seria essa a missão do povo de Deus para os dias finais da Terra? Não deveríamos gastar mais energia na tarefa de amar e apresentar o Cristo Salvador ao próximo do que em batalhas virtuais? Alguns têm manifestado uma verdadeira obsessão em sempre levar a melhor em debates e discussões. Contudo, a Palavra de Deus adverte que “nossa luta não é contra pessoas, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais” (Ef 6:12, NVI). Este é um conflito sério demais para ser reduzido a um ambiente virtual com cristãos armados com frases de efeito ou imagens convincentes.

Aqui na Terra, Cristo venceu o mal propondo uma revolução. Não um levante contra o corrupto sistema vigente. A revolução de Cristo consistia numa deflagrada reversão dos efeitos do pecado sobre cada pessoa, materializada em cada gesto de amor, em cada sofrimento aliviado, ou então numa singela palavra compassiva. Assim, Cristo transformou pessoalmente um ser humano de cada vez, preparando-o para sair deste mundo, e não para ficar nele.

Ser um militante da rede pode fazer alguém parecer engajado nas questões sociais, mas isso não passa de uma fantasia particular. Sendo assim, será que vale a pena querer mudar o mundo pela tela de um celular, correndo o risco de violar princípios eternos, principalmente o nono mandamento?

Ellen G. White orientou: “Cultivem o hábito de falar bem do próximo. Detenham-se sobre as boas qualidades daqueles com que estão associados e olhem menos possível para seus erros e fraquezas” (A Ciência do Bom Viver, p. 492). Faça logoff das teorias, objeções, tumultos e insurreições e login na prática do serviço, amor e serenidade do evangelho. Todas as partes envolvidas só terão a ganhar.

Comunicadores adventistas constroem pontes para a missão

Evento global de comunicação incentiva troca de experiências para otimizar o trabalho da comunicação adventista. Richard Stephenson e Alyssa...