terça-feira, 30 de junho de 2026

Brasil x Noruega: veja quando será o próximo jogo da seleção na Copa

A seleção norueguesa venceu nesta terça-feira a equipe da Costa do Marfim pela Copa do Mundo de 2026 e vai pegar a Seleção Brasileira pelas oitavas de final.

Por Redação g1
Copa do Mundo: Brasil pode ter mais dois jogos em dias úteis

A Noruega venceu a Costa do Marfim por 2 a 1 nesta terça-feira (30) e vai enfrentar a Seleção Brasileira de Carlo Ancelotti nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. (Confira mais informações abaixo)


A partida está prevista para 5 de julho (domingo), às 17h (de Brasília), em Nova Jersey/Nova York. Globo, Sportv, GETV, SBT, Nsports e CazéTV transmitem ao vivo. Você também assiste aos jogos na página de tempo real no ge.globo, além de ver cortes exclusivos.

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Confira a seguir quando e onde o Brasil deve jogar, caso avance na competição:

Quartas de final: se chegar entre os oito melhores, o Brasil voltará a campo em 11 de julho (sábado), às 18h (de Brasília), em Miami.

Semifinal: em caso de classificação, a seleção disputará a semifinal em 15 de julho (quarta-feira), às 16h (de Brasília), em Atlanta.

Terceiro lugar: caso o Brasil perca a semifinal, disputará a terceira colocação em 18 de julho (sábado), às 16h (de Brasília), em Miami.

Final: se avançar até a decisão, o Brasil jogará a final da Copa do Mundo em 19 de julho (domingo), às 16h (de Brasília), em Nova York/Nova Jersey.


Veja os possíveis adversários de cada fase no vídeo acima.

Onde assistir à Copa do mundo?

Tempo Real: o ge acompanha todos os lances da partida (clique aqui).
Transmissão: Globo, GETV, sportv, NSports, SBT e Cazé TV.


Terremoto na Venezuela: número de mortos sobe para 1.943

Segundo uma estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 50 mil pessoas ainda estão desaparecidas.
 Por Redação g1
Criança é resgatada com vida de escombros seis dias após terremotos na Venezuela

O número de mortos na Venezuela causados pelo terremoto duplo subiu nesta terça-feira (30) para 1.943, segundo o governo venezuelano. A quantidade de feridos quase dobrou em relação ao último balanço e agora está em 10.571.

egundo as autoridades, 6.461 pessoas foram resgatadas dos escombros com vida. O balanço foi divulgado pouco antes das 15h por Jorge Rodríguez, chefe do Parlamento do país e irmão da presidente, Delcy Rodríguez.

Uma estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que cerca de 50 mil pessoas ainda estão desaparecidas. Segundo o governo venezuelano, 12 pessoas foram encontradas sob os escombros.

Os danos causados ​​pelos terremotos a residências, veículos e empresas têm uma estimativa preliminar de US$ 6,7 bilhões (R$ 34,68 bilhões), de acordo com uma avaliação por satélite feita pela na análise digital do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

6º dia de buscas

Seis dias após os terremotos que devastaram a Venezuela, as equipes de resgate seguem mobilizadas em busca de sobreviventes sob os escombros.

Com o passar das horas, cresce a preocupação entre as autoridades. Quanto mais o tempo passa, menores as chances de encontrar pessoas com vida entre os escombros. Especialistas em resposta a desastres afirmam que as primeiras 48 a 72 horas são decisivas para localizar sobreviventes. Depois desse período, as operações costumam se concentrar na retirada de cadáveres.

➡️ Na noite da última quarta-feira (24), dois terremotos em sequência atingiram a região norte do país, onde fica Caracas. Além das mortes, os tremores derrubaram prédios e deixaram um rastro de destruição na capital venezuelana e arredores. Os sismos foram os mais fortes no país em mais de 100 anos.
Voluntários buscam sobreviventes em meio a escombros de prédios destruídos por terremotos em Caraballeda, no estado de La Guaira, na Venezuela, em 28 de junho de 2026. — Foto: Miguel Medina/Pool/AFP

A dimensão do desastre vai além das áreas onde houve desabamentos. A Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência vinculada à ONU, calcula que mais de 6 milhões de pessoas possam ter sido afetadas pelos terremotos.

Enquanto escavam os escombros, socorristas enfrentam temperaturas elevadas e a necessidade de remover destroços manualmente. Relatos feitos por pessoas que acompanham o trabalho das equipes descrevem que o cheiro provocado pela decomposição dos corpos se torna mais intenso a cada dia.

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La Guaira concentra a maior parte da destruição. O desastre também atingiu Caracas e Maiquetía, cidade que abriga o Aeroporto Internacional Simón Bolívar, principal terminal aéreo do país, ainda fechado. Em contrapartida, outros aeroportos internacionais, como o de Valencia, já retomaram as operações.

Foi apenas no domingo que missões internacionais de resgate começaram a chegar em grande número a La Guaira. Antes disso, moradores relataram frustração com a resposta das autoridades e afirmaram que boa parte dos primeiros socorros foi organizada por voluntários e pela própria população.

Novos tremores

Na última segunda (29), a Venezuela registrou mais um tremor de terra. Segundo informações do Serviço Geológico dos Estados Unidos, a magnitude foi de 4,6 e o epicentro foi em Caraballeda, no litoral norte do país, a cerca de 30 km da capital, Caracas, às 7h do horário local — 8h em Brasília.

Na sexta-feira (26), já havia acontecido um terceiro terremoto, com magnitude parecida com a desta segunda-feira, bem menor do que a dos dois primeiros. Na manhã de domingo (28), também foram registrados abalos de magnitude 4,2 e 4,5.
Terremoto na Venezuela: imagem aérea mostra edifícios em Caraballeda, no estado de La Guaira, na Venezuela, em 29 de julho de 2026. — Foto: Miguel Medina/AP

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Venezuela busca vítimas soterradas de terremoto que já matou 164; VÍDEO mostra comemoração com resgates

Mais de 500 equipes de emergência estão trabalhando para tirar sobreviventes dos escombros. Dezenas de chefes de estado e de governo se solidarizaram e se colocaram à disposição para enviar ajuda humanitária e mais especialistas em resgate para acelerar as bruscas.

A busca por vítimas dos terremotos que devastaram a Venezuela na noite desta quarta-feira (24) - e deixaram 164 mortos e 971 feridos até o momento - continua nesta quinta-feira (25) e, segundo informações, mais de 500 equipes de emergência estão trabalhando para tirar sobreviventes dos escombros.

Imagens da imprensa e das redes sociais mostram a comemoração dos venezuelanos a cada sobrevivente encontrado com vida após os tremores (veja no vídeo acima), considerados os piores a atingirem o país em 100 anos.

Até a manhã desta quinta, 164 mortes haviam sido confirmadas, mas o serviço geológico dos Estados Unidos estima que o número de mortos possa ficar entre 10 mil e 100 mil.

O Itamaraty disse na noite de quarta que até o momento não havia notícias de brasileiros entre as vítimas.
Equipes de resgate trabalham em local de desabamento para buscar sobreviventes — Foto: REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria

Dezenas de chefes de estado e de governo se solidarizaram e se colocaram à disposição para enviar tanto ajuda humanitária, como produtos médicos, quanto equipes de resgates. Além do Brasil, a lista inclui vários países que já sofreram terremotos devastadores, como os Estados Unidos, a Turquia, o México e Portugal.

Segundo a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, que agradeceu à comunidade internacional pelo apoio recebido, os primeiros socorristas estrangeiros devem chegar nas próximas horas.

O governo venezuelano cancelou aulas e suspendeu serviços não essenciais.

O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou solidariedade e disse ter mandado todas as agências do governo americano ajudarem.

A China, que era a principal compradora do petróleo venezuelano antes da captura e prisão de Nicolás Maduro por militares americanos, afirmou que vai fazer o que for possível para ajudar.

O que se sabe sobre o terremoto devastador na Venezuela

Dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira (24) e provocaram pelo menos 20 réplicas nas horas seguintes, segundo o governo venezuelano. Os tremores foram sentidos em cidades do Norte do Brasil.

Prédios e casas desabaram em Caracas e em outras cidades do país.

Os dois abalos ocorreram pouco após as 19h no horário de Brasília e com menos de um minuto de diferença entre eles. O epicentro do terremoto principal foi localizado próximo à cidade de El Guayabo, a cerca de 160 quilômetros de Caracas. Veja no mapa abaixo.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, decretou estado de emergência após os terremotos. Em pronunciamento na televisão estatal, ela afirmou que equipes de resgate, segurança e assistência civil foram mobilizadas para atender as áreas afetadas.

Rodríguez também anunciou a suspensão de aulas e todos os serviços não essenciais para que as autoridades que se concentrem no resgate das pessoas que estão sob os escombros. Redes de gás e eletricidade foram desligadas para evitar uma tragédia maior.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

A Bíblia fala de uma guerra final no Oriente Médio?

Nesta entrevista, especialista explica o que realmente significam as expressões dos capítulos 38 e 39 do livro de Ezequiel.
Por Felipe Lemos | Mundo
Fumaça no Irã após ataques dos EUA e Israel. (Foto: Getty Images)

Os recentes conflitos no Oriente Médio costumam despertar, entre alguns cristãos, medo quanto a uma grande guerra. As tensões que envolvem os países da região aguçam o imaginário de quem enxerga, na Bíblia, a descrição de batalhas militares finais. É o caso de algumas interpretações sobre a batalha do Armagedom, no livro do Apocalipse. Alguns representantes de vertentes evangélicas veem, nos capítulos 38 e 39 do livro do profeta Ezequiel, conflitos entre Israel, Irã, Hamas, Hezbollah e até a Rússia. Para alguns, inclusive judeus, a identificação das nações de Gogue e Magogue pode estar em países atuais.

Resolvemos oferecer uma perspectiva diferente para a interpretação dos capítulos. Por isso, a Agência Adventista Sul-Americana de Notícias (ASN) entrevistou o teólogo adventista Luiz Gustavo Assis.

Ele é bacharel em Teologia pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), mestre em Arqueologia do Antigo Oriente Próximo e Línguas Semíticas pela Trinity International University, e doutor em Bíblia Hebraica pelo Boston College. Sua pesquisa doutoral envolve a aquisição e produção de conhecimento oracular (profético) na Bíblia Hebraica, especialmente no livro do profeta Ezequiel. No momento, Assis atua como pastor da Igreja Adventista de Anaheim, no estado da Califórnia, Estados Unidos.

De onde surgem ideias como a de uma batalha militar nos tempos atuais com referência na Bíblia?

Existem dois tipos de estudo de profecias bíblicas. Um é realizado com a Bíblia em uma mão e o jornal na outra. Nesse tipo de estudo, quase a mesma atenção é dada às Escrituras e ao jornal ou canal de notícias. O problema com esse tipo de estudo bíblico é que ele é muito especulativo. Ele deixa muitas perguntas sem resposta e quase exige um diploma em geopolítica, economia ou política externa para se entender a profecia.

É o caso dos capítulos 38 e 39 do livro de Ezequiel?

Sim. Há muita empolgação no mundo cristão, principalmente entre evangélicos, em relação a esses capítulos. O capítulo 38 começar com uma descrição de Gogue e de seu vasto exército: “a palavra do Senhor veio a mim, dizendo: Filho do homem, vire o seu rosto contra Gogue, da terra de Magogue, príncipe chefe, de Meseque e Tubal, e profetize contra ele dizendo: Assim diz o Senhor Deus: "Eis que estou contra você, Gogue, príncipe chefe de Meseque e Tubal. Eu o farei mudar de direção, porei anzóis em seu queixo e o levarei para longe, juntamente com todo o seu exército: cavalos e cavaleiros, todos vestidos de armamento completo, grande multidão, com escudos, todos empunhando a espada; persas e etíopes e Pute com eles, todos com escudo e capacete; Gômer e todas as suas tropas; a casa de Togarma, do lado do Norte, e todas as suas tropas, muitos povos com você” (38:1-6).

Se você observar o que alguns cristãos estão pregando sobre esse capítulo, frequentemente ouvirá a ideia de que ele descreve uma aliança entre Turquia, Pérsia (Irã) e Rússia. Alguns até conectam isso a líderes políticos modernos. Essas ideias foram influentes, inclusive na política externa dos Estados Unidos. Há registros do ex-presidente norte-americano Ronald Reagan, nos anos 1980, citando Ezequiel 38 para identificar a Rússia como inimiga do Ocidente durante a Guerra Fria. O que está acontecendo aqui? Este é um exemplo de impor interpretações do jornal sobre as Escrituras.

Outra interpretação

E qual seria uma outra maneira de ver o assunto?

Para entender isso, precisamos de um mapa. O texto menciona Gogue, um governante enigmático cuja identidade é debatida. Alguns o associam a Giges, rei da Lídia, no século 7 a.C. Meseque e Tubal são associados a regiões da antiga Turquia, Mushki e Tabal respectivamente, na época do segundo milênio antes de Cristo. A Pérsia é mencionada, juntamente com Cuxe e Pute, que correspondem a regiões da África. Seria o atual Sudão e Etiópia. No entanto, há a possibilidade de que Pérsia seja a palavra “Patros”, referindo-se ao Alto Egito. Isso significaria que todas essas regiões estariam geograficamente mais próximas.

O texto também menciona a casa de Togarma, conhecida em textos assírios do sétimo século antes de Cristo como Tilgarimmu associada à Armênia, e Gômer, identificada em textos clássicos e assírios como a região dos Cimérios ao norte da Turquia, próximas ao Mar Negro. É por isso que alguns intérpretes identificam Turquia e Irã na passagem. No entanto, esses nomes (Gogue, Meseque, Tubal, Togarma, Gomer) não tinham qualquer significado nos dias do profeta Ezequiel. Eram nomes antigos usados aqui de maneira genérica para descrever inimigos do povo de Judá.

Rússia e a profecia

Mas então surge a pergunta: de onde vem a Rússia?

A Rússia entra na interpretação por meio de um problema de tradução. A expressão hebraica traduzida como príncipe-chefe é nasi rosh, que significa líder principal. Quando foi traduzida para o grego, a palavra rosh não foi traduzida, mas transliterada. Mais tarde, alguns interpretaram isso como referência à Rússia por causa da semelhança sonora. Tanto é que várias versões em português se referem a Gogue como princípe de Ros. Isso levou à ideia de que Ezequiel 38 fala da Rússia, mas isso se baseia em uma má tradução.

O episódio mostra o perigo de importar a geopolítica moderna para o texto bíblico. Essa interpretação ganhou força durante a Guerra Fria e influenciou muitos sermões, livros e até filmes como Deixados para Trás. Mas, quando a União Soviética colapsou, essas interpretações se tornaram instáveis. Com esse tipo de abordagem, é possível fazer o texto dizer praticamente qualquer coisa. Por isso, não sou favorável a ler a Bíblia com o jornal. Devemos deixar o texto falar por si mesmo.

Interpretação adventista

E, então, o que realmente temos nessa passagem?

Os Adventistas do Sétimo Dia costumam entender que temos aqui um grupo de nações atacando o povo de Deus no fim dos tempos. A linguagem é simbólica. Assim como no livro de Apocalipse, essas imagens não devem ser interpretadas de forma estritamente literal. Gogue é retratado quase como um monstro marinho. No versículo 4, Deus diz que colocará anzóis em suas mandíbulas, como se faz com um peixe. Essa imagem é semelhante à de Ezequiel 29, onde o Egito é descrito da mesma forma.

O ponto principal é o quadro geral: sete nações representando um caos completo vindo de todas as direções contra o povo de Deus. A descrição é intencionalmente geral. Gogue não é claramente identificado, e não há um candidato histórico ou futuro definitivo. A imagem permanece aberta, porque representa qualquer força de caos contra o povo de Deus.

O problema ao estudar profecia é que muitas vezes nos concentramos em detalhes pequenos como nomes, símbolos e lugares e tentamos conectá-los aos acontecimentos atuais. Ao fazer isso, perdemos o quadro geral. É como olhar uma paisagem através de uma moldura pequena. Você vê algo bonito, mas perde todo o resto.

Contexto completo

Interessante essa ideia de olhar o quadro geral...

Sem dúvida. Estudar profecia é desafiador, mas precisamos manter o quadro geral em mente. Qual é esse quadro geral? Deus está no controle. No versículo 4, Deus diz: “Eu te farei voltar e porei anzóis em teus queixos.” É Deus quem dirige a ação. Gogue não age de forma independente. No versículo 21, Deus diz: “Chamarei contra Gogue a espada.” Deus está orquestrando o resultado. Deus é o vencedor desde o início.

No capítulo 39, Deus destrói as armas do inimigo: “Ferirei o teu arco… e farei cair as tuas flechas” (v. 3). Isso faz o leitor lembrar do Salmo 46, onde Deus quebra o arco e queima os carros de guerra. Ele destrói as armas, executa o juízo e garante a vitória. O versículo 6 diz: “Enviarei fogo sobre Magogue… e saberão que eu sou o Senhor.” Deus é o vencedor. Em Ezequiel 39:9, o povo de Deus queima as armas do inimigo, enfatizando que a guerra terminou.

Ainda assim, ao estudar profecia, muitas vezes nos concentramos no inimigo—quem ele é e o que está fazendo—e esquecemos a vitória de Deus. Muitos leem textos apocalípticos como Ezequiel 38-39, Daniel 11, Zacarias 9-14, e o próprio livro do Apocalipse como documentos de descrições das forças malignas. A realidade é que em todos eles a ênfase é no Deus que destrói essas forças malignas e caóticas, independente de quem elas sejam.

Deixe uma mensagem final para os leitores da Bíblia

Deixe o Espírito Santo, a própria Bíblia e o contexto em que ela foi escrita ajudarem na interpretação. Evite fazer um estudo com todos os conceitos já definidos. No caso do texto sobre o qual estamos falando, observe também o uso repetido da palavra “grande” nesses capítulos: um “grande” exército (38:15), um “grande” terremoto (38:19). Isso tudo conduz à declaração de Deus: “Mostrarei a minha grandeza e a minha santidade” (38:23) O propósito da batalha é revelar a grandeza de Deus, não a do inimigo. Esse é o enfoque das profecias, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.

Quando a humanidade vai mais longe e Deus vem mais perto

 Uma reflexão bíblica a partir da observação do recente feito da humanidade no projeto Artemis de viagem à Lua.

Por Josué Cardoso dos Santos | Brasil

Astronautas entraram para a história ao participarem deste tipo de expedição depois de 50 anos. (Foto: Reprodução/NASA)

No dia 6 de abril de 2026, a missão Artemis II, parte do programa Artemis da NASA (agência espacial norte-americana), marcou um feito histórico: quatro astronautas, em trajetória que contornou a Lua, atingiram a maior distância já alcançada por seres humanos a partir da Terra por meios próprios. Isso marcou também a primeira vez que olhos humanos puderam ver em pessoa a face oculta da Lua.

É um feito histórico e impressionante. Mas, diante da escala de tamanho de nosso sistema solar e do universo conhecido, essa viagem revela também o quanto ainda estamos “presos ao nosso próprio quintal cósmico”, mesmo após milênios de existência de civilização humana que culminaram nos atuais desenvolvimentos tecnológicos. Esse contraste na escala de grandezas nos convida a refletir.

Mensagem de esperança
Primeira imagem do chamado “lado oculto da Lua” registrada pela missão Artemis 2. (Foto: Reprodução/NASA)

exploração espacial carrega uma mensagem de esperança: a de que o futuro da humanidade pode ser melhorado na Terra ao ser expandido para além dela mesma. Os astronautas da missão Artemis II, ao irem tão distante e retornarem, trazem boas notícias e evidenciam sinais de que estamos retomando a era da exploração espacial.

Curiosamente, a mensagem central do cristianismo também é descrita como boas novas. Os quatro evangelhos relatam uma outra jornada — similar por um lado e contrastante por outro. Enquanto, de forma semelhante à exploração espacial, a busca por respostas e melhoria de vida pode apontar para além da Terra, a mensagem bíblica não apresenta o ser humano indo em direção ao cosmos, mas Deus vindo em direção à humanidade.

Se por um lado quatro astronautas viajam ao espaço e voltam para contar o que outros jamais viram, quatro evangelistas registram o que testemunhas viram e proclamaram sobre a vinda daquele que entrou na história para transformar o destino humano.

Essa diferença é fundamental.

A esperança última não está em uma viagem que fazemos para fora por nós mesmos, mas em uma intervenção que vem ao nosso encontro. Dessa forma, a Bíblia apresenta um Deus que não espera que a humanidade O alcance por seus próprios meios. Ele veio até nós.

Em um mundo marcado por grandes avanços, mas também por limitações — tecnológicas, físicas e espirituais — isso muda tudo. Podemos avançar, aprender, explorar. E devemos fazê-lo. Há valor no esforço humano, na ciência, na busca por conhecimento e desenvolvimento humano.
Limitações humanas x poder de Deus

Mas esses avanços também expõem um limite claro: por nós mesmos, ainda estamos confinados a uma pequena região do universo. A mensagem cristã aponta para algo maior.

De forma simbólica, assim como os astronautas da Artemis II viajam e retornam trazendo boas notícias, há cerca de dois mil anos Cristo veio, morreu, ressuscitou e, segundo as Escrituras, ascendeu aos céus (Atos 1:9–11). E fez isso com a promessa de que Ele voltará (João 14:1–3). Não para nos deixar à nossa própria capacidade de alcançar a salvação, mas para Ele mesmo restaurar todas as coisas (Apocalipse 21:1–4).

A esperança cristã, que é compartilhada e ensinada pelos Adventistas do Setimo Dia, então, não é apenas de expansão civilizacional para além deste planeta, mas a de sua restauração plena. Não apenas de alcançar novos mundos, porém de receber acesso pleno à criação, em uma realidade renovada, sem as limitações atuais (Apocalipse 21:5–7).

Diante disso, os avanços da exploração espacial podem ser vistos com admiração e também com humildade. Eles mostram até onde conseguimos ir. O evangelho revela até onde Deus já foi para nos alcançar.

Talvez o maior contraste não esteja na distância percorrida, mas na direção do movimento.

Muito antes de tentarmos ir aos céus, foi Ele quem veio até nós.

Josué Cardoso dos Santos é PhD em Física, astrônomo e professor de engenharia aeroespacial na Universidade do Colorado, EUA. Ele é membro do ministério Cientistas Adventistas.



O discurso de ódio e o papel dos cristãos na internet

Em um cenário de reações impulsivas, a educação midiática e os princípios bíblicos mostram caminhos para responder com sabedoria
Por Carlos Magalhães | América do Sul
Comentários e publicações nas redes sociais podem causar um impacto negativo na vida das pessoas e reforçar mensagens discriminatórias (Imagem gerada com IA)

Você já saiu de uma rede social mais irritado do que entrou? Já se pegou respondendo no impulso a um comentário provocativo ou compartilhando algo que depois se arrependeu? Se a resposta for sim, você não está sozinho.

Esse comportamento tem se tornado muito frequente e gerado consequências desastrosas, a ponto de governos e entidades se mobilizarem para conscientizar e tentar conter o avanço do preconceito, da hostilidade e da discriminação na Internet.


E, para os cristãos, também existe uma pergunta inevitável: nossas interações digitais refletem o caráter de Cristo?
Um problema que não para de crescer

O discurso de ódio é definido como qualquer comunicação que ataque ou desqualifique uma pessoa ou grupo por causa de sua religião, etnia, gênero, nacionalidade ou outra característica.

Os dados de 2025 indicam um aumento expressivo no volume de denúncias de crimes de ódio em todo mundo. Este discurso afeta especialmente as mulheres, as quais estima-se que 38% já sofreram violência online. Ainda assim, menos de 40% dos países dispõem de leis que as protejam contra assédio ou perseguição digital, deixando cerca de 1,8 bilhões de mulheres e meninas sem qualquer proteção legal diante desses ataques.

Por trás de cada estatística há pessoas reais: alguém que foi humilhado por sua aparência, atacado por sua fé ou silenciado pelo medo. O discurso de ódio não é apenas um problema digital. É uma ferida humana e espiritual presente em várias esferas da vida.
Aprender a ler antes de reagir

Boa parte dos conflitos online não nasce da maldade, mas da pressa. Reagimos a manchetes sem ler o texto, interpretamos mal uma frase fora de contexto e respondemos no calor da emoção.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Columbia e do instituto francês Inria revelou um dado impressionante: cerca de 59% dos links compartilhados nas redes sociais nunca foram abertos por quem os compartilhou. Em outras palavras, a maioria das pessoas espalha conteúdo que não leu.

É aqui que entra a educação midiática. A UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) a define como a capacidade de pensar criticamente sobre o que recebemos e produzimos na mídia. O lema de um de seus principais materiais resume bem: pense criticamente, clique com sabedoria.

Na prática, isso significa criar o hábito de fazer algumas perguntas antes de reagir ou compartilhar: quem escreveu isso? Com que intenção? Isso é fato ou opinião? Estou entendendo o contexto completo? Esse pequeno filtro evita mal-entendidos, reações impulsivas e muitos conflitos desnecessários.
Quando a raiva vira isca

Existe ainda um agravante: parte do conteúdo que circula na internet é feito de propósito para irritar. É o chamado rage bait (isca de raiva), eleito a palavra do ano de 2025 pelo dicionário Oxford. São publicações desenhadas para provocar indignação, porque a raiva gera cliques, comentários, alcance e receita financeira para alguns.

Cada resposta furiosa alimenta exatamente o que o autor da provocação queria: engajamento. Reconhecer essa armadilha já é metade do caminho para não cair nela. Muitas vezes, a atitude mais sábia, e mais cristã, é simplesmente não responder.
Cinco atitudes para um consumo digital mais conscientePause antes de reagir. Se um conteúdo despertou raiva imediata, espere. A emoção é um péssimo conselheiro de publicações.
Leia antes de compartilhar. A manchete não é o texto. Abra, leia até o fim e só então decida se vale a pena repassar.
Verifique a fonte. Prefira veículos e instituições confiáveis. Desconfie de conteúdo sem autor, sem data e sem referências.
Não alimente a provocação. Discussões com quem só quer brigar não convencem ninguém. Silêncio também é resposta.
Lembre-se de quem está do outro lado. Atrás de cada perfil há uma pessoa criada à imagem de Deus, com história, dores e dignidade.
Conclusão

Muito antes das redes sociais, a Bíblia já oferecia o melhor manual de convivência digital. Tiago escreveu: “Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se” (Tiago 1:19, NVI). É quase uma descrição do antídoto contra a cultura da reação instantânea.

Os Provérbios completam: “A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira” (Provérbios 15:1). E Paulo orienta: “Nenhuma palavra torpe saia da boca de vocês, mas apenas a que for útil para edificar os outros, conforme a necessidade, para que conceda graça aos que a ouvem” (Efésios 4:29).

Jesus chamou Seus seguidores de sal da terra e luz do mundo (Mateus 5:13-14). Isso vale também para o mundo digital. Cada comentário, cada compartilhamento e cada curtida é uma oportunidade de temperar as conversas com amor e graça.

Antes de postar, pergunte: isso é verdadeiro? É necessário? Edifica alguém? Honra a Deus?

Você espera a volta de Cristo com a mesma paixão com que muitos esperam a Copa do Mundo?

Enquanto milhões se entusiasmam com a Copa do Mundo, a Bíblia aponta para um final cheio de esperança que transcende qualquer troféu
Enquanto o mundo espera a final da Copa do Mundo, milhões de cristãos esperam o reencontro com Cristo. (Imagem gerada com IA)
A cada quatro anos, o mundo parece parar por um momento. Em 2026, a Copa do Mundo volta a atrair a atenção de milhões de pessoas. Neste ano, a competição será a maior da história, com 48 seleções e 104 jogos disputados nos Estados Unidos, México e Canadá.

As conversas giram em torno dos resultados, dos favoritos, das surpresas e dos destaques do torneio. Nos escritórios, nas escolas, no transporte público e nas redes sociais, a Copa do Mundo se tornou o assunto do momento. Mesmo para aqueles cuja seleção não chegou ao torneio ou não são fãs de futebol, a febre da Copa do Mundo os alcança de alguma maneira.



O futebol desperta emoção, entusiasmo e devoção, mas será que essa paixão é errada? Não sentir essa mesma paixão para se aproximar de Deus é que é. E já que há lições a serem aprendidas em tudo na vida, que ensinamentos podem ser tirados da Copa do Mundo?

Por trás de cada partida, há anos de preparação. Nenhum jogador chega a uma Copa do Mundo por acaso. Pense nos jogadores mais mencionados das últimas Copas, Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, quando começaram? Começaram a treinar desde a infância, dedicando milhares de horas para aprimorar suas habilidades. E, claro, o talento é importante, mas não suficiente. A disciplina, o comprometimento e a paixão, entre outras qualidades, também são necessárias.

A Bíblia utiliza uma comparação semelhante ao falar da vida espiritual. O apóstolo Paulo escreveu: “Vocês não sabem que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Corram de tal maneira que ganhem o prêmio” (1 Coríntios 9:24).

Paulo não estava promovendo uma competição entre crentes, mas destacando a importância de viver com propósito e compromisso. Assim como um esportista se prepara para alcançar um alvo, o cristão é chamado a cultivar diariamente seu relacionamento com Deus.

Agora pense por um momento. Muitas pessoas se levantam de madrugada para assistir sua seleção jogar. Outras reorganizam sua agenda para não perder um jogo importante, mesmo que não seja da sua seleção. A paixão pelo que amam as leva naturalmente a investir tempo, esforço e atenção.

Você imagina o que aconteceria se essa mesma determinação e paixão fossem aplicadas à vida espiritual? O próprio Jesus ensinou: “Mas busquem em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas lhes serão acrescentadas” (Mateus 6:33). Por isso, treine a disciplina para buscar junto de si todos os dias, o comprometimento de estudar a Bíblia com profundidade e a paixão de compartilhar a mensagem de salvação com outros.

Porque o cristão não apenas se prepara para o encontro com Cristo; ele também compartilha esperança com aqueles ao seu redor. Antes de subir ao céu, Jesus deixou uma missão clara: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações” (Mateus 28:19). Com esse objetivo em mente, comece a investir tempo no desenvolvimento dos seus talentos para colocá-los a serviço da missão.

Assim como milhões de fãs esperam com entusiasmo o início de cada Copa do Mundo, os cristãos esperam o acontecimento mais importante da história: a volta de Jesus. “Por isso, estejam também vocês preparados, porque o Filho do Homem virá à hora em que vocês menos esperam” (Mateus 24:44).

E esse preparo não começa quando Jesus voltar; começa hoje. A Bíblia afirma: “E a vida eterna é esta: que conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17:3). Conhecer a Deus, caminhar com Ele e permitir que transforme nosso caráter faz parte da preparação para o encontro final.

A diferença entre uma Copa do Mundo e a vida cristã é que a primeira dura apenas algumas semanas. Mesmo a equipe campeã um dia deixará de ser campeã. Haverá um novo torneio, novos jogadores e um novo vencedor.

Em contrapartida, a promessa junto de Deus transcende o tempo. “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 6:23). E esse é o grande objetivo do cristão: a vida eterna com Cristo.

Portanto, quanto você deveria se esforçar em sua preparação para esse encontro final com consequências eternas? Nenhum troféu se compara à promessa que Deus preparou para aqueles que permanecerem fiéis até o fim.

Por Karol Lazo é jornalista e trabalha na Assessoria de Comunicação da sede sul-americana adventista.

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