terça-feira, 30 de junho de 2026

Brasil x Noruega: veja quando será o próximo jogo da seleção na Copa

A seleção norueguesa venceu nesta terça-feira a equipe da Costa do Marfim pela Copa do Mundo de 2026 e vai pegar a Seleção Brasileira pelas oitavas de final.

Por Redação g1
Copa do Mundo: Brasil pode ter mais dois jogos em dias úteis

A Noruega venceu a Costa do Marfim por 2 a 1 nesta terça-feira (30) e vai enfrentar a Seleção Brasileira de Carlo Ancelotti nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. (Confira mais informações abaixo)


A partida está prevista para 5 de julho (domingo), às 17h (de Brasília), em Nova Jersey/Nova York. Globo, Sportv, GETV, SBT, Nsports e CazéTV transmitem ao vivo. Você também assiste aos jogos na página de tempo real no ge.globo, além de ver cortes exclusivos.

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Confira a seguir quando e onde o Brasil deve jogar, caso avance na competição:

Quartas de final: se chegar entre os oito melhores, o Brasil voltará a campo em 11 de julho (sábado), às 18h (de Brasília), em Miami.

Semifinal: em caso de classificação, a seleção disputará a semifinal em 15 de julho (quarta-feira), às 16h (de Brasília), em Atlanta.

Terceiro lugar: caso o Brasil perca a semifinal, disputará a terceira colocação em 18 de julho (sábado), às 16h (de Brasília), em Miami.

Final: se avançar até a decisão, o Brasil jogará a final da Copa do Mundo em 19 de julho (domingo), às 16h (de Brasília), em Nova York/Nova Jersey.


Veja os possíveis adversários de cada fase no vídeo acima.

Onde assistir à Copa do mundo?

Tempo Real: o ge acompanha todos os lances da partida (clique aqui).
Transmissão: Globo, GETV, sportv, NSports, SBT e Cazé TV.


Terremoto na Venezuela: número de mortos sobe para 1.943

Segundo uma estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 50 mil pessoas ainda estão desaparecidas.
 Por Redação g1
Criança é resgatada com vida de escombros seis dias após terremotos na Venezuela

O número de mortos na Venezuela causados pelo terremoto duplo subiu nesta terça-feira (30) para 1.943, segundo o governo venezuelano. A quantidade de feridos quase dobrou em relação ao último balanço e agora está em 10.571.

egundo as autoridades, 6.461 pessoas foram resgatadas dos escombros com vida. O balanço foi divulgado pouco antes das 15h por Jorge Rodríguez, chefe do Parlamento do país e irmão da presidente, Delcy Rodríguez.

Uma estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que cerca de 50 mil pessoas ainda estão desaparecidas. Segundo o governo venezuelano, 12 pessoas foram encontradas sob os escombros.

Os danos causados ​​pelos terremotos a residências, veículos e empresas têm uma estimativa preliminar de US$ 6,7 bilhões (R$ 34,68 bilhões), de acordo com uma avaliação por satélite feita pela na análise digital do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

6º dia de buscas

Seis dias após os terremotos que devastaram a Venezuela, as equipes de resgate seguem mobilizadas em busca de sobreviventes sob os escombros.

Com o passar das horas, cresce a preocupação entre as autoridades. Quanto mais o tempo passa, menores as chances de encontrar pessoas com vida entre os escombros. Especialistas em resposta a desastres afirmam que as primeiras 48 a 72 horas são decisivas para localizar sobreviventes. Depois desse período, as operações costumam se concentrar na retirada de cadáveres.

➡️ Na noite da última quarta-feira (24), dois terremotos em sequência atingiram a região norte do país, onde fica Caracas. Além das mortes, os tremores derrubaram prédios e deixaram um rastro de destruição na capital venezuelana e arredores. Os sismos foram os mais fortes no país em mais de 100 anos.
Voluntários buscam sobreviventes em meio a escombros de prédios destruídos por terremotos em Caraballeda, no estado de La Guaira, na Venezuela, em 28 de junho de 2026. — Foto: Miguel Medina/Pool/AFP

A dimensão do desastre vai além das áreas onde houve desabamentos. A Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência vinculada à ONU, calcula que mais de 6 milhões de pessoas possam ter sido afetadas pelos terremotos.

Enquanto escavam os escombros, socorristas enfrentam temperaturas elevadas e a necessidade de remover destroços manualmente. Relatos feitos por pessoas que acompanham o trabalho das equipes descrevem que o cheiro provocado pela decomposição dos corpos se torna mais intenso a cada dia.

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La Guaira concentra a maior parte da destruição. O desastre também atingiu Caracas e Maiquetía, cidade que abriga o Aeroporto Internacional Simón Bolívar, principal terminal aéreo do país, ainda fechado. Em contrapartida, outros aeroportos internacionais, como o de Valencia, já retomaram as operações.

Foi apenas no domingo que missões internacionais de resgate começaram a chegar em grande número a La Guaira. Antes disso, moradores relataram frustração com a resposta das autoridades e afirmaram que boa parte dos primeiros socorros foi organizada por voluntários e pela própria população.

Novos tremores

Na última segunda (29), a Venezuela registrou mais um tremor de terra. Segundo informações do Serviço Geológico dos Estados Unidos, a magnitude foi de 4,6 e o epicentro foi em Caraballeda, no litoral norte do país, a cerca de 30 km da capital, Caracas, às 7h do horário local — 8h em Brasília.

Na sexta-feira (26), já havia acontecido um terceiro terremoto, com magnitude parecida com a desta segunda-feira, bem menor do que a dos dois primeiros. Na manhã de domingo (28), também foram registrados abalos de magnitude 4,2 e 4,5.
Terremoto na Venezuela: imagem aérea mostra edifícios em Caraballeda, no estado de La Guaira, na Venezuela, em 29 de julho de 2026. — Foto: Miguel Medina/AP

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Venezuela busca vítimas soterradas de terremoto que já matou 164; VÍDEO mostra comemoração com resgates

Mais de 500 equipes de emergência estão trabalhando para tirar sobreviventes dos escombros. Dezenas de chefes de estado e de governo se solidarizaram e se colocaram à disposição para enviar ajuda humanitária e mais especialistas em resgate para acelerar as bruscas.

A busca por vítimas dos terremotos que devastaram a Venezuela na noite desta quarta-feira (24) - e deixaram 164 mortos e 971 feridos até o momento - continua nesta quinta-feira (25) e, segundo informações, mais de 500 equipes de emergência estão trabalhando para tirar sobreviventes dos escombros.

Imagens da imprensa e das redes sociais mostram a comemoração dos venezuelanos a cada sobrevivente encontrado com vida após os tremores (veja no vídeo acima), considerados os piores a atingirem o país em 100 anos.

Até a manhã desta quinta, 164 mortes haviam sido confirmadas, mas o serviço geológico dos Estados Unidos estima que o número de mortos possa ficar entre 10 mil e 100 mil.

O Itamaraty disse na noite de quarta que até o momento não havia notícias de brasileiros entre as vítimas.
Equipes de resgate trabalham em local de desabamento para buscar sobreviventes — Foto: REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria

Dezenas de chefes de estado e de governo se solidarizaram e se colocaram à disposição para enviar tanto ajuda humanitária, como produtos médicos, quanto equipes de resgates. Além do Brasil, a lista inclui vários países que já sofreram terremotos devastadores, como os Estados Unidos, a Turquia, o México e Portugal.

Segundo a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, que agradeceu à comunidade internacional pelo apoio recebido, os primeiros socorristas estrangeiros devem chegar nas próximas horas.

O governo venezuelano cancelou aulas e suspendeu serviços não essenciais.

O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou solidariedade e disse ter mandado todas as agências do governo americano ajudarem.

A China, que era a principal compradora do petróleo venezuelano antes da captura e prisão de Nicolás Maduro por militares americanos, afirmou que vai fazer o que for possível para ajudar.

O que se sabe sobre o terremoto devastador na Venezuela

Dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira (24) e provocaram pelo menos 20 réplicas nas horas seguintes, segundo o governo venezuelano. Os tremores foram sentidos em cidades do Norte do Brasil.

Prédios e casas desabaram em Caracas e em outras cidades do país.

Os dois abalos ocorreram pouco após as 19h no horário de Brasília e com menos de um minuto de diferença entre eles. O epicentro do terremoto principal foi localizado próximo à cidade de El Guayabo, a cerca de 160 quilômetros de Caracas. Veja no mapa abaixo.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, decretou estado de emergência após os terremotos. Em pronunciamento na televisão estatal, ela afirmou que equipes de resgate, segurança e assistência civil foram mobilizadas para atender as áreas afetadas.

Rodríguez também anunciou a suspensão de aulas e todos os serviços não essenciais para que as autoridades que se concentrem no resgate das pessoas que estão sob os escombros. Redes de gás e eletricidade foram desligadas para evitar uma tragédia maior.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

A Bíblia fala de uma guerra final no Oriente Médio?

Nesta entrevista, especialista explica o que realmente significam as expressões dos capítulos 38 e 39 do livro de Ezequiel.
Por Felipe Lemos | Mundo
Fumaça no Irã após ataques dos EUA e Israel. (Foto: Getty Images)

Os recentes conflitos no Oriente Médio costumam despertar, entre alguns cristãos, medo quanto a uma grande guerra. As tensões que envolvem os países da região aguçam o imaginário de quem enxerga, na Bíblia, a descrição de batalhas militares finais. É o caso de algumas interpretações sobre a batalha do Armagedom, no livro do Apocalipse. Alguns representantes de vertentes evangélicas veem, nos capítulos 38 e 39 do livro do profeta Ezequiel, conflitos entre Israel, Irã, Hamas, Hezbollah e até a Rússia. Para alguns, inclusive judeus, a identificação das nações de Gogue e Magogue pode estar em países atuais.

Resolvemos oferecer uma perspectiva diferente para a interpretação dos capítulos. Por isso, a Agência Adventista Sul-Americana de Notícias (ASN) entrevistou o teólogo adventista Luiz Gustavo Assis.

Ele é bacharel em Teologia pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), mestre em Arqueologia do Antigo Oriente Próximo e Línguas Semíticas pela Trinity International University, e doutor em Bíblia Hebraica pelo Boston College. Sua pesquisa doutoral envolve a aquisição e produção de conhecimento oracular (profético) na Bíblia Hebraica, especialmente no livro do profeta Ezequiel. No momento, Assis atua como pastor da Igreja Adventista de Anaheim, no estado da Califórnia, Estados Unidos.

De onde surgem ideias como a de uma batalha militar nos tempos atuais com referência na Bíblia?

Existem dois tipos de estudo de profecias bíblicas. Um é realizado com a Bíblia em uma mão e o jornal na outra. Nesse tipo de estudo, quase a mesma atenção é dada às Escrituras e ao jornal ou canal de notícias. O problema com esse tipo de estudo bíblico é que ele é muito especulativo. Ele deixa muitas perguntas sem resposta e quase exige um diploma em geopolítica, economia ou política externa para se entender a profecia.

É o caso dos capítulos 38 e 39 do livro de Ezequiel?

Sim. Há muita empolgação no mundo cristão, principalmente entre evangélicos, em relação a esses capítulos. O capítulo 38 começar com uma descrição de Gogue e de seu vasto exército: “a palavra do Senhor veio a mim, dizendo: Filho do homem, vire o seu rosto contra Gogue, da terra de Magogue, príncipe chefe, de Meseque e Tubal, e profetize contra ele dizendo: Assim diz o Senhor Deus: "Eis que estou contra você, Gogue, príncipe chefe de Meseque e Tubal. Eu o farei mudar de direção, porei anzóis em seu queixo e o levarei para longe, juntamente com todo o seu exército: cavalos e cavaleiros, todos vestidos de armamento completo, grande multidão, com escudos, todos empunhando a espada; persas e etíopes e Pute com eles, todos com escudo e capacete; Gômer e todas as suas tropas; a casa de Togarma, do lado do Norte, e todas as suas tropas, muitos povos com você” (38:1-6).

Se você observar o que alguns cristãos estão pregando sobre esse capítulo, frequentemente ouvirá a ideia de que ele descreve uma aliança entre Turquia, Pérsia (Irã) e Rússia. Alguns até conectam isso a líderes políticos modernos. Essas ideias foram influentes, inclusive na política externa dos Estados Unidos. Há registros do ex-presidente norte-americano Ronald Reagan, nos anos 1980, citando Ezequiel 38 para identificar a Rússia como inimiga do Ocidente durante a Guerra Fria. O que está acontecendo aqui? Este é um exemplo de impor interpretações do jornal sobre as Escrituras.

Outra interpretação

E qual seria uma outra maneira de ver o assunto?

Para entender isso, precisamos de um mapa. O texto menciona Gogue, um governante enigmático cuja identidade é debatida. Alguns o associam a Giges, rei da Lídia, no século 7 a.C. Meseque e Tubal são associados a regiões da antiga Turquia, Mushki e Tabal respectivamente, na época do segundo milênio antes de Cristo. A Pérsia é mencionada, juntamente com Cuxe e Pute, que correspondem a regiões da África. Seria o atual Sudão e Etiópia. No entanto, há a possibilidade de que Pérsia seja a palavra “Patros”, referindo-se ao Alto Egito. Isso significaria que todas essas regiões estariam geograficamente mais próximas.

O texto também menciona a casa de Togarma, conhecida em textos assírios do sétimo século antes de Cristo como Tilgarimmu associada à Armênia, e Gômer, identificada em textos clássicos e assírios como a região dos Cimérios ao norte da Turquia, próximas ao Mar Negro. É por isso que alguns intérpretes identificam Turquia e Irã na passagem. No entanto, esses nomes (Gogue, Meseque, Tubal, Togarma, Gomer) não tinham qualquer significado nos dias do profeta Ezequiel. Eram nomes antigos usados aqui de maneira genérica para descrever inimigos do povo de Judá.

Rússia e a profecia

Mas então surge a pergunta: de onde vem a Rússia?

A Rússia entra na interpretação por meio de um problema de tradução. A expressão hebraica traduzida como príncipe-chefe é nasi rosh, que significa líder principal. Quando foi traduzida para o grego, a palavra rosh não foi traduzida, mas transliterada. Mais tarde, alguns interpretaram isso como referência à Rússia por causa da semelhança sonora. Tanto é que várias versões em português se referem a Gogue como princípe de Ros. Isso levou à ideia de que Ezequiel 38 fala da Rússia, mas isso se baseia em uma má tradução.

O episódio mostra o perigo de importar a geopolítica moderna para o texto bíblico. Essa interpretação ganhou força durante a Guerra Fria e influenciou muitos sermões, livros e até filmes como Deixados para Trás. Mas, quando a União Soviética colapsou, essas interpretações se tornaram instáveis. Com esse tipo de abordagem, é possível fazer o texto dizer praticamente qualquer coisa. Por isso, não sou favorável a ler a Bíblia com o jornal. Devemos deixar o texto falar por si mesmo.

Interpretação adventista

E, então, o que realmente temos nessa passagem?

Os Adventistas do Sétimo Dia costumam entender que temos aqui um grupo de nações atacando o povo de Deus no fim dos tempos. A linguagem é simbólica. Assim como no livro de Apocalipse, essas imagens não devem ser interpretadas de forma estritamente literal. Gogue é retratado quase como um monstro marinho. No versículo 4, Deus diz que colocará anzóis em suas mandíbulas, como se faz com um peixe. Essa imagem é semelhante à de Ezequiel 29, onde o Egito é descrito da mesma forma.

O ponto principal é o quadro geral: sete nações representando um caos completo vindo de todas as direções contra o povo de Deus. A descrição é intencionalmente geral. Gogue não é claramente identificado, e não há um candidato histórico ou futuro definitivo. A imagem permanece aberta, porque representa qualquer força de caos contra o povo de Deus.

O problema ao estudar profecia é que muitas vezes nos concentramos em detalhes pequenos como nomes, símbolos e lugares e tentamos conectá-los aos acontecimentos atuais. Ao fazer isso, perdemos o quadro geral. É como olhar uma paisagem através de uma moldura pequena. Você vê algo bonito, mas perde todo o resto.

Contexto completo

Interessante essa ideia de olhar o quadro geral...

Sem dúvida. Estudar profecia é desafiador, mas precisamos manter o quadro geral em mente. Qual é esse quadro geral? Deus está no controle. No versículo 4, Deus diz: “Eu te farei voltar e porei anzóis em teus queixos.” É Deus quem dirige a ação. Gogue não age de forma independente. No versículo 21, Deus diz: “Chamarei contra Gogue a espada.” Deus está orquestrando o resultado. Deus é o vencedor desde o início.

No capítulo 39, Deus destrói as armas do inimigo: “Ferirei o teu arco… e farei cair as tuas flechas” (v. 3). Isso faz o leitor lembrar do Salmo 46, onde Deus quebra o arco e queima os carros de guerra. Ele destrói as armas, executa o juízo e garante a vitória. O versículo 6 diz: “Enviarei fogo sobre Magogue… e saberão que eu sou o Senhor.” Deus é o vencedor. Em Ezequiel 39:9, o povo de Deus queima as armas do inimigo, enfatizando que a guerra terminou.

Ainda assim, ao estudar profecia, muitas vezes nos concentramos no inimigo—quem ele é e o que está fazendo—e esquecemos a vitória de Deus. Muitos leem textos apocalípticos como Ezequiel 38-39, Daniel 11, Zacarias 9-14, e o próprio livro do Apocalipse como documentos de descrições das forças malignas. A realidade é que em todos eles a ênfase é no Deus que destrói essas forças malignas e caóticas, independente de quem elas sejam.

Deixe uma mensagem final para os leitores da Bíblia

Deixe o Espírito Santo, a própria Bíblia e o contexto em que ela foi escrita ajudarem na interpretação. Evite fazer um estudo com todos os conceitos já definidos. No caso do texto sobre o qual estamos falando, observe também o uso repetido da palavra “grande” nesses capítulos: um “grande” exército (38:15), um “grande” terremoto (38:19). Isso tudo conduz à declaração de Deus: “Mostrarei a minha grandeza e a minha santidade” (38:23) O propósito da batalha é revelar a grandeza de Deus, não a do inimigo. Esse é o enfoque das profecias, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.

Quando a humanidade vai mais longe e Deus vem mais perto

 Uma reflexão bíblica a partir da observação do recente feito da humanidade no projeto Artemis de viagem à Lua.

Por Josué Cardoso dos Santos | Brasil

Astronautas entraram para a história ao participarem deste tipo de expedição depois de 50 anos. (Foto: Reprodução/NASA)

No dia 6 de abril de 2026, a missão Artemis II, parte do programa Artemis da NASA (agência espacial norte-americana), marcou um feito histórico: quatro astronautas, em trajetória que contornou a Lua, atingiram a maior distância já alcançada por seres humanos a partir da Terra por meios próprios. Isso marcou também a primeira vez que olhos humanos puderam ver em pessoa a face oculta da Lua.

É um feito histórico e impressionante. Mas, diante da escala de tamanho de nosso sistema solar e do universo conhecido, essa viagem revela também o quanto ainda estamos “presos ao nosso próprio quintal cósmico”, mesmo após milênios de existência de civilização humana que culminaram nos atuais desenvolvimentos tecnológicos. Esse contraste na escala de grandezas nos convida a refletir.

Mensagem de esperança
Primeira imagem do chamado “lado oculto da Lua” registrada pela missão Artemis 2. (Foto: Reprodução/NASA)

exploração espacial carrega uma mensagem de esperança: a de que o futuro da humanidade pode ser melhorado na Terra ao ser expandido para além dela mesma. Os astronautas da missão Artemis II, ao irem tão distante e retornarem, trazem boas notícias e evidenciam sinais de que estamos retomando a era da exploração espacial.

Curiosamente, a mensagem central do cristianismo também é descrita como boas novas. Os quatro evangelhos relatam uma outra jornada — similar por um lado e contrastante por outro. Enquanto, de forma semelhante à exploração espacial, a busca por respostas e melhoria de vida pode apontar para além da Terra, a mensagem bíblica não apresenta o ser humano indo em direção ao cosmos, mas Deus vindo em direção à humanidade.

Se por um lado quatro astronautas viajam ao espaço e voltam para contar o que outros jamais viram, quatro evangelistas registram o que testemunhas viram e proclamaram sobre a vinda daquele que entrou na história para transformar o destino humano.

Essa diferença é fundamental.

A esperança última não está em uma viagem que fazemos para fora por nós mesmos, mas em uma intervenção que vem ao nosso encontro. Dessa forma, a Bíblia apresenta um Deus que não espera que a humanidade O alcance por seus próprios meios. Ele veio até nós.

Em um mundo marcado por grandes avanços, mas também por limitações — tecnológicas, físicas e espirituais — isso muda tudo. Podemos avançar, aprender, explorar. E devemos fazê-lo. Há valor no esforço humano, na ciência, na busca por conhecimento e desenvolvimento humano.
Limitações humanas x poder de Deus

Mas esses avanços também expõem um limite claro: por nós mesmos, ainda estamos confinados a uma pequena região do universo. A mensagem cristã aponta para algo maior.

De forma simbólica, assim como os astronautas da Artemis II viajam e retornam trazendo boas notícias, há cerca de dois mil anos Cristo veio, morreu, ressuscitou e, segundo as Escrituras, ascendeu aos céus (Atos 1:9–11). E fez isso com a promessa de que Ele voltará (João 14:1–3). Não para nos deixar à nossa própria capacidade de alcançar a salvação, mas para Ele mesmo restaurar todas as coisas (Apocalipse 21:1–4).

A esperança cristã, que é compartilhada e ensinada pelos Adventistas do Setimo Dia, então, não é apenas de expansão civilizacional para além deste planeta, mas a de sua restauração plena. Não apenas de alcançar novos mundos, porém de receber acesso pleno à criação, em uma realidade renovada, sem as limitações atuais (Apocalipse 21:5–7).

Diante disso, os avanços da exploração espacial podem ser vistos com admiração e também com humildade. Eles mostram até onde conseguimos ir. O evangelho revela até onde Deus já foi para nos alcançar.

Talvez o maior contraste não esteja na distância percorrida, mas na direção do movimento.

Muito antes de tentarmos ir aos céus, foi Ele quem veio até nós.

Josué Cardoso dos Santos é PhD em Física, astrônomo e professor de engenharia aeroespacial na Universidade do Colorado, EUA. Ele é membro do ministério Cientistas Adventistas.



O discurso de ódio e o papel dos cristãos na internet

Em um cenário de reações impulsivas, a educação midiática e os princípios bíblicos mostram caminhos para responder com sabedoria
Por Carlos Magalhães | América do Sul
Comentários e publicações nas redes sociais podem causar um impacto negativo na vida das pessoas e reforçar mensagens discriminatórias (Imagem gerada com IA)

Você já saiu de uma rede social mais irritado do que entrou? Já se pegou respondendo no impulso a um comentário provocativo ou compartilhando algo que depois se arrependeu? Se a resposta for sim, você não está sozinho.

Esse comportamento tem se tornado muito frequente e gerado consequências desastrosas, a ponto de governos e entidades se mobilizarem para conscientizar e tentar conter o avanço do preconceito, da hostilidade e da discriminação na Internet.


E, para os cristãos, também existe uma pergunta inevitável: nossas interações digitais refletem o caráter de Cristo?
Um problema que não para de crescer

O discurso de ódio é definido como qualquer comunicação que ataque ou desqualifique uma pessoa ou grupo por causa de sua religião, etnia, gênero, nacionalidade ou outra característica.

Os dados de 2025 indicam um aumento expressivo no volume de denúncias de crimes de ódio em todo mundo. Este discurso afeta especialmente as mulheres, as quais estima-se que 38% já sofreram violência online. Ainda assim, menos de 40% dos países dispõem de leis que as protejam contra assédio ou perseguição digital, deixando cerca de 1,8 bilhões de mulheres e meninas sem qualquer proteção legal diante desses ataques.

Por trás de cada estatística há pessoas reais: alguém que foi humilhado por sua aparência, atacado por sua fé ou silenciado pelo medo. O discurso de ódio não é apenas um problema digital. É uma ferida humana e espiritual presente em várias esferas da vida.
Aprender a ler antes de reagir

Boa parte dos conflitos online não nasce da maldade, mas da pressa. Reagimos a manchetes sem ler o texto, interpretamos mal uma frase fora de contexto e respondemos no calor da emoção.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Columbia e do instituto francês Inria revelou um dado impressionante: cerca de 59% dos links compartilhados nas redes sociais nunca foram abertos por quem os compartilhou. Em outras palavras, a maioria das pessoas espalha conteúdo que não leu.

É aqui que entra a educação midiática. A UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) a define como a capacidade de pensar criticamente sobre o que recebemos e produzimos na mídia. O lema de um de seus principais materiais resume bem: pense criticamente, clique com sabedoria.

Na prática, isso significa criar o hábito de fazer algumas perguntas antes de reagir ou compartilhar: quem escreveu isso? Com que intenção? Isso é fato ou opinião? Estou entendendo o contexto completo? Esse pequeno filtro evita mal-entendidos, reações impulsivas e muitos conflitos desnecessários.
Quando a raiva vira isca

Existe ainda um agravante: parte do conteúdo que circula na internet é feito de propósito para irritar. É o chamado rage bait (isca de raiva), eleito a palavra do ano de 2025 pelo dicionário Oxford. São publicações desenhadas para provocar indignação, porque a raiva gera cliques, comentários, alcance e receita financeira para alguns.

Cada resposta furiosa alimenta exatamente o que o autor da provocação queria: engajamento. Reconhecer essa armadilha já é metade do caminho para não cair nela. Muitas vezes, a atitude mais sábia, e mais cristã, é simplesmente não responder.
Cinco atitudes para um consumo digital mais conscientePause antes de reagir. Se um conteúdo despertou raiva imediata, espere. A emoção é um péssimo conselheiro de publicações.
Leia antes de compartilhar. A manchete não é o texto. Abra, leia até o fim e só então decida se vale a pena repassar.
Verifique a fonte. Prefira veículos e instituições confiáveis. Desconfie de conteúdo sem autor, sem data e sem referências.
Não alimente a provocação. Discussões com quem só quer brigar não convencem ninguém. Silêncio também é resposta.
Lembre-se de quem está do outro lado. Atrás de cada perfil há uma pessoa criada à imagem de Deus, com história, dores e dignidade.
Conclusão

Muito antes das redes sociais, a Bíblia já oferecia o melhor manual de convivência digital. Tiago escreveu: “Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se” (Tiago 1:19, NVI). É quase uma descrição do antídoto contra a cultura da reação instantânea.

Os Provérbios completam: “A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira” (Provérbios 15:1). E Paulo orienta: “Nenhuma palavra torpe saia da boca de vocês, mas apenas a que for útil para edificar os outros, conforme a necessidade, para que conceda graça aos que a ouvem” (Efésios 4:29).

Jesus chamou Seus seguidores de sal da terra e luz do mundo (Mateus 5:13-14). Isso vale também para o mundo digital. Cada comentário, cada compartilhamento e cada curtida é uma oportunidade de temperar as conversas com amor e graça.

Antes de postar, pergunte: isso é verdadeiro? É necessário? Edifica alguém? Honra a Deus?

Você espera a volta de Cristo com a mesma paixão com que muitos esperam a Copa do Mundo?

Enquanto milhões se entusiasmam com a Copa do Mundo, a Bíblia aponta para um final cheio de esperança que transcende qualquer troféu
Enquanto o mundo espera a final da Copa do Mundo, milhões de cristãos esperam o reencontro com Cristo. (Imagem gerada com IA)
A cada quatro anos, o mundo parece parar por um momento. Em 2026, a Copa do Mundo volta a atrair a atenção de milhões de pessoas. Neste ano, a competição será a maior da história, com 48 seleções e 104 jogos disputados nos Estados Unidos, México e Canadá.

As conversas giram em torno dos resultados, dos favoritos, das surpresas e dos destaques do torneio. Nos escritórios, nas escolas, no transporte público e nas redes sociais, a Copa do Mundo se tornou o assunto do momento. Mesmo para aqueles cuja seleção não chegou ao torneio ou não são fãs de futebol, a febre da Copa do Mundo os alcança de alguma maneira.



O futebol desperta emoção, entusiasmo e devoção, mas será que essa paixão é errada? Não sentir essa mesma paixão para se aproximar de Deus é que é. E já que há lições a serem aprendidas em tudo na vida, que ensinamentos podem ser tirados da Copa do Mundo?

Por trás de cada partida, há anos de preparação. Nenhum jogador chega a uma Copa do Mundo por acaso. Pense nos jogadores mais mencionados das últimas Copas, Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, quando começaram? Começaram a treinar desde a infância, dedicando milhares de horas para aprimorar suas habilidades. E, claro, o talento é importante, mas não suficiente. A disciplina, o comprometimento e a paixão, entre outras qualidades, também são necessárias.

A Bíblia utiliza uma comparação semelhante ao falar da vida espiritual. O apóstolo Paulo escreveu: “Vocês não sabem que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Corram de tal maneira que ganhem o prêmio” (1 Coríntios 9:24).

Paulo não estava promovendo uma competição entre crentes, mas destacando a importância de viver com propósito e compromisso. Assim como um esportista se prepara para alcançar um alvo, o cristão é chamado a cultivar diariamente seu relacionamento com Deus.

Agora pense por um momento. Muitas pessoas se levantam de madrugada para assistir sua seleção jogar. Outras reorganizam sua agenda para não perder um jogo importante, mesmo que não seja da sua seleção. A paixão pelo que amam as leva naturalmente a investir tempo, esforço e atenção.

Você imagina o que aconteceria se essa mesma determinação e paixão fossem aplicadas à vida espiritual? O próprio Jesus ensinou: “Mas busquem em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas lhes serão acrescentadas” (Mateus 6:33). Por isso, treine a disciplina para buscar junto de si todos os dias, o comprometimento de estudar a Bíblia com profundidade e a paixão de compartilhar a mensagem de salvação com outros.

Porque o cristão não apenas se prepara para o encontro com Cristo; ele também compartilha esperança com aqueles ao seu redor. Antes de subir ao céu, Jesus deixou uma missão clara: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações” (Mateus 28:19). Com esse objetivo em mente, comece a investir tempo no desenvolvimento dos seus talentos para colocá-los a serviço da missão.

Assim como milhões de fãs esperam com entusiasmo o início de cada Copa do Mundo, os cristãos esperam o acontecimento mais importante da história: a volta de Jesus. “Por isso, estejam também vocês preparados, porque o Filho do Homem virá à hora em que vocês menos esperam” (Mateus 24:44).

E esse preparo não começa quando Jesus voltar; começa hoje. A Bíblia afirma: “E a vida eterna é esta: que conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17:3). Conhecer a Deus, caminhar com Ele e permitir que transforme nosso caráter faz parte da preparação para o encontro final.

A diferença entre uma Copa do Mundo e a vida cristã é que a primeira dura apenas algumas semanas. Mesmo a equipe campeã um dia deixará de ser campeã. Haverá um novo torneio, novos jogadores e um novo vencedor.

Em contrapartida, a promessa junto de Deus transcende o tempo. “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 6:23). E esse é o grande objetivo do cristão: a vida eterna com Cristo.

Portanto, quanto você deveria se esforçar em sua preparação para esse encontro final com consequências eternas? Nenhum troféu se compara à promessa que Deus preparou para aqueles que permanecerem fiéis até o fim.

Por Karol Lazo é jornalista e trabalha na Assessoria de Comunicação da sede sul-americana adventista.

domingo, 14 de junho de 2026

A idolatria aos esportes

“Louvor incessante, canções apaixonadas, desejo de vencer, unidade de espírito, adoração direcionada, lamento pelas falhas, lotação máxima, e tudo em um lindo santuário”. Isso pode soar como um culto religioso, mas na verdade foi a experiência que tive há alguns anos em um jogo de futebol profissional na Inglaterra. Apesar do lugar, foi encorajador ouvir homens cantarem com paixão, uma paixão que muitas vezes falta na adoração congregacional.

Desta forma, os esportes profissionais revelam que fomos criados para adorar, celebrar a glória e admirar a excelência. Nós somos adoradores. Não está em questão se adoramos, mas o quê ou quem adoramos. E atualmente, muitos adoram os esportes de uma forma ou de outra. Passei tempo suficiente em vários ambientes esportivos (como atleta, torcedor e treinador) para compreender que tanto homens como mulheres, meninos ou meninas, podem ser muito apaixonados pelo esporte e pelos times que torcem. No entanto, parece que os homens e os meninos são mais sujeitos à idolatria ao torcer pelos seus times favoritos.
Paixões mundanas

Praticar esportes e torcer pelo time favorito não é necessariamente um problema (como eu disse, já fui jogador, torcedor e treinador). Porém, como tudo na vida cristã, devemos aprender a administrar sabiamente os dons de Deus. No entanto, às vezes fazemos mau uso desses dons e nos tornamos mundanos em nossos pensamentos e atitudes. João nos diz: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo” (1 João 2.15). Isso não significa que não podemos amar uma bela paisagem ou uma boa refeição, mas que precisamos ter cuidado para não amarmos as coisas criadas em vez do Criador. No mundo estão “a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida” (1 João 2.16). As equipes esportivas profissionais oferecem grandes oportunidades para que os desejos mundanos cheguem à sua máxima expressão.

Deus nos criou com desejos bons, como o desejo de amar ou de dar vazão à nossa alegria. No entanto, a nossa natureza pecaminosa corrompe facilmente esses desejos e faz com que amemos coisas que não deveríamos amar, ou da forma ou intensidade que não se enquadram nos propósitos dados por Deus. Os gregos costumavam falar de quatro paixões, e Agostinho e outros as viam como ferramentas úteis para analisar e compreender o comportamento humano: (1) o desejo, que é o bem desejado; (2) a alegria, que é o bem obtido; (3) o medo, que envolve um mal a ser evitado e o bem ameaçado; e (4) o luto, que ocorre quando um mal acontece e o bem se perde. Essas paixões correm soltas entre muitos fãs de esportes, e onde paixões fortes caminham soltas, é necessário proceder com muito cuidado.

Os fãs apaixonados de esportes desejam a alegria da vitória, mas em muitos casos, o medo da derrota e a dor que a acompanha pode revelar quão desordenadas podem ser as nossas paixões. Já ouvi muitos jogadores, treinadores e torcedores dizerem que odeiam perder mais do que amam ganhar. Para muitos, o esporte é a janela mais clara para a sua alma, onde demonstram mais alegria ou tristeza do que em qualquer outra área da vida.
Torcedores escravizados

Ao diagnosticar se o esporte tem um impacto prejudicial nas nossas vidas, devemos nos fazer algumas perguntas. Por exemplo, será que o nosso amor pelo esporte nos afasta do culto coletivo no Dia do Senhor ou nos distrai consistentemente durante o culto? Como em todas as áreas, podemos desfrutar de Deus e dar graças a ele através do nosso prazer nos esportes (Efésios 5.20)? Ou estamos apenas satisfazendo desejos egocêntricos? Lembre-se, tudo o que não provém de fé é pecado (Romanos 14.23). Mesmo na esfera do prazer pelo esporte, devemos considerar nossa fé, que também protege as nossas paixões à medida que procuramos o prazer como povo de Deus que desfruta dos vários dons que ele nos deu. Devemos fazer todas as coisas para a glória de Deus, incluindo torcer para times esportivos (1 Coríntios 10.31).

O nosso prazer nos esportes está prejudicando alguém – inclusive a nós mesmos? Alguns homens podem ficar tão angustiados ou zangados quando o seu time perde que descarregam a sua raiva nos outros, até mesmo nos seus próprios familiares. Isto é uma violação do sexto mandamento.

Poderíamos também perguntar: nos entregamos ao prazer de apoiar um time ou esse prazer nos é dado? Em outras palavras, não devemos permitir que as falhas de um time dominem o nosso sentimento durante dias após uma derrota. Quando nos entregamos a alguma coisa, essa coisa nos controla, em vez de sermos nós a controlá-la. A arte de ter prazer nos esportes é lembrar que podemos aprender a estar contentes em quaisquer circunstâncias (Filipenses 4.11).

Digo isso como uma pessoa extremamente competitiva (que odeia perder mais do que gosto de ganhar), mas preciso ver continuamente o sucesso dos times que torço e treino, tanto numa perspectiva temporal quanto eterna. Mesmo temporariamente, não é incrível como podemos ficar tão irritados com homens suados com os quais não temos nenhum relacionamento e que usam uma camisa de cor diferente do outro grupo? Nenhum desses homens suados dá a mínima para os meus sentimentos. Além disso, mesmo quando o seu time vence o campeonato, a alegria dura pouco: agora começa a próxima temporada, onde nos preocuparemos com o treinamento ou com a qualidade dos jogadores recém-contratados.
Maior glória

A solução para o nosso mundanismo e idolatria em relação ao esporte não pode ser encontrada apenas no vazio final de se tornar um torcedor escravizado. Como Thomas Chalmers (1780-1847) argumenta no seu famoso livro O Poder Expulsivo de um Novo Afeto, não se pode destruir o amor pelo mundo apenas mostrando o seu vazio. O amor do mundo – e especificamente um amor desordenado e escravizador pelos esportes – só pode ser expulso por um novo amor e afeição por Deus e que vem de Deus.

Como filhos, o amor a Deus Pai (1 João 3.1) é um deleite que nos liberta da escravidão pela glória do esporte. Portanto, a não ser que o nosso amor a Deus esteja baseado em tudo o que ele fez e fará por nós, ficaremos cada vez mais viciados em atividades mundanas, como os esportes.

Além disso, João também conecta a visão beatífica – ver Jesus face a face – ao nosso amor por Deus. Como filhos de Deus, aguardamos pacientemente o que um dia nos tornaremos: totalmente conformes à imagem de Cristo (Romanos 8.29). Quando Jesus aparecer, “seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é” (1 João 3.2). Tanto o nosso amor pelo Pai como a nossa esperança de sermos semelhantes a Cristo ao vê-lo nos dão a paixão de tornar a adoração a Deus, e não aos esportes, central na nossa vida cotidiana como povo de Deus.

E se os torcedores dos times conseguem se reunir toda semana para se sentar em um lugar quente e desconfortável, cantando em voz alta e gritando para estimular a sua equipa à vitória, não deveríamos também ser capazes de nos reunir com os nossos irmãos e irmãs cada Dia do Senhor para celebrar com mais entusiasmo as vitórias do nosso Rei e as suas glórias eternas?


 

segunda-feira, 1 de junho de 2026

OS ADVENTISTAS E A POLÍTICA

Como adventistas do sétimo dia, esperamos o breve retorno de nosso Senhor Jesus Cristo e ansiamos por aquela pátria eterna “da qual Deus é o arquiteto e edificador” (Hebreus 11:10). Aceitamos igualmente o desafio de ser “sal da terra” e “luz do mundo” (Mateus 5:13, 14). Assumimos o compromisso de pregar o evangelho com seus valores eternos e o dever de ser relevantes e servir às comunidades em que estamos inseridos, tornando-as lugares melhores.

 “A Igreja Adventista tem procurado, desde seu início, seguir o exemplo de Cristo ao advogar a liberdade de consciência como parte integral de sua missão evangélica. À medida que o papel da igreja na sociedade se expande, é apropriado declarar os princípios que guiam nossa igreja em sua extensão mundial nos contatos com os governos das regiões nas quais operamos” (Declarações da Igreja, p. 154). Portanto, como Igreja estamos determinados a cumprir nossos deveres institucionais e individuais, desenvolvendo relacionamentos saudáveis com as instâncias de poder.

 Este documento foi elaborado e aprovado para servir como a referência oficial a respeito do pensamento adventista sobre a relação da organização com questões políticas, partidárias e eleitorais. Ele será útil para pastores, servidores e membros, indicando o posicionamento adequado nessa esfera. Não pretende substituir os conselhos divinos, mas sim expressar claramente a compreensão que a Igreja Adventista do Sétimo Dia tem acerca do relacionamento institucional com os poderes públicos e os assuntos políticos, bem como os deveres de seus membros como cidadãos. 

1. Os adventistas e a política partidária 

Existem alguns princípios fundamentais que regem a posição da Igreja Adventista do Sétimo Dia sobre política partidária. Um deles é o princípio da separação entre Igreja e Estado, o que leva cada uma dessas entidades a cumprir suas respectivas funções sem interferir nas atividades da outra. A Igreja acredita que adotar uma postura sem filiação partidária ou qualquer tipo de compromisso com partidos políticos é uma das maneiras de manter esse princípio. Tal prática deve nortear não apenas a organização adventista em todos os seus níveis administrativos, mas também as instituições por ela mantidas, seus pastores e servidores.

 A Igreja encontra nos ensinos do Senhor Jesus e dos apóstolos base segura para evitar qualquer militância político-partidária institucional. O cristianismo apostólico cumpriu sua missão evangélica sob as estruturas opressoras do Império Romano sem se voltar contra elas. O próprio Cristo afirmou que Seu reino “não é deste mundo” e que, portanto, os Seus “ministros” não empunham bandeiras políticas (João 18:36). Qualquer posicionamento ou compromisso com legendas partidárias dificultaria a pregação do evangelho a todos indistintamente.

 Por outro lado, a Bíblia não isenta a comunidade de crentes dos deveres civis e do compromisso com a cidadania, e isso está evidente na ordem de Jesus: “Deem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Marcos 12:17). O Novo Testamento apresenta várias orientações sobre o dever cristão de reconhecer e respeitar os governos e as autoridades (Romanos 13:1-7; Tito 3:1, 2; 1 Pedro 2:13-17). Somente quando os poderes temporais impõem transgressão às leis divinas é que o cristão deve assumir a postura de antes “obedecer a Deus do que aos homens” (Atos 5:29). 

Assim, a Igreja Adventista do Sétimo Dia: 

Reconhece as obrigações do exercício da cidadania, mas não possui nem mantém partidos políticos, não se filia a eles, tampouco repassa recursos denominacionais para atividades dessa natureza. Por adotar uma postura apartidária, respeita as autoridades constituídas, mas não incentiva a participação institucional em qualquer atividade político-partidária. 

Entende a importância do processo democrático. Todavia não permite que em seus templos, sedes administrativas e instituições sejam realizadas reuniões com finalidades eleitorais, seja para promoção ou apoio de candidatos (membros e não membros da igreja) ou de partidos políticos. 

Respeita as pessoas eleitas para os diferentes cargos públicos. No entanto, não possui uma bancada de parlamentares, não investe na formação de lideranças partidárias nem trabalha para esse fim. 

2. Os adventistas e as eleições 

Os adventistas reconhecem a autoridade profética e a influência da vida e da obra de Ellen G. White, mensageira e cofundadora da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Seus escritos não substituem a Bíblia, mas têm servido para aprofundar a compreensão das Escrituras Sagradas. Isso ocorre também em assuntos relacionados com a esfera pública. 

Em um de seus diários, ela registrou que, em determinada reunião, os pioneiros adventistas consideraram demoradamente a questão de votar. Depois de serem mencionadas algumas opiniões, ela escreveu: “Eles acham que é correto votar em favor dos homens defensores da temperança para governar nossa cidade, em vez de, por seu silêncio, correr o risco de serem eleitos homens intemperantes” (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 337). 

Em outra oportunidade, encontramos Ellen G. White assumindo uma posição clara sobre a participação dos membros da Igreja na escolha de candidatos que pudessem favorecer a aprovação de leis que combatessem a venda de bebidas alcoólicas. Nessa ocasião, ela destacou que cada cristão tem a responsabilidade de exercer toda influência possível para estabelecer leis com o propósito de conter essa atividade destruidora da saúde e das famílias. Ela escreveu: “Todo indivíduo exerce uma influência na sociedade. Em nossa terra favorecida, todo eleitor tem, de certo modo, voz para decidir que tipo de leis governará a nação. Não devem sua influência e voto se posicionar ao lado da temperança e da virtude?” (Obreiros Evangélicos, p. 387).

 Esses textos deixam claro que cada adventista deve exercer o direito ou o dever de votar, usando essa prerrogativa para eleger pessoas que promovam conceitos em favor da saúde e da qualidade de vida. Certamente isso envolve a preferência por candidatos que também promovam outros princípios e valores bíblicos praticados e defendidos pelos adventistas e que podem se tornar um benefício para toda a população.

 Assim, a Igreja Adventista do Sétimo Dia: 

Recomenda que seus membros cumpram o direito ou o dever do voto. 

Orienta que seus membros votem de acordo com a consciência individual.

 Determina que pastores, outros obreiros, jubilados com credencial especial, funcionários da organização, líderes locais e membros não apresentem nem promovam candidatos nos templos, em suas sedes administrativas, unidades educacionais, de saúde e em quaisquer outras instituições, seja nos cultos seja em programas promovidos e realizados pela denominação.

 Veda o uso do dízimo e de quaisquer outros recursos denominacionais para financiar candidatos, campanhas eleitorais ou partidos políticos. 

Repudia e não autoriza o recebimento de vantagens e benefícios pessoais ou institucionais ilícitos, indevidos ou em desacordo com os Regulamentos Eclesiástico-Administrativos. 

Não usa, não fornece nem autoriza o fornecimento de dados cadastrais ou de qualquer outra natureza para o envio de propaganda eleitoral aos seus membros. Não autoriza a impressão de propaganda ou material de cunho político em suas editoras nem o uso de espaço publicitário em seus periódicos para veiculação de propaganda eleitoral. Fica igualmente não autorizado o uso de internet, rádio, televisão e publicações da Igreja e de suas instituições para esse mesmo fim, salvo quando impostas obrigatoriamente por lei, como no caso da Rádio e da TV Novo Tempo. 

Não autoriza o uso do espaço físico de seus templos, escolas, colégios, universidades, sedes administrativas, escritórios de projetos assistenciais e demais instituições para qualquer tipo de propaganda político-partidária eleitoral.

 Não aprova que sejam organizados encontros e reuniões por pastores, outros obreiros, jubilados com credencial especial e funcionários da organização, com propósitos político-partidários, em ambientes públicos ou privados.

 Determina, clara e expressamente, quem deve falar em nome da Igreja para se comunicar com os órgãos de imprensa e demais meios. Pastores e servidores, editores das casas publicadoras, apresentadores da Rádio e da TV Novo Tempo, jornalistas, assessores de comunicação e comunicadores não estão autorizados a escrever, postar e falar em nome dos adventistas sobre temas políticos, e devem ter constante cuidado para não dar declarações que demonstrem preferências por ideologias, candidatos ou partidos. 

3. Candidatos que são adventistas

 Entre os direitos do cristão adventista no exercício da cidadania está o de ocupar cargos públicos, eletivos ou não. O Antigo Testamento menciona exemplos de pessoas que exerceram funções de grande projeção nos governos de sua época. Por exemplo, José foi primeiro-ministro do Egito (Gênesis 41:38-46) e, tendo sido colocado por Deus no comando dessa nação, se manteve puro e fiel na corte do rei e foi “um representante de Cristo” junto aos egípcios (Patriarcas e Profetas, p. 369). Daniel exerceu importantes cargos governamentais em Babilônia sob os reinados de Nabucodonosor, Belsazar, Ciro e Dario, e, com lealdade incondicional aos princípios divinos, ele e seus companheiros foram embaixadores do verdadeiro Deus nas cortes desses reis.

 É interessante notar que José e Daniel foram nomeados para funções públicas diretamente pelos próprios monarcas. Hoje, na maioria dos governos, oficiais públicos tanto podem ser nomeados como podem ser eleitos por voto popular. A Igreja Adventista do Sétimo Dia respeita a decisão de seus membros de ocuparem cargos públicos, seja por meio de processo eleitoral seja por nomeação direta. Reconhece também que, como nos tempos de José, Daniel e Ester, a sociedade pode ser beneficiada pelo bom exemplo de políticos religiosos que exerçam suas atividades dignamente, sem comprometer princípios cristãos, ao mesmo tempo em que dão um bom testemunho da fé e promovem os valores bíblicos. 

Assim, a Igreja Adventista do Sétimo Dia:

 Determina que candidatos adventistas não usem os cultos e programas oficiais da igreja. 

Define que os membros que se candidatarem a cargos públicos eletivos se afastem de suas funções de liderança na igreja local durante o período de campanha.

 Estabelece que pastores, outros obreiros e funcionários que decidirem lançar candidatura devem se desvincular obrigatoriamente do trabalho na organização adventista. 

Estabelece que pastores e outros obreiros que decidirem atuar em qualquer trabalho direta ou indiretamente relacionado à política partidária, como assessorias, propaganda, publicidade, ou outras atividades afins, devem se desvincular obrigatoriamente do trabalho na organização adventista. 

Estabelece que pastores jubilados com credencial especial que decidirem lançar candidatura ou atuar em qualquer trabalho direta ou indiretamente relacionado à política partidária, como assessorias, propaganda, publicidade, ou outras atividades afins, tenham sua credencial suspensa enquanto durar esse envolvimento.

 Reconhece que, quando membros adventistas se candidatarem a cargo eletivo com mandato, serão candidatos exclusivamente do partido político ao qual se filiarem e nunca candidatos oficiais da Igreja Adventista.

 Estabelece que, quando surgirem situações em que candidatos, membros da igreja ou não, no exercício do mandato, estiverem concorrendo à reeleição ou a qualquer outro cargo público eletivo, serão tratados de acordo com as orientações deste documento.

 Orienta aos administradores e diretores de departamentos de Associações/Missões, Uniões e diretores de instituições que se limitem, no exercício de suas funções, a informar aos pastores e membros sobre candidatura de adventistas. E que o façam com prudência, sem utilizar a estrutura organizacional para pedir ou induzir membros ao voto. 

4. Os adventistas e as manifestações em redes sociais 

O avanço da tecnologia digital em todas as áreas da vida humana, inclusive na discussão da temática político-partidária, é fato inegável e, de certa forma, ilimitado. Como ambiente de manifestações relacionadas a partidos, candidatos e eleições, as redes sociais propiciam muitos debates, mas também apresentam acusações mútuas e a propagação de dados inverídicos. Essas acusações podem ser caracterizadas pelas legislações nacionais como crimes, sujeitando seus propagadores a penalidades.

 A livre expressão do pensamento, especialmente em relação às questões políticas, implica profunda responsabilidade, podendo gerar consequências indesejáveis decorrentes da veiculação de conteúdos inadequados. Ainda que as postagens e opiniões de seus membros não reflitam necessariamente o pensamento da Igreja, muitas vezes as manifestações individuais são tidas como se fossem o posicionamento oficial da organização adventista sobre o assunto.

 Assim, a Igreja Adventista do Sétimo Dia:

 Orienta a todos os que têm vínculo religioso/missionário ou laboral com a organização adventista que não postem nas redes sociais nem encaminhem mensagens com opiniões ou manifestações sobre política partidária nem opções de candidatos a cargos eletivos, especialmente em período de eleições. 

Recomenda que membros adventistas sejam muito prudentes ao se envolver em posicionamentos e discussões nas mídias sociais a respeito de política, partidos e eleições. Há outros temas de relevância espiritual e missionária que merecem atenção maior por parte dos que compreendem seu papel como multiplicadores do evangelho. 

Reconhece o valor da veiculação nas redes sociais de conteúdos que motivem boas iniciativas em favor das pessoas como forma de contribuir para o bem-estar de todos. A própria organização adventista, quando julgar necessário, expressará seu posicionamento acerca de temas de interesse social, cumprindo seu papel de ser uma voz de esperança na sociedade.

 Conclusão

 Como denominação cristã, a Igreja Adventista do Sétimo Dia reconhece o papel legítimo dos governos organizados na sociedade, respeita o direito do Estado de legislar nas questões seculares e consente com essas leis quando não contrariam os preceitos divinos. Entende também que seus membros devem assumir responsabilidades civis com seriedade e exercer o papel de cidadãos, mas sem se esquecer da cidadania celestial.

 Não desmerecendo as questões políticas e sua importância, a Igreja Adventista do Sétimo Dia entende ser seu dever dar o devido destaque ao objetivo de desenvolver práticas que resultem no fortalecimento da fé e promovam a esperança na iminente volta do Senhor Jesus Cristo. Reconhece que a vocação de pregar o evangelho envolve executar ações de solidariedade que expressem amor ao próximo e produzam alívio ao sofrimento humano. Por isso, todo esforço e toda energia devem ser canalizados para o serviço desinteressado em favor das pessoas, revelando profundo interesse na sua salvação. Seja nossa oração: “[…] Vem, Senhor Jesus” (Apocalipse 22:20). 
Este documento foi preparado em harmonia com as declarações oficiais da igreja, conforme conteúdo do capítulo “A Relação entre Igreja e Estado” (Declarações da Igreja, p. 154-160), adotado pela Associação Geral em março de 2002 e que serve de diretriz e referência para o departamento de Assuntos Públicos e Liberdade Religiosa. Votado em maio de 2026 pela Comissão Diretiva Plenária da Divisão Sul-Americana.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

B-52: como é o bombardeiro usado contra o Irã, considerado uma das armas mais mortais dos EUA

Aeronave está em operação há mais de 60 anos e teve papel importante em conflitos recentes com envolvimento americano. Uso expõe fragilidade da defesa aérea iraniana. Os Estados Unidos usaram bombardeiros B-52 para sobrevoar o espaço aéreo do Irã pela primeira vez desde o início da guerra. A informação foi confirmada pelo Departamento de Guerra nesta terça-feira (31). A aeronave é considerada uma das armas mais “mortais” das forças americanas. Contexto: Segundo o jornal The New York Times, o uso desse tipo de aeronave demonstra o enfraquecimento das defesas aéreas do Irã. Apesar da potência, o B-52 não é tão ágil quanto caças e fica mais vulnerável a sistemas antiaéreos. De acordo com o Pentágono, os bombardeiros serão usados para atacar cadeias de suprimentos que abastecem instalações de construção de mísseis, drones e navios do Irã. O objetivo dos EUA é impedir a reposição de munições usadas na guerra. Apesar da capacidade nuclear, não há confirmação de que forças americanas estejam transportando ogivas desse tipo nas operações contra o Irã. O B-52 é um modelo fabricado pela Boeing que transporta armas de alta precisão e pode voar por mais de 14 mil quilômetros sem reabastecer. A produção começou na década de 1950, e o bombardeiro segue como a “espinha dorsal” da Força Aérea americana. Ao menos 744 unidades foram produzidas, e a última foi entregue em outubro de 1962. O modelo foi projetado para transportar armamento nuclear e se tornou um ativo importante dos Estados Unidos durante a Guerra Fria. Quando surgiu, o B-52 era visto como o “bombardeiro do juízo final”, capaz de atingir a União Soviética com armas nucleares sem necessidade de reabastecimento. Ao longo de mais de 70 anos, aeronaves do tipo participaram de quase todas as principais operações conduzidas pelos EUA. Entre elas estão a Guerra do Vietnã, a resposta aos ataques de 11 de setembro de 2001 e missões contra o Estado Islâmico no Iraque e na Síria, em 2016. B-52 também foram enviados ao Caribe durante operação dos EUA contra o tráfico internacional de drogas, que resultou na captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro.
O modelo tem diferentes variantes. A versão “H”, por exemplo, pode carregar até 20 mísseis de cruzeiro. No geral, o B-52 pode transportar até 32 toneladas de armamento, entre bombas, minas e mísseis. O bombardeiro têm oito motores e podem voar a até 15 mil metros de altitude, o que coloca a aeronave acima da maior parte do campo de batalha. Essa capacidade, combinada com ataques de alta precisão, amplia o apoio aéreo em ofensivas. "Atualizado com tecnologia moderna, o B-52 é capaz de empregar toda a gama de armas desenvolvidas em conjunto e seguirá ao longo do século 21 como um elemento importante das defesas do país. A Força Aérea atualmente prevê operar os B-52 até 2050", dizem as Forças Armadas dos EUA. Ameaça do Irã O anúncio do uso de B-52 no Irã foi feito um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhar um vídeo que mostra uma grande explosão em Isfahan. O alvo seria um depósito de munições. Ainda não está claro se as aeronaves foram responsáveis pela operação divulgada por Trump. Até a última atualização desta reportagem, o Irã também não havia se pronunciado sobre o anúncio feito pelos Estados Unidos. Ainda na terça-feira, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que vai atacar empresas americanas no Oriente Médio em retaliação a bombardeios recentes que mataram cidadãos iranianos. Entre os alvos citados está a Boeing, fabricante do bombardeiro B-52. "As principais instituições envolvidas em operações terroristas serão alvos legítimos. Aconselhamos os funcionários a deixarem seus locais de trabalho imediatamente, para a própria segurança", afirmou a organização. "Moradores de áreas próximas a essas empresas, em todos os países da região, também devem evacuar em um raio de um quilômetro e buscar um local seguro." Além da Boeing, outras 17 empresas foram listadas, incluindo gigantes de tecnologia. Veja a seguir: Boeing G42 Spire Solution GE Tesla JP. Morgan Nvidia Palantir Dell IBM Meta Google Apple Microsoft Oracle Intel HP Cisco

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Trump lança oficialmente 'Conselho da Paz' em Davos com críticas à ONU: 'Eu nunca nem falei com eles'

Presidente dos Estados Unidos convidou lideranças de cerca de 60 países para participar do órgão. Comunidade internacional teme que conselho enfraqueça papel da ONU.

Por Luisa Belchior, g1
22/01/2026 07h10 Atualizado há um minuto

Com críticas à Organização das Nações Unidas (ONU) e um plano para reconstruir a Faixa de Gaza com uma fila de arranha-céus, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou oficialmente nesta quinta-feira (22) seu "Conselho da Paz".

➡️ Criada por seu governo para supervisionar a paz na Faixa de Gaza e reconstruir o território palestino, a estrutura é vista por parte da comunidade internacional como uma tentativa de esvaziar a ONU.
Em cerimônia dentro do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, Trump disse que seu conselho terá aval "para fazer tudo o que quisermos" não só em Gaza, e seu governo também apresentou um plano de reconstrução que chamou de "Nova Gaza" (leia mais abaixo).

"Quando esse conselho estiver completamente formado, poderemos fazer praticamente tudo o que quisermos. E faremos isso em conjunto com as Nações Unidas", disse Trump, que será o presidente vitalício do órgão e o único com poder de veto.

Cerca de 30 dos 60 líderes mundiais que aceitaram participar do conselho participaram da cerimônia, como o presidente argentino, Javier Milei — o presidente Lula foi convidado para integrar o Conselho da Paz, mas ainda não respondeu ao convite. Nenhum grande aliado ocidental estava no lançamento.

Em discurso na cerimônia, Trump disse ser um "dia muito empolgante" e voltou a criticar a ONU — que críticos dizem que Trump quer substituir com a criação de seu "Conselho da Paz".

"Eu nunca nem falei com a ONU. Eles tinham um potencial tremendo", afirmou Trump. No entanto, ele disse que seu conselho dialogará "com muitos outros, incluindo a ONU".

Ele disse ainda que o conselho não se dedicará apenas a Gaza, mas começará pelo território palestino, que ele disse que será "desmilitarizado e lindamente reconstruído".

Na ocasião, o presidente norte-americano assinou um documento que formaliza o conselho. Também assinaram outros membros do grupo convidados por Trump e que estavam no palco. Entre eles:
  • O presidente da Argentina, Javier Milei;
  • O presidente do Paraguai, Santiago Peña;
  • O presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev;
  • O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán;
  • O presidente da Indonésia, Prabowo Subianto;
  • A presidente do Kosovo, Vjosa Osmani.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, também discursou na cerimônia e disse que o conselho será "um conselho não só da paz, mas da ação".

'Nova Gaza'
Parte do plano dos Estados Unidos para a reconstrução da Faixa de Gaza, apresentado no Fórum Econômico Mundial, em 22 de janeiro de 2026. — Foto: Reprodução/ g1

Na mesma cerimônia, o conselheiro de Trump Jared Kushner, também genro do presidente norte-americano, apresentou o plano dos Estados Unidos de reconstrução da Faixa de Gaza, que inclui a construção de arranha-céus e polos turísticos na enseada do território palestino.

"É uma ótima locação para o mercado imobiliário, perto do mar", disse Trump.

Kushner também mostrou um mapa que prevê a divisão da Faixa de Gaza entre áreas residenciais, de turismo e negócios, de agricultura e portuária.

Mapa dividindo a Faixa de Gaza por áreas — Foto: REUTERS

Entenda o Conselho da Paz
➡️ O Conselho da Paz é uma estrutura criada por Trump para atuar na manutenção da paz e na reconstrução da Faixa de Gaza. A iniciativa também pode atuar em outros conflitos internacionais no futuro.

De acordo com o estatuto do conselho obtido pela agência Reuters, Trump terá mandato vitalício como presidente do grupo e amplos poderes. Países que desejarem um assento permanente precisarão pagar US$ 1 bilhão (R$ 5,37 bilhões). Os recursos serão administrados pelo presidente dos EUA.

A comunidade internacional, no entanto, teme que o Conselho de Paz vire uma espécie de "ONU paralela" e enfraqueça o papel da Organização das Nações Unidas.

Entenda, ponto a ponto, o que se sabe sobre o Conselho da Paz
  1. O que é o Conselho de Paz de Gaza?
  2. Como a Casa Branca diz que irá funcionar?
  3. E como fica a ONU?
  4. Quem vai presidir o conselho?
  5. Quem faz parte do conselho executivo fundador?
  6. Que países já confirmaram participação no conselho?
  7. Quem mais foi convidado?
  8. Por que o convite do Trump é uma saia justa para Lula?
  9. E os palestinos?
1. O que é o Conselho da Paz?

A criação do conselho estava prevista na segunda fase do acordo de paz mediado pelos EUA e assinado por Israel e pelo grupo terrorista Hamas, em outubro do ano passado.

O plano de paz, divulgado pela Casa Branca no fim de setembro, tem 20 pontos e prevê a Faixa de Gaza como uma zona livre de grupos armados e sob o comando de um governo de transição, formado por um comitê palestino tecnocrático e apolítico, que será supervisionado pelo conselho.

2. Como a Casa Branca diz que irá funcionar?

O conselho, que terá um papel consultivo, vai assessorar o comitê responsável pela administração provisória da Faixa de Gaza, que iniciou seus trabalhos neste mês, no Cairo, sob o comando do ex-vice-ministro palestino Ali Shaath e de outros 14 membros.

A entidade "ajudará a apoiar uma governança eficaz e a prestação de serviços de alto nível que promovam a paz, a estabilidade e a prosperidade do povo de Gaza", anunciou a Casa Branca.

A proposta, no entanto, é vista com receio pela comunidade internacional e recebeu críticas de diplomatas e de analistas.

"É uma daquelas iniciativas que a gente fica se perguntando: quem é que planejou isso? E quem é que pensou que isso ia dar certo? Muitos analistas, e eu me incluo entre eles, estão absolutamente céticos sobre o que poderá acontecer com esse conselho”, avaliou o apresentador Marcelo Lins, no programa GloboNews Internacional neste domingo (18).

3. E como fica a ONU?

De acordo com fontes diplomáticas ouvidas pela Reuters, há uma grande preocupação, principalmente entre os governos europeus, de que o conselho prejudique a ONU.

"É uma 'Nações Unidas de Trump' que ignora os princípios fundamentais da Carta da ONU", disse um deles.

O rascunho do estatuto do Conselho de Paz faz uma crítica velada às Nações Unidas falando que "um organismo internacional de consolidação da paz mais ágil e eficaz" é necessário e que é preciso "coragem de abandonar abordagens e instituições que falharam com demasiada frequência".

Para Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a estrutura proposta por Trump reúne uma série de falhas e concentra poder demais em uma única liderança, que seria a do próprio presidente dos Estados Unidos.

"Há um temor real de que o Conselho se torne uma espécie de ONU paralela, controlada pelos Estados Unidos.", afirma Stuenkel.

4. Quem vai presidir o Conselho da Paz?


Donald Trump será o presidente inaugural. Com amplos poderes, ele terá a palavra final em votações, pode escolher os países que deseja convidar e também pode revogar a participação de quem o desagradar.

De acordo com o projeto de estatuto do conselho, quem quiser fazer parte do grupo exercerá mandatos de três anos, mas uma taxa bilionária garante a permanência fixa.

"Cada Estado-membro cumprirá um mandato de no máximo três anos a partir da data de entrada em vigor desta Carta, renovável pelo presidente. Este mandato de três anos não se aplicará aos Estados-membros que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão em dinheiro para o Conselho da Paz no primeiro ano", diz o documento.
Trump com o secretário de Estado, Marco Rubio — Foto: Reuters/Nathan Howard

5. Quem faz parte do conselho executivo fundador?
Em comunicado na sexta-feira (16), a Casa Branca divulgou os nomes dos sete nomeados como membros fundadores do conselho. Os escolhidos por Trump foram:

  • Marco Rubio, o chefe da diplomacia dos Estados Unidos
  • Tony Blair, ex-primeiro-ministro do Reino Unido
  • Steve Witkoff, enviado especial dos EUA para a paz na Faixa de Gaza,
  • Jared Kushner, genro de Trump
  • Ajay Banga, o presidente do Banco Mundial
  • Marc Rowan, magnata financista americano
  • Robert Gabriel, fiel colaborador de Trump no Conselho de Segurança Nacional
As responsabilidades de cada membro do conselho ainda não foram divulgadas.

O presidente americano também designou o major-general americano Jasper Jeffers para dirigir a Força Internacional de Estabilização (ISF, na sigla em inglês) em Gaza.

6. Que países já confirmaram participação no conselho?

Nesta quarta-feira (21), a Casa Branca afirmou que 25 países já aceitaram o convite para integrar o Conselho da Paz . Entre eles estão:

  • Israel
  • Argentina
  • Arábia Saudita
  • Emirados Árabes Unidos
  • Bahrein
  • Jordânia
  • Catar
  • Egito
  • Turquia
  • Hungria
  • Marrocos
  • Paquistão
  • Indonésia
  • Kosovo
  • Uzbequistão
  • Cazaquistão
  • Paraguai
  • Vietnã
  • Armênia
  • Azerbaijão
  • Belarus
Trump também afirmou na quarta que Putin aceitou convite, mas o presidente russo afirmou que ainda estuda a proposta.

7. Quem mais foi convidado?

Segundo o governo dos Estados Unidos, convites foram enviados a lideranças de cerca de 60 países.

Até o momento, apenas a Noruega, a Suécia e a Itália se pronunciaram recusando o convite. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, disse que precisa de mais tempo para analisar a proposta antes de se comprometer como membro.

Outros países afirmaram ainda estar avaliando o que farão. Alguns deles são:

  • Brasil
  • Rússia
  • China
  • França
  • Canadá
  • Reino Unido
  • Alemanha
  • Japão
  • Ucrânia
  • Vaticano
8. Por que o convite do Trump é uma saia justa para Lula?

Convidado para integrar o conselho no sábado (17), Lula ainda não aceitou o convite. Só deve avaliar se aceita ou não na próxima semana, segundo fontes com conhecimento sobre o assunto.

A situação é uma saia justa para o presidente brasileiro, que, desde o início do conflito em Gaza, em outubro de 2023, tem reiterado críticas às operações militares de Israel no território palestino.

O presidente brasileiro defende a criação de um Estado palestino, essa posição, registrada em discursos, entrevistas e manifestações em fóruns internacionais, se choca com o convite feito por Trump.

Caso aceite integrar o conselho de paz, Lula poderá ser cobrado por coerência. Por outro lado, uma eventual recusa pode desagradar o presidente norte-americano e prejudicar a aproximação que ocorreu entre eles desde as negociações do tarifaço para produtos brasileiros exportados para os EUA.

9. E os palestinos?


Ate o momento, não está claro se os palestinos terão uma participação no conselho, o que levanta questões sobre a efetividade do novo órgão.

“Um conselho que não tem em sua composição nenhum palestino para falar sobre Gaza [...] Deixa muitas dúvidas no ar, e mais do que dúvidas, desconfianças sobre qual o interesse e qual é o papel dos maiores interessados nisso, os palestinos", avalia Marcelo Lins.





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