terça-feira, 14 de julho de 2026

Comunicadores adventistas constroem pontes para a missão

Evento global de comunicação incentiva troca de experiências para otimizar o trabalho da comunicação adventista.
Richard Stephenson e Alyssa Truman abrem as reuniões do GAiN em Auckland, Nova Zelândia (Foto: Brendan Tucker)
Construir pontes por meio da colaboração foi o desafio lançado aos líderes de comunicação adventistas durante a conferência do Global Adventist Innovation Network (GAiN) deste ano, na qual quase 600 delegados exploraram como esse modo de trabalho pode fortalecer a missão da Igreja em um mundo digital em rápida evolução.

Realizado em Auckland, na Nova Zelândia, de 8 a 11 de julho, o GAiN foi um dos três eventos que compuseram a Convenção de Estratégia Digital para a Missão (DSM), juntamente com a Conferência de Liderança da Rede Hope Channel (de 2 a 7 de julho) e a Conferência Adventista de Tecnologia (12 e 13 de julho).

Leia também:Igreja Adventista do Sétimo Dia é oficialmente reconhecida no Sri LankaEste é o primeiro evento da sede mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD), a Associação Geral (AG), realizado no Pacífico Sul em mais de 30 anos. “Portanto, é muito significativo”, disse a diretora de Comunicação do escritório da IASD na região, Tracey Bridcutt. “E é uma verdadeira bênção ter profissionais de comunicação de todo o mundo reunidos aqui na Nova Zelândia para se encontrarem, estabelecerem contatos e aprenderem novas ferramentas para a missão.”
Dança típica neozelandeza fez parte da programação de abertura do evento (Foto: Brendan Tucker)

O evento foi aberto com uma cerimônia tradicional maori pōwhiri e uma apresentação de haka, seguidas pelas boas-vindas do presidente da Igreja Adventista no país, Dr. Eddie Tupa’i. O pastor Glenn Townend, que preside a IASD no Pacífico Sul, também deu as boas-vindas aos delegados por meio de uma mensagem em vídeo — ele está atualmente liderando a campanha evangelística Trans Pacific for Christ [Transpacífico para Cristo] nas Ilhas Salomão.

De acordo com a diretora de comunicações da AG, Alyssa Truman, sediar o GAiN no Pacífico Sul também refletiu um esforço deliberado para destacar partes da Igreja mundial que fazem contribuições significativas ao ministério de comunicação e mídia. “Há muitas partes do mundo que são líderes em comunicação, inovação e mídia, e, de alguma forma, elas têm sido esquecidas”, disse ela. “Queríamos destacá-las, apresentá-las e homenageá-las pelo trabalho que estão realizando.”

Alyssa descreveu a região administrativa como “uma dessas divisões âncora”, citando o trabalho da Adventist Media nas áreas de comunicação, inovação e tecnologias emergentes.

Mesma missão, novas ferramentas

Anteriormente conhecido como Global Adventist Internet Network, os organizadores anunciaram uma mudança de nome durante o evento. Explicando a mudança, Alyssa disse que o nome original refletia a realidade de 20 anos atrás, mas que o foco atual vai muito além da internet. “O GAiN não mudou, a missão não mudou, mas as ferramentas e a tecnologia sim”, disse ela, descrevendo os participantes como “um grupo de inovadores” comprometidos em encontrar novas maneiras de usar tecnologias emergentes para a missão global.

Ao longo do evento, as apresentações enfatizaram que a comunicação não é um fim em si mesma, mas um meio de promover a missão da Igreja. “A comunicação na Igreja Adventista existe para a missão”, disse o presidente da Associação Geral, pastor Erton Köhler. “E estamos aqui exatamente para discutir como a comunicação pode ser mais eficiente de forma a fortalecer a missão que o Senhor nos confiou.”
Presidente mundial da Igreja Adventista incentiva o uso da comunicação na missão (Foto: Brendan Tucker)

O tesoureiro da AG, Paul Douglas, desenvolveu o tema do evento, Construindo Pontes: “Uma ponte existe para conectar. Ela permite que as pessoas cheguem a um destino que nunca alcançariam sozinhas. Sem pontes, as comunidades permanecem isoladas, separadas. A missão de Deus consiste, fundamentalmente, em construir pontes”, afirmou ele.

Para muitos delegados, o tema foi além das apresentações, oferecendo a oportunidade de se conectar e aprender com outros profissionais de comunicação. Participando do GAiN pela primeira vez, o diretor de comunicação em Papua-Nova Guiné, Reeves Papaol, disse que um dos maiores benefícios do evento foi a oportunidade de construir relacionamentos com profissionais de comunicação de todo o mundo, com quem pôde compartilhar ideias, experiências e soluções práticas.

“É providência divina que isso tenha acontecido aqui”, disse Papaol. “Para as iniciativas que queremos realizar na mídia e que começamos este ano, isso nos dá confiança de que há outras sedes administrativas na Igreja que também estão dando os primeiros passos. Podemos aprender com elas, e todos podemos avançar juntos nesse trabalho.”

Joseph Philpott, diretor associado de comunicação e mídia em parte da Europa, viajou da Inglaterra para participar de seu primeiro GAiN global, tendo participado anteriormente apenas do GAiN Europa. Embora de maior escala, ele afirmou que o encontro mundial compartilhava o mesmo espírito de colaboração.

“O espírito do GAiN é o mesmo. Não se percebe competitividade entre os campos. Há uma disposição genuína para se abrir, dialogar e compartilhar os altos e baixos de algumas das soluções que foram desenvolvidas em suas áreas de atuação.”

Philpott também elogiou as iniciativas de comunicação que conheceu na Igreja Adventista do Pacífico Sul, dizendo que a visita lhe proporcionou uma maior valorização do trabalho realizado na região. “A gente ouve falar de longe, mas é diferente estar aqui e ouvir os colegas locais compartilharem essas experiências. Há muitas coisas que podemos aprender com esta Divisão para levar de volta para a Europa”, disse ele.
Grupo completo dos delegados participantes do GAiN (Foto: Brendan Tucker)

OneVoice27

Além das palestras principais e das oficinas, o GAiN também deu grande ênfase ao OneVoice27, a iniciativa global de comunicação da Associação Geral destinada a mobilizar os membros a compartilharem esperança por meio de esforços de comunicação coordenados e adaptados localmente em 2027. Apresentações e painéis de discussão exploraram como as divisões, uniões e campos locais poderiam contextualizar a iniciativa enquanto trabalham em prol de um objetivo global comum.

Tracey Bridcutt disse que espera que os relacionamentos formados durante o GAiN continuem fortalecendo a comunicação em todo Pacífico Sul, à medida que a Igreja se prepara para o OneVoice 2027. “Espero sinceramente que isso nos una para essa importante missão”, disse ela.

A versão original desta matéria foi publicada no site de notícias da Adventist Record.

Quer conhecer mais sobre a Bíblia ou estudá-la com alguém? Clique aqui e comece agora mesmo.

Entre a política e a religião

Obra ajuda a compreender conceitos políticos e oferece orientações sob uma perspectiva bíblica adventista.
Por Diogo Cavalcanti

Livro é uma das poucas referências sobre a relação entre os adventistas e a política (Foto: Divulgação / CPB)
Nos últimos anos, a política passou de um tema de discussão para um campo de batalha. Pautas sociais, culturais, esportivas, científicas e até mesmo temas religiosos têm sido avaliados predominantemente a partir de lentes políticas. Lideranças ganham projeção e se digladiam em confrontos. Enquanto isso, atravessamos uma grave crise institucional, esticando ao máximo o delicado fio da democracia. Em meio a tudo isso, a militância, o ódio político e a desinformação causam tensões nas redes sociais.

Confusão e desinformação

Infelizmente, esse estado de coisas não se restringe à sociedade, mas também alcança o mundo religioso. Com o crescimento da população evangélica e cada vez mais políticos religiosos nas assembleias legislativas, tribunas têm se tornado púlpitos, e os púlpitos, tribunas. No intertexto, vemos uma luta cultural pela preservação de valores antagônicos e um conflito de moralismos conservadores e liberais.


Os cidadãos cristãos se veem confusos pela simpatia a propostas e valores dispersos por todo o espectro político, mas não reunidos em um só lugar. A necessidade de uma argumentação mais educativa e equilibrada acerca dos conceitos sobre política, economia e partidarismo se mostra ainda mais útil, principalmente por uma ótica fundamentada na cosmovisão bíblica. O grande desafio de muitos é conseguir entender contextos ao seu redor sem a interferência de visões, muitas vezes, impregnadas por paixões alinhadas a filosofias e conceitos puramente humanos.


Assim, raciocínios torcidos e incoerentes se contradizem nos discursos de algumas vozes políticas, o que muitos não percebem. Enquanto isso, os horizontes da política e da religião estão se aproximando e por vezes até se unindo. Aliás, como adventistas, temos uma visão profética sobre esse tema.

O que você precisa saber

Diante disso, a Casa Publicadora Brasileira (CPB) lançou o livro Política: O Que Você Precisa Saber (2022, 160 p.), escrito por Marcos De Benedicto, redator-chefe da editora. A obra faz parte da Série Essencial, uma nova coleção sul-americana de volumes introdutórios, eruditos e em uma linguagem acessível, que trata dos temas mais discutidos da atualidade.

Basicamente, antes mesmo de votar e saber se posicionar sobre qualquer questão política, é preciso entender seus conceitos básicos. E é isso o que o livro oferece. Ele parte da necessidade da política, suas origens histórico-filosóficas e demonstra como a Bíblia oferece princípios para nos orientar em uma era de vertigens.

Nas palavras do próprio autor, “o objetivo não é simplesmente definir política ou historiar o pensamento da igreja sobre o tema, mas levar o leitor a refletir sobre o assunto, a discernir padrões, avaliar ideologias, perceber implicações, votar mais conscientemente. Obras técnicas e filosóficas sobre política existem aos milhares. Porém, não temos muitas fontes no âmbito adventista” (p. 13).

O livro não é um documento oficial da igreja nem representa a palavra final sobre o tema, mas se propõe a oferecer orientações objetivas e desapaixonadas sobre ele. A obra está dividida em sete capítulos intitulados: (1) A invenção da política; (2) A política na Bíblia; (3) A visão adventista; (4) A teologia do poder; (5) A política da religião; (6) A batalha dos impérios; e (7) A filosofia da história. Ajuda tanto a compreender os conceitos políticos (política, democracia, ideologia, Estado, direita, esquerda, centro), os sistemas de governo, bem como as ideologias e seus efeitos ao longo da história. Apresenta princípios bíblicos, as orientações de Ellen G. White sobre o tema, relata situações emblemáticas do adventismo, cita documentos oficiais e reflete sobre obras clássicas e pensadores obrigatórios.

O adventismo tem uma identidade própria e uma perspectiva teológica, histórica e profética da política, a qual o livro busca descrever. Em uma era de desinformação, Política é leitura obrigatória, em meio à atmosfera polarizadora e asfixiante. Espera-se que sua leitura leve e bem embasada produza mais esclarecimento, reflexão e uma distinção clara entre política e religião, a cidadania que devemos exercer e os limites que os políticos e os religiosos não devem atravessar. Afinal, é sempre bom encontrar um oásis de bom-senso no deserto das loucuras. Por meio da luz das Escrituras, podemos elevar o debate e redescobrir o que Deus espera de nós como povo e como indivíduos.

Diogo Cavalcanti é teólogo, jornalista e editor de Livros da Casa Publicadora Brasileira.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Por que o Brasil foi eliminado para a Noruega na Copa do Mundo 2026

Com dois gols de Haaland e um pênalti desperdiçado no primeiro tempo, a Seleção Brasileira sofre sua pior eliminação em 36 anos
Brasil não conseguiu empatar e foi eliminado nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026

A Seleção Brasileira se despediu da Copa do Mundo de 2026 no domingo (5) após sofrer uma derrota por 2 a 1 para a Noruega nas oitavas de final.

O fracasso precoce ocorreu devido à incapacidade do Brasil de converter seu domínio inicial em gols, exemplificado por um pênalti desperdiçado por Bruno Guimarães aos 12 minutos do primeiro tempo.

No segundo tempo, a equipe pagou o preço pela desatenção defensiva ao permitir que Erling Haaland marcasse duas vezes na reta final do jogo. Neymar ainda cobrou um pênalti nos acréscimos, mas o resultado sacramentou a pior campanha brasileira em um Mundial desde 1990.

A precisão de Erling Haaland na reta final da partida

O principal responsável pela eliminação brasileira foi a eficiência ofensiva do sistema norueguês, desenhado para municiar seu maior craque. Durante a maior parte do confronto, a defesa brasileira conseguiu isolar o camisa 9, mas o cenário mudou drasticamente nos quinze minutos finais. A Noruega, que priorizou os ataques em transição rápida, encontrou os espaços necessários quando a equipe do Brasil começou a demonstrar forte desgaste físico e desorganização no meio-campo.
os 34 minutos do segundo tempo, o atacante norueguês aproveitou um cruzamento vindo do lado esquerdo e subiu livre de marcação para abrir o placar com um forte cabeceio. A desvantagem forçou o Brasil a se lançar desesperadamente ao ataque, desestruturando a última linha de defesa. Aos 45 minutos, Haaland recebeu um passe na intermediária, teve liberdade para dominar a bola e acertou um belo chute de fora da área no canto esquerdo do goleiro Alisson, selando o destino da partida.
O retrospecto das eliminações brasileiras

A queda para a Noruega não apenas encerrou o sonho do hexacampeonato em 2026, mas também reforçou um dos maiores fantasmas recentes do futebol nacional. Das 18 eliminações sofridas pelo Brasil em toda a história das Copas do Mundo, quinze foram causadas por seleções europeias. O cenário trágico se repete consecutivamente desde o pentacampeonato conquistado em 2002.

Com os dois gols anotados no MetLife Stadium, o centroavante europeu chegou a sete tentos nesta edição do torneio. A marca o colocou no topo da artilharia da Copa do Mundo de 2026, dividindo a liderança com o argentino Lionel Messi e com o francês Kylian Mbappé.

Além do peso continental, a partida manteve um tabu estatístico extremamente incômodo. A equipe principal do Brasil nunca conseguiu vencer a Noruega em jogos oficiais ou amistosos. Com o revés nas oitavas de final, os europeus acumulam agora três vitórias e dois empates em cinco encontros diretos, consolidando-se como um adversário invicto contra os sul-americanos.
Abaixo, o ranking com as seleções que mais causaram eliminações do Brasil em Copas do Mundo:
1. França (três eliminações): A seleção francesa lidera a lista de maiores carrascos do Brasil em Mundiais. Os europeus eliminaram a equipe verde e amarela nas quartas de final das edições de 1986 e 2006, além de terem vencido a memorável final de 1998 pelo placar de 3 a 0 no Stade de France.

2. Holanda (duas eliminações): Os holandeses foram responsáveis por mandar o Brasil mais cedo para casa em duas ocasiões traumáticas. A primeira ocorreu na segunda fase de grupos da Copa de 1974, e a mais recente foi a dura derrota de virada nas quartas de final de 2010, na África do Sul.

3. Itália (duas eliminações): A equipe italiana encerrou a participação brasileira na semifinal da Copa de 1938 e protagonizou a histórica Tragédia do Sarriá na Copa de 1982, quando o atacante Paolo Rossi marcou três gols e eliminou o estrelado time comandado por Telê Santana na segunda fase.

4. Argentina (uma eliminação): Embora seja a maior rival esportiva do continent, a Argentina só eliminou o Brasil em uma única oportunidade. O fato aconteceu nas oitavas de final da Copa do Mundo de 1990, exatamente no mesmo estágio em que a Noruega despachou a Seleção em 2026.

Os erros cruciais sob o comando de Carlo Ancelotti

A expectativa sobre o trabalho de Carlo Ancelotti à frente do Brasil era alta, mas a execução em campo diante da Noruega expôs falhas de criatividade tática e controle mental. A Seleção Brasileira iniciou o jogo com ampla posse de bola e criou oportunidades claras nos primeiros minutos, porém a afobação no terço final do campo prejudicou a construção das jogadas.

O ponto de virada emocional da partida aconteceu logo no início do jogo. Após o árbitro de vídeo marcar um pênalti a favor do Brasil aos 12 minutos, Bruno Guimarães assumiu a cobrança e desperdiçou, parando nas mãos do goleiro Orjan Nyland. O erro gerou nervosismo evidente na equipe, que passou a abusar de jogadas individuais improdutivas e cruzamentos sem direção na grande área norueguesa.

No segundo tempo, Ancelotti tentou mudar o panorama ofensivo ao promover a entrada de Endrick na vaga de Matheus Cunha. O atacante chegou a ficar cara a cara com o goleiro adversário após passe de Vinícius Jr., mas perdeu o tempo exato da bola e finalizou para fora. A falta de contundência do ataque brasileiro contrastou diretamente com o pragmatismo e a letalidade da equipe europeia.

Comunicadores adventistas constroem pontes para a missão

Evento global de comunicação incentiva troca de experiências para otimizar o trabalho da comunicação adventista. Richard Stephenson e Alyssa...