terça-feira, 14 de janeiro de 2025

O que esperar do mundo em 2025, segundo seis correspondentes da BBC

Donald Trump, com suas posturas polarizadoras, promete ser uma figura central em 2025

Em 2025, os vencedores das eleições de 2024 pelo mundo terão a responsabilidade de colocar em prática suas promessas de campanha. Entre os principais líderes, está o novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, ao longo de sua trajetória, se posicionou de forma crítica em relação ao status quo, tanto internamente quanto no cenário internacional.
O mundo também começa o ano envolto em conflitos no Oriente Médio, na Ucrânia e no Sudão, deixando no ar a pergunta: será que veremos algum avanço em direção à paz?

Além das questões geopolíticas, há um tema urgente que afeta a todos: as mudanças climáticas.

Em edição especial do podcast The Global Story (em inglês), correspondentes da BBC em diversos países compartilham suas previsões para o ano de 2025.

A seguir, veja as previsões sobre o que podemos esperar nos próximos 12 meses.

Um novo mandato de Trump

Muito do que acontecerá em 2025 será determinado pelas ações de Donald Trump, que retorna à Casa Branca para um segundo mandato. Ele prometeu uma grande reformulação no governo, além de enfrentar duas grandes guerras e uma possível guerra comercial, caso cumpra suas ameaças sobre tarifas.
Pule Novo podcast investigativo: A Raposa e continue lendo
Logo: A Raposa
Novo podcast investigativo: A Raposa

Uma tonelada de cocaína, três brasileiros inocentes e a busca por um suspeito inglês


Fim do Novo podcast investigativo: A Raposa



Anthony Zurcher, correspondente sênior da BBC para a América do Norte, destaca que, pelas primeiras nomeações de Trump, seu foco estará nas questões que dominaram sua campanha: restringir a imigração e combater déficits comerciais, utilizando tarifas como ferramenta para fortalecer economicamente os Estados Unidos.

Nomes como Stephen Miller, conhecido por sua postura anti-imigração, foram novamente chamados para a Casa Branca. Além disso, Tom Homan, que liderou a política de separação de famílias na fronteira durante o primeiro mandato de Trump, ocupa agora um cargo estratégico na área de imigração.

Na economia, escolhas como a de Scott Bessent, indicado como secretário do Tesouro, seguem uma linha mais tradicional, enquanto Peter Navarro (conselheiro de Comércio e Indústria), defensor do uso de tarifas, deve desempenhar um papel crucial.

Outras indicações incluem figuras como Tulsi Gabbard, diretora de Inteligência Nacional e crítica de políticas intervencionistas, e Robert F. Kennedy Jr., nomeado secretário de Saúde e conhecido por sua oposição às grandes farmacêuticas.

"A administração Trump parece se cercar de pessoas que foram críticos do governo atual, com a intenção clara de reconstruí-lo desde suas fundações. A forma como essas escolhas impactarão o cenário político e econômico dos Estados Unidos, e até mesmo do mundo, será um dos principais fatores a moldar 2025", analisou Zurcher no programa.

Zurcher aponta também que lições foram aprendidas no primeiro mandato, quando faltou preparação e Trump precisou contar com republicanos mais tradicionais, gerando conflitos. Desta vez, ele está cercado por aliados leais que compartilham sua visão de populismo conservador.

Há também uma estratégia para evitar obstáculos legais e burocráticos, com planos claros para começar a implementar já nos primeiros dias de governo

O que esperar da política externa de Trump
Em 2016, acreditava-se que Trump transformaria as relações entre EUA e Rússia, mas o primeiro mandato trouxe mais sanções e relações tensas

Na política externa, Trump prometeu "acabar com as guerras".

"Os Estados Unidos têm sido o maior apoiador da Ucrânia desde a invasão russa em 2022. Trump, no entanto, tem demonstrado simpatia por Vladimir Putin e uma abordagem mais cética em relação ao apoio contínuo à Ucrânia. Ele prioriza o fim das hostilidades, mesmo que isso signifique concessões desfavoráveis para a Ucrânia", diz o correspondente.

"No Congresso, os republicanos também estão mais céticos quanto ao apoio à Ucrânia, o que pode mudar drasticamente a posição americana no conflito. Isso forçará a Ucrânia a buscar formas de encerrar a guerra em termos menos ideais."

Segundo Steve Rosenberg, editor da BBC na Rússia, para o país de Putin, as expectativas são mais baixas desta vez. Em 2016, acreditava-se que Trump transformaria as relações entre EUA e Rússia, mas o primeiro mandato trouxe mais sanções e relações tensas. Agora, com Trump menos limitado politicamente, há esperanças de que ele implemente políticas mais favoráveis a Moscou.

Putin, no entanto, continuará buscando vantagens, como manter territórios ucranianos ocupados e garantir que a Ucrânia não se junte à Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Internamente, o Kremlin tentará apresentar qualquer acordo como uma vitória para a Rússia, mesmo com sinais de cansaço da população após três anos de guerra.
Guerra comercial com a China?

E na China, segundo Laura Bicker, correspondente da BBC em Pequim, o país está se preparando para uma possível nova guerra comercial.

Embora isso preocupe o país, os chineses diversificaram sua economia desde a primeira guerra comercial, fortalecendo laços com países como Brasil, Índia e Austrália.

A China também busca consolidar sua influência global, investindo em infraestrutura em países da África, América do Sul e Sudeste Asiático.

Apesar de ser vista como parte de um "eixo de poder" com Rússia, Irã e Coreia do Norte, a China deseja projetar uma imagem de liderança global independente, contrastando com os EUA.

Bicker aponta que, olhando de fora, países como Rússia e China, que querem ver a União Europeia e a Europa mais amplamente — e, de forma geral, o Ocidente – mais divididos, fraturados e enfraquecidos, não estão exatamente desapontados com o que estão vendo.

Eles observam a evolução na Alemanha, na França, e o impacto que isso tem na UE e na liderança dentro da Otan. Eles também olham para o retorno de Donald Trump à Casa Branca em janeiro e as divisões que isso pode causar no Ocidente.

"A turbulência na Europa não afeta diretamente o que Donald Trump pensa. Ele não é um fã da União Europeia — isso ele já deixou bem claro. Ele é fã, segundo suas próprias palavras, de tarifas. Trump diz que tarifas são 'a palavra mais bonita do dicionário' no que lhe concerne."

"Donald Trump, como sabemos, não acredita em situações de "ganha-ganha", onde ambas as partes na negociação ou no debate, por assim dizer, possam vencer. Ele acredita que há apenas um vencedor, e ele quer que seja ele. Ele quer que sejam os Estados Unidos. Ele vê a Europa de duas maneiras que o irritam profundamente."

Sobre gastos com defesa, Donald Trump não está sozinho entre os presidentes dos EUA nesse ponto — sente que a Europa, por muito tempo, tem sido dependente dos Estados Unidos, especialmente dentro da aliança militar da Otan.

"Ele acredita que os países europeus não gastam o suficiente com sua própria defesa, confiando demais na força militar dos EUA."

Trump acredita que a Europa deveria aumentar seus gastos com defesa e depender menos dos EUA

Na prática, explica, vemos isso na Ucrânia. São 50 países que têm doado ajuda à Ucrânia, militar e de outros tipos. Quando analisamos a ajuda militar, os EUA são, de longe, o maior doador, contribuindo com mais de 50%.

Trump diz: "Pessoal, isso não é justo. Esta é uma guerra que está acontecendo na Europa. Vocês não podem esperar que façamos tudo isso."

O segundo ponto que o irrita, explica a correspondente, é o comércio.

Trump não gosta de déficits comerciais. Ao observar a UE — e também o Reino Unido —, os EUA são o maior parceiro comercial. Quando se trata da UE, há um déficit comercial: a UE exporta mais para os Estados Unidos do que importa deles. Durante seu primeiro mandato, Trump ficou furioso com isso, fez várias ameaças e impôs tarifas em setores como o do aço.

Desta vez, ele diz que quer impor tarifas abrangentes, de 20% sobre todas as importações, e possivelmente mais altas para setores como veículos elétricos. Isso preocupa muito a Alemanha, cuja economia já é frágil e depende bastante da indústria automobilística. Isso gerou uma espécie de pânico na Europa.

No comércio, a Europa tenta mostrar disposição em comprar mais gás natural liquefeito (GNL) e equipamentos militares dos EUA, à medida que aumenta seus gastos com defesa.

"Além disso, a Europa busca intermediários que possam dialogar com Trump e criar uma ponte entre Europa e Estados Unidos. Mas esses intermediários não virão da França ou da Alemanha neste momento."

O conflito entre Israel e Hamas, que continua a afetar a região, tem gerado uma série de questões complexas, com os reféns sendo uma das principais preocupações.

Durante a guerra, a principal dúvida era sobre quantos reféns ainda estavam vivos, se poderiam fornecer provas de vida e como as trocas de prisioneiros entre Israel e Hamas aconteceriam. Em meio a essas incertezas, as exigências de Israel, como a presença militar na Faixa de Gaza, permanecem no centro das discussões.

Apesar disso, há uma esperança de que 2025 seja o ano em que finalmente um acordo seja alcançado, trazendo os reféns de volta para casa e encerrando o sofrimento das famílias e a agonia dos palestinos em Gaza.
Ações militares de Israel em Gaza e em outras partes do Oriente Médio devem continuar com apoio dos EUA sob Trump

Apoio a Israel

Em relação à sustentabilidade militar de Israel em 2025, a situação parece ser de continuidade. Israel já demonstrou sua disposição em agir de acordo com seus interesses, realizando ações militares no Líbano, Síria e Iêmen.

Com a política externa de Israel claramente definida e assertiva, é provável que esses ataques se mantenham, caso os interesses israelenses sejam ameaçados.

O governo de Israel, especialmente sob a liderança de Benjamin Netanyahu, tem sido fortalecido, com o apoio dos Estados Unidos, que, sob a presidência de Donald Trump, provavelmente continuará a apoiar as ações israelenses, especialmente em relação à expansão dos assentamentos na Cisjordânia e nas Colinas de Golã.

Com a volta de Trump à Casa Branca em 2025, a política de apoio incondicional a Israel deve continuar, especialmente com a nomeação de uma equipe que compartilha da visão de extrema-direita de Netanyahu.

A construção de assentamentos na Cisjordânia deve ser incentivada, com discursos sobre a colonização de Gaza surgindo no horizonte. Para Israel, 2025 pode ser um ano decisivo para o cumprimento de seus objetivos políticos e territoriais.

"Israel deixou absolutamente claro que agirá em seu próprio interesse, seja isso significando a invasão terrestre de 2024, os ataques no coração de Beirute. Isso significa atacar os houthis do Iêmen, de onde quer que eles estejam atacando alvos israelenses. Significa entrar na Síria, mesmo enquanto a Síria celebra o fim de meio século ou mais do regime repressivo da família Assad, um momento muito sensível também", diz Lyse Doucet, correspondente-chefe internacional da BBC.

Lyse Doucet lembra que Israel realizou centenas de ataques a mísseis e invadiu o território sírio, ocupando a zona de segurança desmilitarizada, apesar dos apelos das Nações Unidas e de outros países para recuar.

"Então, 2024 foi um ano em que todas as linhas vermelhas foram cruzadas e Israel estabeleceu sua própria linha vermelha, que não permitirá nenhuma ameaça à sua soberania. E então acho que isso continuará, e ficou claro que continuará atacando no Líbano se sentir que seus interesses estão ameaçados novamente. Este é um Israel muito fortalecido e muito assertivo, colocando Israel em primeiro lugar."

A queda de Assad e o futuro no Oriente Médio

Em 2024, um dos momentos mais surpreendentes do cenário internacional foi a queda da dinastia Assad na Síria.

Apesar dos desafios, o povo sírio parece seguir em frente com um otimismo cauteloso. Embora ainda não esteja claro quem é o governante de fato, com Ahmed al-Shara assumindo a liderança sob o nome de guerra de Abu Mohammed al-Jilani, ele ainda não expandiu seu governo para incluir outros grupos fora do Hayat Tahrir al-Sham (HTS), com o qual ele tem forte vínculo.

Isso cria incertezas sobre o futuro da administração síria, especialmente porque Shara e seu grupo continuam buscando a remoção das sanções internacionais, o que é essencial para a recuperação do país. Até que isso aconteça, a Síria, com 90% de sua população abaixo da linha da pobreza, permanecerá em crise, sem acesso a recursos básicos.

Enquanto isso, outros países como Catar, Egito e Arábia Saudita têm desempenhado papéis importantes como mediadores no Oriente Médio. O Catar, por exemplo, se considera uma potência mediadora e mantém relações com diversos grupos, como o Talebã e o Hamas, além de manter uma forte aliança com os Estados Unidos.

O Egito, com seu interesse direto na estabilidade de Gaza, também se envolve, buscando equilibrar suas relações com os EUA e lidar com questões internas, como o combate ao extremismo islâmico. Esses países continuarão, sem dúvida, a moldar a dinâmica regional em 2025, em um contexto onde a diplomacia será essencial para os interesses de todas as partes.
Futuro da Síria após queda de regime de Bashar al-Assad ainda é incerto

Os maiores conflitos na Africa

Na África do Sul, em 2024, vimos o Congresso Nacional Africano (CNA) perder o controle total na África do Sul, após 30 anos no poder. Além disso, a crise humanitária alimentada pela guerra civil no Sudão continua a se intensificar.

Em maio, o país viu a formação de um governo de unidade nacional, após a queda do CNA nas eleições.

Alan Kasujja, apresentador do podcast Africa Daily da BBC, explica que as expectativas para o CNA não eram altas. "Sabíamos que o CNA estava lutando em várias frentes. Perderam muitos assentos importantes e as pessoas esperavam que enfrentassem dificuldades para formar o governo", afirmou.

O que ninguém previu foi o resultado de 40% dos votos, que foi um grande choque para muitos. Com isso, o CNA teve que se unir ao Partido da Aliança Democrática (AD), com quem teve desentendimentos nos últimos 30 anos. Kasujja observou que muitos estavam surpresos com o sucesso inicial da aliança. "Muitas pessoas com quem conversei estão agradavelmente surpresas. Está funcionando, de certa forma", afirmou.

No entanto, a aliança enfrenta desafios, especialmente em questões políticas como a educação. "O africâner deve continuar sendo uma língua de instrução? A AD acha que sim, enquanto o CNA se opõe a isso", explicou Alan Kasujja.

Apesar das divergências, os dois partidos estão colaborando em várias áreas. "Ambos são partidos centristas, o CNA sendo centro-esquerda e a AD centro-direita, o que facilitou essa colaboração", acrescentou. A expectativa é que a aliança continue funcionando em 2025.
Lança da Nação, em língua zulu uMkhonto weSizwe (MK), foi criado como o braço armado do Congresso Nacional Africano (ANC) em 1961

Sobre o Sudão, o apresentador relembrou que a situação do país frequentemente é citada como uma "guerra esquecida".

"É impossível falar sobre a África sem mencionar a crise humanitária no Sudão", disse. "É horrível o que está acontecendo lá."

Mais de 11 milhões de pessoas foram deslocadas, muitos refugiados se encontram no Egito e Uganda, e a situação parece longe de melhorar.

A crise sudanesa continua a ser um dos maiores desafios da região, com poucas perspectivas de resolução, enquanto milhões de pessoas continuam a sofrer as consequências do conflito.

Em agosto, houve tentativas de negociações. Mas as pessoas simplesmente não compareceram. Alguns analistas acreditam que 2025 pode ser ainda mais difícil para o Sudão.

Atualmente, há uma pequena abertura, com caminhões sendo autorizados a entregar alimentos em algumas regiões.

Os aeroportos voltaram a operar em algumas partes do país, no norte, permitindo o fluxo de ajuda humanitária. Mas, de modo geral, enquanto a guerra não parar, muitos problemas continuarão afetando o Sudão.
Soldados do exército sudanês patrulham uma área no norte de Cartum em 3 de novembro de 2024

A África agora é o continente mais jovem do mundo, e em 2024 vimos uma série de protestos no Quênia e na Nigéria, principalmente por parte de millennials e da Geração Z por conta da falta de oportunidades.

"Ninguém esperava que o problema no Quênia persistisse até agora. Começou com a introdução de uma proposta de lei fiscal pelo governo. Muitos jovens se opuseram, pois sentiram que o governo de William Ruto já estava sobrecarregando a população com impostos. E as pessoas estão lutando."

"Existe, de fato, um grande problema com o custo de vida no mundo inteiro, não só na África, mas em todo lugar. Esses países têm enfrentado dificuldades. Quando você vê que os jovens são a maioria, não têm empregos e a classe política está ostentando sem se preocupar com a situação da maioria, isso sempre vai gerar problemas", diz Kasujja.

Ele explica que jovens de todas as classes sociais se uniram, protestando contra o governo.

"Agora, se não nos levantarmos contra o governo, os problemas que herdaremos serão muito maiores do que os que vemos atualmente", diz , mencionando também que a mesma situação se repete na Nigéria.

"Isso vai continuar em todo o continente, a menos que os governos mostrem algum nível de resposta à situação dos jovens. Tivemos ministros no Quênia exibindo seus cintos e relógios caros na televisão, e os jovens pensaram: 'Por que você está usando um relógio de 50 mil dólares enquanto mal consigo pagar comida?'"

Kasujja aponta sobre os avanços no combate ao HIV na África Subsaariana, um dos lugares mais afetados pela doença. O novo medicamento para prevenção e tratamento do HIV, que seria administrado apenas duas vezes por ano, está causando grande expectativa.

"Para nós, isso é algo muito pessoal. Sou da época em que o HIV era visto como uma sentença de morte. Quando você ouve que há um medicamento que pode mudar isso, é um marco."
O clima

Na sequência, o editor de clima da BBC, Justin Rowlatt, fala sobre os desafios e esperanças em relação às metas climáticas globais.

Ele comenta que, embora as emissões de gases de efeito estufa ainda não tenham atingido seu pico, há uma chance de que isso aconteça em 2025.

"Este é um momento civilizacional. Nossa economia sempre foi baseada em combustíveis fósseis. Se conseguirmos atingir o pico das emissões e começar a reduzi-las, isso será um grande avanço para a sociedade."

Sobre a China, Rowlatt destaca que, apesar de ser o maior emissor do mundo, também é líder mundial em energia verde, com grandes investimentos em energia renovável. A expectativa é que esses investimentos possam ajudar a diminuir as emissões de carbono do país, o que teria um grande impacto global.

No entanto, a chegada de Donald Trump à presidência dos EUA novamente levanta preocupações sobre o futuro das políticas climáticas.

"Trump sempre foi cético sobre as mudanças climáticas, e sua postura em relação à energia verde não é clara. Ele tem dito que vai reverter muitas das políticas do governo Biden, o que pode atrasar a transição energética", afirma.

O ano de 2025 será crucial para o futuro do clima. "Os países têm até fevereiro para apresentar seus compromissos nacionais de redução de emissões. Esperamos que sejam ambiciosos, pois isso determinará a trajetória dos próximos anos", conclui Rowlatt.

Ele também menciona as esperanças em torno de eventos climáticos importantes em 2025, como a COP 30 no Brasil, que poderá ser decisiva para o futuro do planeta.

"Esperamos que, durante a COP 30, os países realmente se comprometam a cortar suas emissões de carbono de maneira ambiciosa", afirma."Será um ano muito importante para as questões climáticas, e estamos todos atentos ao que acontecerá."






Planejamento financeiro

2 minutos de leitura
Especialista oferece dicas de como manter o orçamento saudável


Mais de 70 milhões de brasileiros encerraram 2024 em situação de inadimplência, um dado que ressalta a importância da educação financeira. Para ajudar indivíduos e famílias a equilibrar o orçamento e glorificar a Deus nessa área da vida, a igreja na América do Sul promoverá neste ano o livro Embaixadores do Reino (CPB, 2024), de Camila Russo. Entrevistada desta edição, a autora é planejadora financeira, graduada em Administração de Empresas, possui mestrado em Finanças e atuou durante 13 anos no setor bancário.

Quais hábitos podem ajudar a alcançar uma boa organização financeira?

O primeiro passo é ter clareza sobre sua situação financeira, registrando todas as entradas e saídas de dinheiro. Além disso, é fundamental adotar o hábito de gastar menos do que se ganha, investir a diferença, planejar cada compra com antecedência e evitar dívidas.

Como elaborar um orçamento saudável para 2025?

Um orçamento saudável possui duas características principais: saldo positivo, que significa gastar menos do que se ganha, e sustentação, que envolve respeitar os limites da sua realidade particular. A maioria das pessoas não tem recursos suficientes para realizar tudo o que deseja. Por isso, ao planejar as finanças para o novo ano, é essencial estabelecer prioridades. Em um orçamento familiar, o diálogo é indispensável. Definir objetivos e acordos em conjunto ajuda a conscientizar cada membro da família, promovendo o comprometimento necessário para juntos alcançarem o equilíbrio financeiro.

Quais estratégias podem ser adotadas para se libertar das dívidas?

Contraímos dívidas quando gastamos mais do que ganhamos. Se não enfrentarmos a causa desse problema, permaneceremos presos em um ciclo de sair de uma dívida para entrar em outra. Para romper esse padrão, comece eliminando todos os gastos supérfluos e, se necessário, reduza também os essenciais, encarando esse sacrifício como temporário até equilibrar as finanças. Identifique bens de valor que possam ser vendidos e use o dinheiro para abater as dívidas. Além disso, considere realizar trabalhos extras para aumentar a renda e acelerar a amortização. Por fim, negocie com os credores, buscando descontos ou condições de parcelamento mais adequadas, e mantenha o foco até quitar todas as dívidas.

Nossas finanças são um reflexo das escolhas que fazemos?

Tipo de moradia, meio de transporte, escola em que os filhos estudam… Cada escolha que fazemos impacta diretamente o nosso custo de vida. O ideal é que ele seja compatível com a nossa renda. Se essa compatibilidade não existir, será necessário recorrer a dívidas para sustentá-la. Além disso, as finanças podem ser afetadas por imprevistos, como um vazamento repentino que precisa ser consertado às pressas. Por isso, é fundamental manter sempre uma reserva financeira, a fim de estar preparado para imprevistos como esses e evitar ser pego de surpresa.

Que papel a Bíblia atribui à administração de recursos? De que forma esses princípios podem promover o equilíbrio financeiro?

Pela Bíblia, compreendemos que nós somos mordomos dos recursos que Deus nos confiou. Hoje em dia, fala-se muito sobre liberdade e independência financeira, que são objetivos elevados. No entanto, a Bíblia nos apresenta um alvo ainda mais sublime: ser rico para com Deus. Ter dinheiro é uma bênção, desde que o utilizemos para servir aos interesses do Senhor. Caso contrário, seremos miseráveis e infelizes, mesmo que tenhamos muito dinheiro.

(Entrevista publicada na Revista Adventista de janeiro/2025)

Mentiras sobre o PIX se espalham e alimentam golpes com boletos falsificados

Vídeos também falam sobre uma suposta cobrança de um imposto do PIX, que vai prejudicar o pequeno comerciante. Isso não vai acontecer, é fake.No Brasil, estão se multiplicando golpes com boletos falsificados enquanto circulam nas redes sociais mentiras sobre o PIX. Quem explica é a Paula Paiva, da equipe de checagem de informações do Grupo Globo, o Fato ou Fake.

A onda de desinformação começou nas últimas semanas depois da atualização no sistema de acompanhamento financeiro da Receita Federal. Essas regras novas têm gerado muitas dúvidas, o que é normal. Mas no meio disso, ainda tem golpistas tentando se aproveitar.

Uma das mensagens falsas é esta aqui: a foto de perfil usa um símbolo que imita o logo da Receita. E aí o texto diz que a pessoa foi taxada por usar mais de R$ 5 mil no PIX no mês, e que ela precisa pagar R$ 845 para evitar o bloqueio do CPF. É golpe.

E como identificar que uma mensagem é falsa? Uma coisa a se perguntar é: será que isso é mesmo da Receita? Verifique a autenticidade. A Receita, por exemplo, não envia cobrança ou comunicado por WhatsApp, SMS ou rede social. As informações são sempre pelo portal oficial e-CAC.

Tem também uma série de vídeos nas redes sociais falando sobre uma suposta cobrança de um imposto do PIX, que vai prejudicar o pequeno comerciante, o pipoqueiro, o vendedor da praia. Isso não vai acontecer. Isso é mentira. Nada mudou para o contribuinte.

A nova obrigação de passar informações para a Receita Federal vale para as instituições financeiras. Há mais de 20 anos, a Receita já recebe dos bancos informações sobre transações com cartão de crédito e transferência bancária de pessoas físicas a partir de R$ 2 mil e empresas a partir de R$ 6 mil por mês. Agora, novos meios de pagamentos que surgiram, como o PIX, vão ser levados em conta. O valor mínimo que vai ser informado passou para R$ 5 mil mensais para pessoas físicas e R$ 15 mil para empresas. E aí a Receita vai checar se as movimentações fornecidas pelos bancos são compatíveis com o que a pessoa declara no Imposto de Renda.
Para tirar todas suas dúvidas e checar o que é verdade e o que é mentira, baixe o app na loja de aplicativos do celular, busque g1, é grátis.


terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Velhas promessas de ano-novo

3 minutos de leitura
Para não se frustrar novamente em 2025, você precisa aprender uma simples lição da natureza
     
   
  
Qual é sua lista de resoluções para 2025? Uma rápida passada pelo Google, um bate-papo casual com amigos ou a leitura dos principais jornais lhe darão boas sugestões. É verdade que você não pode esperar muita originalidade dessas fontes; afinal, parece que a maioria de nós deseja as mesmas coisas: emagrecer, gastar mais tempo com a família, praticar exercícios físicos, abandonar um vício, controlar as finanças, viajar e estudar.

Os cristãos costumam acrescentar a essa lista o desenvolvimento das disciplinas espirituais, como leitura da Bíblia, oração e o culto familiar. Porém, se você quer ter sucesso nas metas para o ano novo é preciso prestar atenção a uma lição simples e eficaz da natureza: bons frutos são o resultado de raízes saudáveis.

Isso é tão verdade que as resoluções tomadas sob o encanto dos fogos de artifício costumam durar pouco tempo. Segundo o psicólogo Richard Wiseman, em seu livro Quirkology: How We Discover the Big Truths in Small Things (Basic Books, 2007), uma pesquisa realizada na Inglaterra há dez anos mostrou que apenas 10% dos entrevistados tiveram êxito com suas promessas de ano-novo.

Existem muitas razões para isso. Uma delas pode ser nossa crença infantil na cantiga “adeus ano velho, feliz ano-novo!” Não me entenda mal, eu também me encanto com as celebrações de fim de ano. Porém, à parte da festa, esse “mantra” comunica um conceito equivocado: que o velho seja ruim, incompleto e descartável, enquanto o novo é desejável. É como se o “novo” mudasse tudo simplesmente por ser novo. Será? Na realidade, ano-novo significa a continuidade da vida, da velha vida. Para que isso seja diferente, é preciso haver mudança no nível das raízes. Só então poderemos experimentar vida renovada. Sorte, acaso ou destino têm pouco ou nada que ver com sucesso ou fracasso no ano-novo.

Voltando à questão das raízes, o livro bíblico dos Salmos, que tem servido de guia espiritual para milhões de pessoas há milhares de anos, não sem razão traz em sua primeira poesia esse ensino da natureza. Segundo o texto bíblico, a pessoa espiritualmente renovada é “como árvore plantada à beira de águas correntes: Dá fruto no tempo certo e suas folhas não murcham. Tudo o que ele faz prospera!” (Sl 1:3). Em outras palavras, as metas e resoluções dessa pessoa terão êxito. A verdade é que na espiritualidade, podemos até simular a aparência de fruta, mas apenas uma árvore com raízes saudáveis pode produzir frutas saudáveis.

Resoluções de ano-novo são importantes. Porém, mais importante é realizar e colher os resultados positivos das metas estabelecidas. Para isso, é preciso concentrar forças no que realmente produzirá os resultados que desejamos. Nessa direção, sugiro que você tome uma lista bíblica, que contempla valores relacionados ao nível das raízes da espiritualidade. Os leitores da Bíblia conhecem essa lista como “os frutos do Espírito”: amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (Gl 5:22, 23).

Uma paráfrase do texto bíblico parece tornar mais claro como essas virtudes poderiam compor uma boa lista de resoluções de ano-novo:


“Vamos falar da vida com Deus. O que acontece quando vivemos no caminho com Deus? Deus faz surgir dons em nós, como frutas que nascem num pomar: afeição pelos outros, uma vida cheia de exuberância, serenidade, disposição de comemorar a vida, um senso de compaixão no íntimo e a convicção de que há algo de sagrado em toda a criação e nas pessoas. Nós nos entregamos de coração a compromissos que importam, sem precisar forçar a barra, e nos tornamos capazes de organizar e direcionar sabiamente nossas habilidades” (A Mensagem).

Vejo nessa lista de valores bíblicos as “raízes” para os desejos mais comuns de ano-novo (veja o quadro abaixo). Por isso, creio que precisamos nos concentrar em desenvolver raízes saudáveis, a fim de que os frutos desejados venham naturalmente. Essa renovação espiritual começa no comprometimento sem reservas com Deus, se reflete na presença diária do Espírito na vida e resulta no desenvolvimento de um caráter semelhante ao de Jesus.

quadro-paulinho

Quem deseja colher melhores frutos em 2025 precisa se concentrar primeiramente nas raízes e o restante será consequência. Se a mudança não ocorrer nesse nível, o ano velho continuará conosco e o ano-novo não começará no dia 1º de janeiro.

Feliz ano novo!

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Mensagem de ano novo - O Bom do Melhor

Conselhos para lembrar 2024 e viver 2025

Não existe ano que não acabe. Nem hoje que não vire ontem. Se o tempo só vai pra frente, pra que atrasar os ponteiros? Ou engatar marcha-ré ladeira abaixo? Entenda de uma vez, antes que seja tarde demais: olhar pra trás enxergando o que passou é ordem imediata pra se desprender – do ontem, da mágoa, do que foi. Isso mesmo! Levantar âncora, bater a poeira, virar a página e seguir em frente no roteiro da sua vida digna de um épico “feliz para sempre”. Está longe disso? Ora, então é porque não chegou ao fim. E ponto final. Ou vírgula, de uma poesia que avança recitada por Deus.

Pelo menos eu, quando penso no que larguei pra trás, fico pasmo perante tantas performances. Sobre o palco do meu ano que me equilibrei, sapateei, talvez até esperneei. Convivendo com tantos seres, alguns visíveis e muitos invisíveis, vi coisas boas e más. Conheci pessoas do bem e me chateei com os anjos do mal. E nesta dança de passos trôpegos, chamada “sobrevivência”, até acertei o ritmo das intenções heróicas, mas perdi o rebolado nas atitudes humanizadas. Pois já que tudo o que o ser humano põe o dedo vem com pecado junto, erraram muito comigo – e como! – só que eu também errei muito com outros – nem fale!

Ok, e agora? Ficar remoendo as pedras de tropeço ou mirar o horizonte de seus anseios mais nobres? Olhar pessoas ou sentir com a alma? Eu ainda acredito que aquilo que machuca o coração é o que amadurece o caráter. Não dos que usaram de má fé contra você, e sim, da sua fé superficial que se tornou abissal, profunda e grandiosa. Ou você acha que o tamanho de um grão de mostarda se conquista sem angústia, silêncio e incoerência? Nem pensar! Do lado de cá do Céu, o Getsêmani de cada um de nós sempre incluirá o beijo da traição, a solidão da madrugada e a perseguição incompreensível. Com uma diferença: o Salvador estava acima de qualquer suspeita, e nós rastejamos bem abaixo da natureza perfeita.

Portanto, julgue a si mesmo bem antes de se tornar algoz alheio. Se pegaram no seu pé, ofereça a mão. Tombou? Reinvente-se de joelhos dobrados superando a frustração da rasteira. É na luta com Deus que se ganha a batalha dos homens. Se Ele é capaz de por rédeas aos ventos regendo a força dos mares, não surpreenderá norteando sua preciosa vida? Não duvide: o melhor de tudo está sempre um pouco adiante! E no abraço dos Céus você ressurgirá das cinzas desta Terra.

Quando lembro que, tempos atrás,  perdi duas pessoa que mais amo no mundo – minha mãe e minha irmã– sinto um calafrio imediato despertando minha apatia. Reclamar do quê? Passar de raspão na terrível possibilidade de lamentar num cemitério enxuga imediatamente qualquer lágrima provocada por outros seres mais falíveis. Se Deus liberta nossa família de tragédia, de um acidente, por que eu iria me incomodar com um sapato apertado? Jamais! À sombra do muito pior, não deixarei que o melhor estrague o maravilhosamente bom. Se minha vida está sob as vistas do Senhor, valorizarei os alicerces firmes da minha felicidade ainda que a tinta do arranha-céu pareça um tanto pichada. Afinal de contas, “todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus e são chamados segundo o SEU propósito” (Romanos 8:28 – grifo acrescentado e importantíssimo!).

E você? Precisa se desamarrar dos outros, ignorar certas coisas, e re-iniciar seu hard-disk de boas lembranças? Não permita que a esperança seja eclipsada pela irrelevância. Aqui na minha sala, com uma princesa no colo e uma rainha nos braços, percebo a verdadeira benção do meu ano. Olhando pra cima, e até um pouco envergonhado, agradeço a Deus por me “desconsiderar algumas vezes” me considerando tanto em todas as outras. Se o que não deu certo foram apenas arranhões, o que deu certo nos átrios da providência divina foi tão incrível cujo reconhecimento não cabe nas palavras.

Obrigado, Senhor! Por sempre me amar como não faço por merecer. Por um ano infinitamente além da minha visão de aquém. E pela vida eterna que ficou ainda mais próxima após este 2024.

Em família. Que é tudo.

Pr. Odaílson Fonseca

domingo, 29 de dezembro de 2024

Alerta de pássaros, emergência e aterrissagem sem trem de pouso: os eventos que levaram ao pior desastre aéreo da Coreia do Sul; INFOGRÁFICO

Acidente com Boeing 737-800, da Jeju Air, deixou 179 mortos na noite deste sábado (28); dois tripulantes sobreviveram.


O que se sabe sobre acidente de avião na Coreia do Sul — Foto: Editoria de Arte/g1

Um acidente aéreo deixou 179 mortos na Coreia do Sul na noite deste sábado (28), horário de Brasília (DF). Segundo as autoridades locais, um avião explodiu após sair da pista e bater contra um muro no Aeroporto de Muan, no sul do país. Havia 181 pessoas a bordo; duas sobreviveram.

1. O Boeing 737-800 da Jeju Air decolou de Bangkok a 1h30, no horário local, com 181 pessoas a bordo, sendo 175 passageiros e seis tripulantes.

2. Ao se aproximar de Muan, onde deveria pousar, o avião foi visto voando baixo no entorno do aeroporto. Segundo o site de monitoramento de voos FlightRadar24, a manobra poderia indicar uma "passagem baixa", procedimento realizado quando a tripulação não tem certeza se o trem de pouso está devidamente abaixado. O objetivo é que o controle de tráfego aéreo confirme visualmente se isso aconteceu.
3. No entanto, o trem de pouso do Boeing ainda estava recolhido.
4. Às 8h54, os pilotos foram alertados pela torre de controle sobre o risco de colisão com pássaros antes de pousar.

5. Vídeos gravados momentos antes do acidente mostram um dos motores do avião pegando fogo, uma situação compatível com sucção de pássaros.

6. Às 8h59, os pilotos declararam emergência.

7. Um passageiro que estava na aeronave chegou a mandar uma mensagem de texto para a família avisando que um pássaro havia batido no avião, o que estava prejudicando o pouso.

8. Às 9h03, o Boeing aterrissou com o trem de pouso recolhido. Em alta velocidade, ele saiu da pista, bateu contra um muro do aeroporto e explodiu.
9. Dois tripulantes, um homem e uma mulher, foram resgatados com vida da cauda em chamas da aeronave. As outras 179 pessoas a bordo morreram.


Tudo sofre, tudo suporta

A frase é bíblica e se refere ao amor, mas usada fora do contexto pode acabar reforçando um transtorno emocional: a codependência.
Por Rosana Alves | Brasil     29 de dezembro de 2024
É importante aprender a diferenciar entre relacionamento saudável e dependência emocional. (Foto: Shutterstock)
Está na Bíblia: primeira carta do apóstolo Paulo aos Coríntios, capítulo 13 e versículo sete. Porém, quando lemos essa frase, popularizada em poemas e canções, não podemos confundir amor saudável com dependência de vínculo afetivo.
Há quem diga que um pouco de ciúme não faz mal. É o tipo de gente que gostaria que seu par romântico cometesse alguma loucura em nome do amor. Porém, quando sentimentos como ciúme, loucura e possessão surgem, eles costumam ser destrutivos. Aparecem camuflados de cuidado e amor incondicional, mas, aos poucos, se revelam extremamente danosos.
Dependência doentia
A dependência de vínculo ou codependência é um transtorno emocional caracterizado pela falta de habilidade de manter relacionamentos saudáveis, o que gera muita insatisfação e desconforto. Quem sofre disso acredita que a própria felicidade depende exclusivamente do outro e, por isso, age muitas vezes sem reflexão e bom senso. O codependente, por sua vez, acredita ser o responsável pela alegria ou tristeza do dependente.
Para ficar bem claro, podemos definir a dependência e a codependência como um processo de mão dupla: o dependente desenvolve uma ligação incontrolável pelo seu objeto de desejo e o codependente estabelece uma relação de sujeição ao dependente. Um reforça o comportamento inadequado do outro, criando um relacionamento doentio.
A necessidade desenfreada de estar com o outro, como única forma de ser feliz, resulta em relacionamentos não saudáveis, marcados por culpa e sofrimento. O parceiro se torna o centro da vida do dependente e todas as áreas da existência são impactadas por causa disso.
Estar com o outro, fazê-lo feliz, torna-se uma necessidade e não um prazer. E é nesse contexto que o codependente permite abusos, pois tem medo de perder o parceiro. O senso de posse, o ciúme doentio e o desejo de exclusividade são também características frequentes na dependência de vínculo. Por isso, se o relacionamento não traz alegria, mas constante sofrimento e tristeza, é preciso prestar atenção. A percepção distorcida pode chegar a tal ponto que o dependente não consegue imaginar sua vida sem seu objeto de desejo.
Esse tipo de idolatria pelo outro pode acabar levando a uma tragédia. Fico pensando em quantas garotas não estão sendo iludidas por rapazes sedutores e perigosos. E quantos garotos estão entrando em verdadeiras prisões emocionais. Vale lembrar que crimes passionais não fazem parte apenas do enredo de filmes, novelas e seriados, mas das estatísticas da vida real.
Creio que ficou claro até aqui o quão distinto é o amor verdadeiro da dependência de vínculo. O autossacrifício do amor gera crescimento, satisfação, respeito e confidencialidade. Ele não sufoca, não provoca escândalos e não rouba a alegria de viver. É sereno e refrigera a alma.
Avalie seu relacionamento
Relações tumultuadas evidenciam falta de maturidade de um dos pares ou do casal. É essa imaturidade que faz a pessoa se posicionar no centro absoluto do relacionamento ou colocar o outro nesse lugar que não pertence a nenhum dos dois. Supervalorizar-se ou idolatrar o companheiro são manifestações de infantilidade. Por isso, quero ajudar você a identificar se está num relacionamento destrutivo e lhe orientar a sair dele.
Atente para os seguintes sinais: chantagem emocional, desprezo pelo seu sentimento, brigas para impedir que você conviva com outras pessoas, manifestação exagerada/descontrolada das emoções, comportamento que se alterna entre a postura de vítima e dominador, ameaças quando se fala no fim do relacionamento e violência física e/ou verbal.
Relacionamentos assim geram desconforto e dúvidas em quem está sendo emocionalmente abusado. E acabam levando o codependente a não se sentir mais à vontade para expressar seus sentimentos ao parceiro e, às vezes, até se isolar do convívio de familiares e amigos. Nessas relações abusivas, é comum se ouvir a frase “você é meu ou minha”.
No livro Codependência Nunca Mais (Best Seller, 2013), a jornalista e escritora norte-americana Melody Beattie apresenta algumas características do codependente. Ela ficou conhecida por compartilhar sua história de superação de um casamento conturbado.
Vamos aos “sintomas”:
1.Considerar-se responsável pelos sentimentos, pensamentos, escolhas e até pelo destino do outro.
2.Sentir ansiedade, pena e culpa quando a outra pessoa tem um problema.
3.Ser compelido, quase forçado, a ajudar aquela pessoa, mesmo quando não é solicitado.
4.Ter raiva quando seu auxílio não é eficiente.
5.Culpar outras pessoas pela forma negativa como se enxerga e se sente.
Rompendo com o perigo
Veja que é possível haver codependência em outros relacionamentos que não sejam uma relação amorosa entre um homem e uma mulher. Portanto, seja qual for o tipo de relacionamento, se perceber que os prejuízos e desgastes são grandes, é necessário pensar no término dele. Nem sempre é fácil colocar um ponto final nisso, mas é possível.
Veja como proceder:
1.Termine definitivamente. Postergar ou se desligar aos poucos não funciona.
2.Mantenha distância. O contato possibilita chantagens e tentativas de reatar o relacionamento.
3.Peça ajuda. Amigos e até a polícia podem ajudar em casos de ameaça.
4.Não se culpe. Você não é a única pessoa responsável pela felicidade do outro.
5.Procure um especialista. Caso sinta necessidade, consulte um psicólogo ou terapeuta familiar.
Para você ver que não está só, já existem grupos de apoio mútuo que oferecem um programa de recuperação para codependência, nos moldes dos Alcoólicos Anônimos. Esses ambientes físicos ou virtuais são espaços para compartilhar experiências e procurar identificar e organizar os próprios sentimentos.
No Brasil, por exemplo, o codabrasil.org.br é um desses serviços gratuitos, mas existem outros em vários países. Vale ressaltar que a frequência a esses grupos não substitui o atendimento psicológico quando necessário; e que, apesar de o método desses serviços contemplar a espiritualidade, isso não implica conversão a determinada tradição religiosa.
Termino lembrando que os relacionamentos existem para proporcionar bem-estar, crescimento mútuo e proteção. Se o seu não tem sido assim, é preciso avaliar e repensar sua continuidade, evitando danos maiores. Torço por sua felicidade!

Comunicadores adventistas constroem pontes para a missão

Evento global de comunicação incentiva troca de experiências para otimizar o trabalho da comunicação adventista. Richard Stephenson e Alyssa...