quarta-feira, 25 de março de 2020

Lição 13 21 a 27 de março Do pó às estrelas


Sábado à tarde
VERSO PARA MEMORIZAR: “Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que a muitos conduzirem à justiça, como as estrelas, sempre e eternamente” (Dn 12:3)
LEITURAS DA SEMANA: Dn 12; Rm 8:34; Lc 10:20; Rm 8:18; Hb 2:14,15; Jo 14:29; Ap 11:3
O livro de Daniel começa com Nabucodonosor invadindo a Judeia e levando cativos para Babilônia; em contraste com isso, a narrativa é concluída com Miguel Se levantando para libertar o povo de Deus da Babilônia do tempo do fim. Isto é, como foi mostrado em todo o livro de Daniel, no fim, o Senhor resolve todos os problemas do Seu povo.
Como vimos também, Daniel e seus companheiros permaneceram fiéis a Deus e demonstraram sabedoria incomparável em meio às provações e desafios do exílio. Da mesma forma, ao enfrentar a tribulação, o povo de Deus do tempo do fim também permanecerá fiel, especialmente durante o “tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação” (Dn 12:1). Como Daniel e seus amigos em Babilônia, os fiéis demonstrarão sabedoria e compreensão. Eles não apenas experimentarão a sabedoria como uma virtude pessoal, mas estarão comprometidos, como consequência dessa sabedoria, a levar os outros à justiça. Alguns morrerão ou serão assassinados e, portanto, retornarão ao pó, mas serão ressuscitados para a eternidade. Como declara o texto bíblico: “Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna” (Dn 12:2).
Domingo, 22 de março
Miguel, nosso Príncipe
1. Leia Daniel 12:1. Quem muda o curso da História no tempo do fim? Como Romanos 8:34 e Hebreus 7:25 nos ajudam a entender o significado desse texto
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Cada capítulo de Daniel que estudamos até agora inicia-se mencionando o governante de uma nação pagã. Daniel 12 também começa com um governante, mas ao contrário de todos os outros capítulos, o governante é um Príncipe divino, que Se levanta para libertar o povo de Deus das mãos de seus inimigos.
Como vimos no estudo de Daniel 10, Miguel é o mesmo ser celestial poderoso que aparece a Daniel no rio Tigre. Ele surge ali como o representante celestial do povo de Deus. Ele também aparece em outras partes do livro de Daniel como o Filho do Homem (Dn 7), o Príncipe do exército (Dn 8) e o Ungido, o Príncipe (Dn 9). Portanto, Miguel, cujo nome significa “quem é como Deus?”, não deve ser outro senão o próprio Jesus Cristo.
É importante observar o momento da intervenção de Miguel. De acordo com Daniel 12:1, ela ocorre “nesse tempo” (Dn 12:1). Essa expressão se refere à época mencionada em Daniel 11:40-45. Esse é o período que se estende desde a queda do papado, em 1798, até a ressurreição no tempo do fim (Dn 12:2).
Dois aspectos importantes da obra de Miguel podem ser inferidos a partir do verbo “levantar” utilizado em Daniel 12:1 para descrever Sua ação. Primeiramente, esse verbo evoca o surgimento de reis para conquistar e governar. O verbo também tem primariamente uma conotação militar. Isso mostra que Miguel atua como um líder militar que protege o Seu povo e o conduz de maneira especial durante os últimos estágios do grande conflito.
Em segundo lugar, o verbo “levantar” também indica um cenário de juízo. Miguel “Se levanta” para agir como advogado no tribunal celestial. Como o Filho do Homem, Ele vem perante o Ancião de Dias para representar o povo de Deus durante o juízo investigativo (Dn 7:9-14). Portanto, o ato de Miguel Se levantar ou ascender nos lembra dos aspectos militares e judiciais de Sua obra. Em outras palavras, Ele está investido com o poder para derrotar os inimigos de Deus e com a autoridade para representar o Seu povo no tribunal celestial.
Pense no que significa saber que Miguel Se levanta em nosso favor, mesmo agora. Que esperança isso deveria nos dar como pecadores?

Primeiro Deus - Você já experimentou entregar tudo ao Senhor? Há algo que ainda não Lhe foi entregue?
Segunda-feira, 23 de março

Inscrito no livro
2. Daniel 12:1 fala sobre “todo aquele que for achado inscrito no livro”. O que isso significa?

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O momento da intervenção de Miguel também é descrito como um tempo de angústia sem paralelo. Isso corresponde ao tempo em que o Espírito de Deus será retirado da humanidade rebelde. Então as sete últimas pragas, como expressões da ira de Deus sobre as nações, serão derramadas sobre a Babilônia do tempo do fim (Ap 16; 18:20-24), e os poderes das trevas serão soltos sobre o mundo. A respeito desse tempo, Ellen G. White escreveu que “Satanás mergulhará então os habitantes da Terra em uma grande angústia final. Ao cessarem os anjos de Deus de conter os ventos impetuosos das paixões humanas, ficarão às soltas todos os elementos de contenda. O mundo inteiro se envolverá em ruína mais terrível do que a que sobreveio a Jerusalém na Antiguidade” (O Grande Conflito, p. 614).
Mas o povo de Deus será libertado durante esse período terrível porque, no juízo investigativo conduzido no tribunal celestial, eles terão sido vindicados por Jesus, o Sumo Sacerdote celestial, e seus nomes estarão escritos no livro.
Para compreender o significado desse livro, devemos ter em mente que a Bíblia menciona dois tipos de livros celestiais. Um contém os nomes daqueles que pertencem ao Senhor e, às vezes, é chamado de “livro da vida”
(Êx 32:32; Lc 10:20; Sl 69:28; Fp 4:3; Ap 17:8).
Além do livro da vida, as Escrituras mencionam livros contendo os registros das ações humanas (Sl 56:8; Ml 3:16; Is 65:6). Esses são os livros usados no tribunal celestial para determinar o compromisso de cada pessoa com o Senhor. São registros celestiais, “bancos de dados” que contêm os nomes e as ações de todo ser humano. Algumas pessoas desaprovam a ideia de ter seus nomes, e especialmente seus feitos, escritos no Céu. Mas, uma vez que entregamos nossa vida a Cristo, nossos nomes são inscritos no livro da vida, e nossas más ações são apagadas no juízo. Esse registro celestial apresenta evidência judicial para todo o Universo de que pertencemos a Jesus e, portanto, temos o direito de ser protegidos durante o tempo de angústia.
Por que somente a justiça de Cristo, creditada a nós, é a nossa única esperança de sermos achados inscritos “no livro”? Comente com a classe.

Terça-feira, 24 de março

A ressurreição

3.Leia Daniel 12:2, 3. De qual evento ele falou nessa passagem? Considerando o que entendemos sobre a morte, por que esse evento é tão importante para nós? Assinale a alternativa correta:


A. ( ) Da ressurreição. É importante porque justos e injustos serão salvos.
B.()
Da ressurreição. Os justos terão a vida, e os ímpios, a vergonha eterna.
D
aniel fez provavelmente a referência mais explícita do Antigo Testamento à ressurreição vindoura. E, à medida que refletimos sobre essa passagem, descobrimos algumas verdades muito importantes. Primeiramente, como a metáfora do “sono” indica, nenhuma alma imortal habita corpos humanos. O ser humano é uma unidade indivisível de corpo, mente e espírito. Na morte, a pessoa deixa de existir e permanece inconsciente até a ressurreição. Em segundo lugar, esse texto aponta para a ressurreição futura como uma reversão do que acontece como consequência do pecado. De fato, a expressão traduzida como “pó da terra”, na linguagem original de Daniel 12:2 é “terra do pó”. Essa sequência incomum de palavras remonta a Gênesis 3:19, que, ao lado desse verso de Daniel, é uma das duas únicas passagens bíblicas em que a palavra “terra” precede a palavra “pó”. Isso implica que o pronunciamento da morte feito na queda do ser humano será revertido, e a morte não mais prevalecerá. Como Paulo declarou: “Tragada foi a morte pela vitória” (1Co 15:54).
4.
Leia Romanos 8:18 e Hebreus 2:14, 15. Por quais razões não precisamos temer a morte? Assinale a alternativa correta:
A.()Porque Cristo já a venceu. Ela não terá domínio sobre nós.
B. ( ) Porque quando morremos continuamos existindo em outro plano.
A morte traz ruína e é o fim de tudo por aqui. Porém, recebemos a promessa de que ela não terá a última palavra para os fiéis. A morte é um inimigo derrotado. Quando Cristo quebrou as cadeias da morte e ressurgiu do túmulo, Ele lhe desferiu o golpe fatal. Agora podemos contemplar além da realidade temporária da morte à realidade suprema da vida que recebemos de Deus em Cristo. Visto que Miguel Se levantará (veja Dn 12:1), aqueles que pertencem a Ele também se levantarão da “terra do pó” para brilhar como as estrelas para todo o sempre.

Em meio às dores e à luta da vida, como podemos obter esperança e consolo da promessa da ressurreição no fim? Por que, em um sentido muito real, quase nada mais importa?


Quarta-feira, 25 de março

O livro selado

5. Leia Daniel 12:4 e João 14:29. Por que o livro de Daniel deveria ser selado até o tempo do fim?
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Na conclusão da última seção principal do livro (Dn 10:1–12:4), o profeta recebeu a ordem para o selar até o tempo do fim. Porém, imediatamente depois disso, o anjo predisse que muitos correriam de uma parte para outra (Dn 12:4, ARC), e o saber se multiplicaria (Dn 12:4, ARA). Embora alguns estudiosos de Daniel tenham tomado essas palavras como uma previsão do progresso científico, que também poderia ser incluído no significado, o contexto parece indicar que correr “de uma parte para outra” (ARC) se refira à busca do próprio livro de Daniel. De fato, quando rememoramos a História, observamos que o livro de Daniel permaneceu, por séculos, uma obscura composição da literatura. Ele pode ter sido conhecido e estudado em certos lugares, mas alguns de seus principais ensinamentos e profecias permaneceram misteriosos. Por exemplo, as mensagens proféticas relacionadas à purificação do santuário celestial, ao juízo, à identidade e obra do chifre pequeno, juntamente com o cronograma de tempo relacionado a essas profecias, estavam longe de ser esclarecidas.

Contudo, a partir da Reforma Protestante, mais e mais pessoas começaram a estudar o livro de Daniel. No entanto, apenas no tempo do fim o livro foi finalmente aberto, e seu conteúdo mais completamente revelado. Como observou Ellen G. White, “desde 1798, porém, o livro de Daniel foi descerrado, aumentou-se o conhecimento das profecias, e muitos têm proclamado a mensagem solene do juízo próximo” (O Grande Conflito,
p. 356). “No final do século 18 e início do século 19, despertou-se um novo interesse pelas profecias de Daniel e Apocalipse em diferentes lugares do mundo. O estudo dessas profecias difundiu a crença de que o segundo advento de Cristo estava próximo. Vários estudiosos na Inglaterra, Joseph Wolff no Oriente Médio, Manuel Lacunza na América do Sul e Guilherme Miller nos Estados Unidos, junto com outros estudiosos das profecias, declararam, com base no estudo das profecias de Daniel, que o segundo advento estava prestes a ocorrer. Essa convicção se tornou a força motivadora de um movimento mundial” (Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 4, p. 970).


Pense na grande vantagem que temos hoje de poder relembrar a História e ver como as profecias históricas de Daniel se cumpriram. Isso nos ajuda a confiar nas promessas de Deus?

Quinta-feira, 26 de março

O tempo de espera

6. Leia Daniel 12:5-13. Como o livro foi concluído?
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Curiosamente, a cena final ocorre no rio Tigre, o lugar da última importante visão de Daniel (Dn 10:4). No entanto, a palavra usada aqui não é a palavra hebraica comum para rio, mas o termo ye’or, que geralmente designa o rio Nilo. Isso nos lembra do Êxodo e mostra que, assim como o Senhor libertou Israel do Egito, Ele libertará o Seu povo no tempo do fim.

Três cronogramas proféticos foram apresentados. O primeiro deles (“um tempo, dois tempos e metade de um tempo”) responde à pergunta: “Quando se cumprirão estas maravilhas?” (Dn 12:6). As “maravilhas” se referem às coisas descritas na visão de Daniel 11, que são uma elaboração de Daniel 7 e 8. Mais especificamente, esse período de tempo foi mencionado em Daniel 7:25 e depois em Apocalipse 11:3; 12:6, 14 e 13:5. Ele também corresponde aos 1.260 anos de supremacia papal, que se estenderam de 538 d.C. a 1798 d.C. E Daniel 11:32-35 se refere à mesma perseguição sem mencionar sua duração.
Os outros dois períodos de tempo, 1.290 e 1.335 dias, respondem a uma pergunta feita pelo próprio Daniel ao homem vestido de linho: “Qual será o fim destas coisas?” (Dn 12:8). E ambos começam com a remoção do “sacrifício diário” e o estabelecimento da “abominação desoladora”. Na lição sobre Daniel 8, descobrimos que o sacrifício “diário” se refere à intercessão contínua de Cristo, que foi substituída por um sistema falsificado de adoração. Portanto, esse período profético deve começar em 508 d.C., quando Clovis, rei dos francos, converteu-se à fé católica. Esse importante evento preparou o caminho para a união entre Igreja e Estado, que prevaleceu ao longo da Idade Média. Assim, os 1.290 dias terminaram em 1798, quando o papa foi preso sob a autoridade do imperador francês Napoleão. E os 1.335 dias, o último período profético mencionado em Daniel, terminaram em 1843. Essa foi a época do movimento Milerita e do estudo renovado das profecias bíblicas. Foi um tempo de espera e esperança no retorno iminente de Jesus.

Ao longo de todo o livro de Daniel, vemos duas coisas: o povo de Deus sendo perseguido e, por fim, sendo justificado e salvo. Como essa realidade pode nos ajudar a permanecer fiéis, independentemente de nossas provações imediatas?



Primeiro Deus - Existe algo que está distraindo você, desviando-o do caminho do Céu? Prazeres, faltas dos outros, riquezas, etc.?

Sexta-feira, 27 de março

Estudo adicional
“As profecias apresentam uma sucessão de acontecimentos que nos levam ao início do juízo. Isto se observa especialmente no livro de Daniel. Entretanto, a parte de sua profecia que se refere aos últimos dias, Daniel teve ordem de fechar e selar até ‘o tempo do fim’. Não poderia, antes que alcançássemos o tempo do juízo, ser proclamada uma mensagem relativa ao mesmo juízo e baseada no cumprimento daquelas profecias. Mas, no tempo do fim, diz o profeta, ‘muitos correrão de uma parte para outra, e a ciência se multiplicará’ (Dn 12:4, ARC).
“O apóstolo Paulo advertiu a igreja a não esperar a vinda de Cristo em seu tempo. ‘Porque não será assim’, diz ele, ‘sem que antes venha a apostasia e se manifeste o homem do pecado’ (2Ts 2:3, ARC). Não poderemos esperar pelo advento de nosso Senhor senão depois da grande apostasia e do longo período do domínio do ‘homem do pecado’. Esse ‘homem do pecado’, que também é denominado ‘mistério da injustiça’, ‘filho da perdição’ e ‘iníquo’, representa o papado, que, conforme foi anunciado pelos profetas, deveria manter sua supremacia durante 1.260 anos. Esse período terminou em 1798. A vinda de Cristo não poderia ocorrer antes daquele tempo. Paulo, com a sua advertência, abrange toda a dispensação cristã até ao ano de 1798. É depois dessa data que a mensagem da segunda vinda de Cristo deve ser proclamada” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 356).
Perguntas para discussão
1. Quais perigos enfrentamos ao estabelecermos datas para acontecimentos futuros do tempo do fim? O que ocorre com a fé de muitos quando esses eventos previstos não acontecem? Qual princípio profético essencial encontramos nas palavras de Cristo em João 14:29 que nos ajuda a entender como usar a profecia para nosso benefício espiritual e evitar a armadilha de fazer ou acreditar em falsas predições?
2. Hoje temos comunicação instantânea e incríveis avanços científicos que nem sempre são para o bem. Isso torna a ideia de um “tempo de angústia, qual nunca houve” (Dn 12:1) algo que não é tão difícil de imaginar? Por quê?
3. Somente pelo evangelho podemos ser inscritos no livro. Sem ele, que esperança temos?
Respostas e atividades da semana: 1. Miguel, que vive para interceder por nós (Hb 7:25; Rm 8:34). 2. Que Deus mantém um registro de todas as nossas ações (boas e más) para serem usadas na hora do juízo. Porém, com Seu sangue, Ele apaga as nossas más ações e escreve nosso nome no livro da vida. 3. B. 4. A. 5. Porque aqueles acontecimentos não envolviam o tempo de Daniel. Foram revelados a fim de que, quando ocorressem, as pessoas cressem. 6. O livro foi concluído com o Ser divino dizendo que Daniel não devia se preocupar com o tempo em que as coisas ocorreriam, pois ele descansaria e, um dia, seria levantado para receber a sua herança.



segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Lição 4 18 a 24 de janeiro Intervenção Radical

Prévia da semana: Orgulho O orgulho tem sido promovido como algo positivo no mundo secular, desde que seja apresentado de maneira socialmente aceitável. Mesmo no meio cristão, onde alguns pecados são tolerados e vistos como sem importância, muitos abrigam o orgulho no coração devido à sua natureza sutil. É claro que devemos reprovar e não tolerar esse pecado em nossa vida, porque ele pode desencadear o egoísmo, a arrogância, a soberba e tudo mais que desagrada a Deus. Acontece que, às vezes, reprovamos nos outros os traços de orgulho que existem em nós mesmos. Detestamos nos outros as características que nós possuímos. A história da queda e humilhação pública de Nabucodonosor por causa do seu orgulho serve de advertência especial a todos nós que estamos vivendo no fim dos tempos. O orgulho é um pecado que precisamos diariamente pedir que Deus elimine de nossa vida. Esse traço negativo de caráter pode causar a queda de muitos cristãos que estão se preparando para a volta de Jesus. A história da soberba e ruína do grande e poderoso rei de Babilônia, descrita por Daniel, é um alerta para nós durante nossa caminhada cristã.
Leitura adicional: Daniel 4

Domingo, 19 de janeiro

Copie Daniel 4 na versão bíblica de sua preferência. Se estiver com pouco tempo, copie somente Daniel 4:19-27. Você também pode reescrever as passagens com suas palavras ou fazer um esboço do capítulo.

_____________________________Mãos à Bíblia


1. Leia Daniel 3:1-7. O que provavelmente tenha motivado o rei a fazer essa estátua?
Cerca de vinte anos podem ter decorrido entre o sonho relatado no capítulo 2 e a construção da estátua. No entanto, parece que o rei não mais podia se esquecer do sonho e do fato de que Babilônia estava condenada a ser substituída por outros poderes. Essa atitude de orgulho nos lembra os construtores da Torre de Babel, que, em sua arrogância, tentaram desafiar o próprio Deus. Não menos arrogante foi Nabucodonosor nessa ocasião. Ele havia realizado muitas coisas como governante de Babilônia e não podia viver com a ideia de que seu reino, por fim, passaria.

O ser humano pecaminoso resiste em reconhecer o fato de que suas realizações materiais e intelectuais são vaidade e estão condenadas ao desaparecimento. Às vezes, podemos agir como pequenos “Nabucodonosores”, ao darmos demasiada atenção às nossas realizações e nos esquecermos de como elas são insignificantes diante da eternidade.

Segunda-feira, 20 de janeiro
A cura

O capítulo 4 do livro de Daniel é o testemunho pessoal de um rei que se tornou orgulhoso e foi humilhado pelo Rei do Universo. Nabucodonosor teve um novo sonho, mas dessa vez não se esqueceu dele. O sonho, interpretado por Daniel, foi uma advertência para que o rei se humilhasse, caso contrário, ele iria viver como um animal selvagem por sete anos. Durante algum tempo, Nabucodonosor deu ouvidos à advertência. Mas é difícil abandonar velhos hábitos. Certa vez, enquanto ele estava se vangloriando orgulhosamente de seus feitos, ouviu-se uma voz vinda do Céu e o rei imediatamente se tornou insano. Durante sete anos ele ficou reduzido à condição de um animal. Depois desse tempo de humilhação e reflexão, ele reconheceu o Deus do Céu e se converteu.

Essa foi uma intervenção divina radical. Foram necessários sete anos vivendo como um animal selvagem para que Nabucodonosor caísse em si. O orgulho do grande monarca babilônico precisava ser quebrado antes que ele pudesse sentir a necessidade de Deus em sua vida. C. S. Lewis declarou: “É por causa do orgulho que o diabo se tornou o que é. O orgulho […] é o estado mental mais oposto a Deus que existe” (Cristianismo Puro e Simples, São Paulo: SP, Thomas Nelson, 2017, p. 162). Agostinho disse: “Foi o orgulho que transformou anjos em demônios, mas é a humildade que faz dos homens, anjos”. A natureza drástica da intervenção de Deus para livrar Nabucodonosor do orgulho revela quão profundamente arraigado esse pecado pode estar em nós.

O pecado é normalmente visto em termos de categorias, que vão desde uma mentira “branca” até os pecados hediondos de um matador em série. O orgulho, talvez, na visão humanista, não figuraria na lista dos dez piores pecados. Mas, na lista de Deus, o orgulho é o pecado número um. Provérbios 6:16-19 diz: “Há seis coisas que o Senhor odeia, sete coisas que Ele detesta: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que traça planos perversos, pés que se apressam para fazer o mal, a testemunha falsa que espalha mentiras e aquele que provoca discórdia entre irmãos.”

O testemunho de Nabucodonosor ecoa como advertência ao povo de Deus sobre o pecado do orgulho. Ele nos mostra a dramática intervenção divina para curar o orgulho de um monarca.

Mãos à Bíblia
2. Leia Daniel 3:8-15 e Apocalipse 13:11-18. Quais paralelos podemos ver entre o que aconteceu no tempo de Daniel e o que acontecerá no futuro?

Pense Nisto
- Você já passou por alguma experiência em que sentiu que Deus quis ensiná-lo a ser humilde? Como você se sentiu? - A história ocorrida com Nabucodonosor ajuda você na luta para se tornar mais humilde?

Mãos à obra
- Volte ao texto que você copiou e estude as passagens. - Faça um círculo em torno das palavras/frases/ideias repetidas - Sublinhe palavras/frases que você achou importantes - Desenhe flechas ligando palavras/frases a outras palavras/frases que estão associadas ou relacionadas - Escolha um verso favorito do texto-chave desta semana. Escreva-o para ajudar na memorização.

Terça-feira, 21 de janeiro
Examinando Daniel 4
Que doença mental teria acometido Nabucodonosor durante sete anos? “Os psiquiatras modernos têm diagnosticado o comportamento de Nabucodonosor como uma variante de paranoia e esquizofrenia. Gregory Zilboorg, historiador da psiquiatria, relata diversos casos semelhantes entre o 3º e o 7º século a.C. […] Em anos recentes, diversos casos foram encontrados nos hospitais de Paris e Bordeaux.

“Os sintomas são sempre os mesmos. O paciente imagina que se transformou em um lobo (licantropia), um boi (boantropia) ou outro animal (cão, leopardo, cobra, crocodilo), e comporta-se como tal nos mínimos detalhes. A ilusão do paciente é tão perfeita que afeta até seu modo de ver a si mesmo. Uma mulher de 49 anos estava convencida de que sua cabeça era de lobo, com focinho e dentes caninos. E, quando abria a boca para falar, ela rosnava e uivava como um animal” (Jacques Doukhan, Segredos de Daniel, p. 70).

“O cabelo do orgulhoso rei cresceu e se emaranhou como as penas eriçadas de um urubu, e suas unhas se assemelhavam às garras sujas de uma ave de rapina. Com os olhos arregalados e grunhindo, ele arrancava a grama e, enchendo a boca com ela, ruminava-a como um boi” (Leslie Hardinge, Jesus is My Judge, p. 58).

Como conciliar a natureza amorosa de Deus com Seu ato de ter transformado o rei de Babilônia em um animal durante sete anos?

Sete anos vivendo como se fosse um animal selvagem parece algo muito cruel. Dentro do cristianismo existem denominações que defendem o conceito de que Deus não disciplina ninguém. Esse conceito é falso. Ele reduz o amor a um mero sentimentalismo. Se procurarmos a definição de amor na Bíblia, e não na cultura popular, veremos que o amor divino consiste em uma perfeita mescla de justiça e misericórdia a partir do ponto de vista da eternidade.

A história de Nabucodonosor revela a perspectiva amorável de Deus para com todos pensando na salvação da humanidade. O desconforto temporário de Nabucodonosor, agindo como um animal durante sete anos, foi insignificante diante da perspectiva de desfrutar a eternidade. Como declarou C. S. Lewis: “Deus sussurra a nós em nossos prazeres, fala em nossa consciência, mas grita em nossa dor” (C. S. Lewis, The Problem of Pain, p. 91). Isso não quer dizer que toda circunstância desfavorável, provação ou calamidade seja Deus tentando chamar nossa atenção. É preciso levar em conta que temos um inimigo que é o causador primário de todos os males.

No entanto, não podemos passar por alto as lições contidas no livro de Daniel, as quais nos mostram que o objetivo divino principal é nos salvar para a eternidade. Tudo o mais é secundário. Deus está disposto a permitir um desconforto temporário, como aconteceu com Nabucodonosor, se isso servir para nos ajudar a escolher a salvação eterna com Ele.

“Se consentirmos que a mente se absorva com os interesses mundanos, o Senhor talvez nos dê esse tempo removendo nossos ídolos, sejam estes o ouro, sejam casas ou terras férteis” (Ellen G. White, Minha Consagração Hoje [MD 1953/1989], 14 de janeiro).

Mãos à Bíblia
3. Leia Êxodo 20:3-6 e Deuteronômio 6:4. O que nesses textos influenciou a posição tomada pelos três homens? Assinale a alternativa correta:

A. ( ) O medo de que Deus os amaldiçoasse caso fizessem algo errado.
B. ( ) O mandamento de adorar unicamente o Deus Criador.

Seguindo as instruções dadas pelo rei, todas as pessoas, ao som dos instrumentos musicais, curvaram-se e adoraram a estátua de ouro. Somente Sadraque, Mesaque e Abede-Nego ousaram desobedecer ao rei. Imediatamente, alguns babilônios levaram a questão à atenção do monarca. Os acusadores buscaram enfurecê-lo, dizendo que: (1) tinha sido o próprio rei que havia colocado aqueles três jovens para administrar a província de Babilônia; (2) que os homens judeus não serviam aos deuses do rei; e que (3) eles não adoravam a imagem de ouro que Nabucodonosor havia estabelecido (Dn 3:12). Mas apesar da fúria do rei contra eles, dotados de coragem sobrenatural, os jovens lhe responderam: “Se o nosso Deus, a quem servimos, quer livrar-nos, Ele nos livrará da fornalha de fogo ardente e das tuas mãos, ó rei. Se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que levantaste”
(Dn 3:17, 18).

Pense Nisto
- Observando o texto bíblico que você copiou e marcou, que ideia principal você destacaria? - Quais perguntas surgem em sua mente? - Você chegou a alguma conclusão? - Deus tem usado algum método radical com você?

Quarta-feira, 22 de janeiro

Descubra a relação das passagens abaixo com o texto bíblico-chave (Daniel 4) da lição desta semana:

Provérbios 8:13
Provérbios 11:2
Provérbios 13:10
Provérbios 16:18, 19
Provérbios 18:12
Jeremias 9:23
Isaías 14:12-14
Ezequiel 28:11-16
Tiago 4:6, 10
Filipenses 2:3
Quais outras passagens lhe vêm à mente em conexão com Daniel 4?

Mãos à Bíblia
4. Leia Daniel 3:19-27. O que aconteceu? Quem era a outra pessoa na fornalha?
Nabucodonosor ficou perplexo ao perceber a presença de uma quarta pessoa dentro da fornalha, “um filho dos deuses” (Dn 3:25).
O rei não conseguiu dizer muito mais, porém sabemos quem era aquele quarto personagem. Ele havia aparecido a Abraão antes da destruição de Sodoma e Gomorra, lutado com Jacó ao lado do vau de Jaboque e Se revelado a Moisés em uma sarça ardente. Era Jesus Cristo em uma forma pré-encarnada vindo mostrar que Deus permanece com Seu povo em suas provações.

Quinta-feira, 23 de janeiro
O que for preciso
A dramática intervenção do Senhor para salvar Nabucodonosor revela Seu amor inigualável pelos pecadores. Foi necessário viver sete anos como um animal selvagem para que o orgulhoso monarca se humilhasse diante do Criador do Universo! Na vida cristã, talvez, a oração mais radical que possamos fazer é: “Senhor, salva-me, não importa o que for preciso para isso”. Essa oração radical permite que Deus aja em nossa vida.

Como cristãos, o senso da dependência divina pode parecer a coisa mais impotente, porém é o que devemos buscar para nos tornarmos vencedores. Às vezes, a pior coisa que já nos aconteceu é, na verdade, a melhor.

Em 30 de julho de 1967 a jovem Joni Eareckson Tada mergulhou em um lugar raso na Baía Chesapeake. Ela quebrou o pescoço na região da cervical e ficou tetraplégica. Passou todo o restante de sua vida confinada a uma cadeira de rodas. Joni escreveu um livro. Nele, ela disse: “De certa forma, eu desejaria poder levar para o Céu minha velha e gasta cadeira de rodas. Gostaria de apontar para o assento vazio e dizer: ‘Senhor, durante décadas estive paralisada nesta cadeira.’ […] Naquele momento, com meu corpo forte e glorificado, talvez eu me assentasse nela, passasse a mão nos braços da cadeira, olhasse para Jesus e acrescentasse: ‘Quanto mais fraca eu me sentia nessa cadeira, mais me apoiava em Ti’” (Joni Eareckson Tada, Heaven: Your Real Home, p. 184).

Refletir sobre nossa salvação, a partir de uma perspectiva eterna, confere às provações presentes uma perspectiva diferente, especialmente se essas dificuldades nos ajudam a depender mais do Senhor.
Mãos à Bíblia

5. O que Hebreus 11 nos ensina sobre fé?

Algumas pessoas têm uma percepção quantitativa da fé; elas medem sua fé pelas respostas que parecem receber de Deus. Essa compreensão da fé torna-se perigosa porque tenta manipular Deus e não considera Sua soberania e sabedoria.

A verdadeira fé é medida pela qualidade de nosso relacionamento com o Senhor e sua resultante confiança absoluta Nele. A fé autêntica não busca dobrar a vontade de Deus para que ela se conforme à nossa vontade; antes, a fé rende nossa vontade à de Deus.

Pense Nisto
- O que Daniel 4 revela sobre Jesus? - Você passou a ver Jesus sob nova perspectiva depois desta lição? - Como você reage ao ver Cristo dessa forma?

Sexta-feira, 24 de janeiro
A verdadeira grandeza
"Num momento, a inteligência que Deus lhe tinha dado foi tirada. O discernimento que o rei julgava perfeito e a sabedoria da qual ele se orgulhava foram removidos, e o governante que até então tinha sido tão poderoso ficou louco. Sua mão não conseguiu mais empunhar o cetro. As mensagens de advertência tinham sido desprezadas. Então, destituído do poder que seu Criador lhe havia dado, e expulso dentre os homens, Nabucodonosor ‘passou a comer capim como os bois. Seu corpo molhou-se com o orvalho do céu, até que os seus cabelos e pêlos cresceram como as penas de uma águia, e as suas unhas como as garras de uma ave’ (Dn 4:33).

“Durante sete anos, Nabucodonosor foi motivo de espanto a todos os seus súditos e foi humilhado diante de todo o mundo. Por fim, sua razão foi restaurada e, levantando os olhos em humildade para o Deus do Céu, reconheceu a mão divina em seu castigo. Numa proclamação pública, admitiu sua culpa e a grande misericórdia de Deus em sua restauração. ‘Ao fim daqueles dias’, ele disse, ‘eu, Nabucodonosor, levantei os olhos ao céu, tornou-me a vir o entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei, e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é sempiterno, e cujo reino é de geração em geração. Todos os moradores da Terra são por Ele reputados em nada; e, segundo a Sua vontade, Ele opera com o exército do Céu e os moradores da Terra; não há quem Lhe possa deter a mão, nem Lhe dizer: Que fazes?

“‘Tão logo me tornou a vir o entendimento, também, para a dignidade do meu reino, tornou-me a vir a minha majestade e o meu resplendor; buscaram-me os meus conselheiros e os meus grandes; fui restabelecido no meu reino, e a mim se me ajuntou extraordinária grandeza’ (Dn 4:34-36, ARA).

“Aquele que tinha sido um rei orgulhoso se tornou um humilde filho de Deus. O governante tirânico e opressor converteu-se num rei sábio e cheio de compaixão. Aquele que tinha desafiado o Deus do Céu e blasfemado Dele passou a reconhecer o poder do Altíssimo, e procurou fervorosamente promover o temor a Jeová e a felicidade de seus súditos. Sob a repreensão Daquele que é Rei dos reis e Senhor dos senhores, Nabucodonosor tinha afinal aprendido a lição que todos os reis precisam aprender – que a verdadeira grandeza consiste na verdadeira bondade. Ele reconheceu Jeová como o Deus vivo, dizendo: ‘Agora eu, Nabucodonosor, louvo e exalto e glorifico o Rei dos céus, porque tudo o que ele faz é certo, e todos os seus caminhos são justos. E ele tem poder para humilhar aqueles que vivem com arrogância’ (Dn 4:37).

“O propósito de Deus de que o maior reino do mundo mostrasse Seu louvor estava então cumprido. Essa declaração pública, em que Nabucodonosor reconhecia a misericórdia, bondade e autoridade de Deus, foi o último ato de sua vida registrado na história sagrada” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 520, 521).

DISCUSSÃO
Compartilhe com sua classe o que você extraiu desta lição, por exemplo: descobertas, observações, dúvidas e pontos principais. Perguntas sugestivas para ser discutidas:
Qual foi a última vez em que Deus procurou chamar sua atenção? Você viu isso como algo bom ou algo ruim?
Em sua opinião, qual é a relação entre amor e disciplina?
Podem os pais fazer alguma coisa para o bem de um filho, em que ele, em seu ponto de vista, pode considerar ruim?
Quais são algumas das coisas que os pais fazem e que, em longo prazo, são para o bem do filho?
Por que você acha que Deus classifica o orgulho como o primeiro na lista das coisas que Ele abomina em Provérbios 6:16-19?
Por que é difícil sentir nossa necessidade e dependência de Deus?

Pense Nisto
- Depois do estudo de Daniel 4, nesta semana, quais aplicações você pode fazer em sua vida? - Quais práticas você pensa adotar em sua vida pública e social?

Cristãos em Crise de Identidade Minha cruzada em busca de sentido pessoal no Cristianismo

você já se sentiu desanimado com a fé? Talvez questionando o sentido de toda sua prática cristã? Já refletiu sobre a relevância de ir aos cultos, servir em um cargo na igreja, seguir um determinado estilo de vida e não viu um propósito mais profundo nisso tudo? Eu já. Constantemente sou flagrado nessa situação.



Esse texto não tem a pretensão de ser nenhuma verdade última ou palavra final sobre esse tema. Na verdade não tenho essa intenção em nenhum dos meus textos. Todos eles são um parte da minha pouca experiência ao lidar com determinados dilemas da vida. Portanto a minha perspectiva exposta aqui pode não se encaixar ao problema que o leitor está passando, mas mesmo assim eu o convido a ler esse relato e extrair aquilo que pode ser bom para você. Este texto também não é sobre apologética, portanto não irei fazer nenhuma defesa do cristianismo aqui, mas relatar a minha crise de identidade como cristão.

Por volta dos meus 20 anos passei a questionar a sentido da fé em minha vida. Não foi a veracidade e sim motivo da fé que estava em questão. Estava muito certo quanto ao que eu cria. A pergunta que eu me fazia (e faço até hoje) é: “para que me serve isso?” Estes questionamentos não vieram de fora, de influências da faculdade ou amizades incrédulas. Essas perguntas vieram de dentro de mim. Eu não estava apostatando da fé, pelo contrário, era membro ativo da igreja, professor da escola sabatina, pregador ocasional e leitor ávido dos Testemunhos de Ellen White. Me lembro bem de um dia em que eu estava em casa passando pelo corredor e parei na porta do meu quarto e vi minha estante de livros, cuja maioria eram livros religiosos. “E se tudo isso não passar de balela?”, veio a minha cabeça. “Não pode ser, já gastei muito dinheiro nisso.” Embora possa parecer engraçado a primeira vista, esse pensamento me fez refletir sobre o meu real motivo de ser cristão.

Será que ler todos esses livros era só pra me envaidecer de conhecimento? Será que minha constância na igreja era só manter um contato social? Será que ser professor de escola sabatina não era só para que as pessoas me vissem como alguém que entende alguma coisa da Bíblia? Esses pensamentos realmente me fizeram repensar minha imagem como cristão diante de Deus, das pessoas e de mim mesmo. Por vezes eu pensava na situação hipotética: “Se um dia eu descobrir que tudo pelo qual vivi é uma mentira, de que valeu minha vida?”

Ao compartilhar essa questão com algumas pessoas, as respostam eram quase um uníssono ecoando as seguintes respostas:
Ser cristão promove desenvolvimento pessoal
Ser cristão me faz agir em favor das pessoas, fazendo o bem através de ações de caridade seja material ou espiritual
Ser cristão, especialmente adventista, traz benefícios a saúde se observarmos as recomendações quanto a alimentação e estilo de vida propostas pela igreja

Se bem que nenhum dos itens acima é falso, eu não via a necessidade de ser cristão, ainda mais adventista, para obter todos esses benefícios. Há muitas outras alternativas se é só isso que alguém procura. Se eu quero me desenvolver como pessoa posso procurar um psicólogo. O que não falta nesse mundo é ONG se eu quiser fazer caridade. E quanto a saúde nem se fala, pois vivemos na época a qual alimentação e exercício físico têm sido aspectos protagonistas de nossa sociedade. No entanto, se eu e você temos tantas outras opções para atender essas necessidades, por que nós escolhemos estar na igreja? Essas questões me levaram a uma crise de minha identidade cristã que me conduziam lentamente a apatia e um senso de perda de tempo. “Para que serve o cristianismo?”, era a pergunta que frequentemente me corroía.

Afim de entender melhor o assunto, decidir empreender uma verdadeira cruzada para solucionar essa crise existencial. Descobri que o Cristianismo, embora promova ao adepto todos esses benefícios já citados, não se trata de uma mera proposta de estilo de vida. Cristianismo é uma cosmovisão, uma “lente” pela qual enxergamos e interpretamos a realidade a nossa volta. Essa cosmovisão está fundamentada na pessoa de Jesus Cristo. Principalmente sobre Sua identidade como Deus e Criador. É sobre Sua encarnação e obra na Terra, suas palavras e suas promessas para essa vida e para o porvir. O fato de que Ele assegurou Sua ressurreição antes mesmo de morrer é a maior evidência de sua divindade. Cristianismo só pode valer a pena se Jesus for realmente Deus. Só assim a vida cristã pode fazer sentido.

Esse tema da ressurreição é sem dúvida um dos mais recorrentes em todo Novo Testamento. Este era o mote principal da pregação dos apóstolos. A pregação de Cristo aos judeus e gentios através dos discípulos ganhava credibilidade quando esses testemunhavam sobre a ressurreição. Ela era como um atestado de verdade em favor de Jesus. Esse foi o principal argumento de Pedro em seu memorável discurso na festa do Pentecostes, em Atos 2. O fato de que Jesus, que os judeus haviam matado, foi ressuscitado e assunto ao Céu por Deus, estava vivo hoje, confrontava frontalmente tudo aquilo que acreditavam e pelo qual viviam até agora.

O texto diz que os ouvintes, ao ouvirem o testemunho de Pedro, “compungiram-se em seu coração” (At. 2:37). A palavra grega katanyssoo, traduzida pelo verbo compungir, significa literalmente “perfurar completamente” é frequentemente usada no sentido figurado para ilustrar uma agitação violenta, ferir profundamente até o âmago [1]. A ideia transmitida é de que os ouvintes foram fatalmente atingidos em suas convicções, causando grande perplexidade e inquietação da consciência. Se Jesus está vivo, Ele é realmente quem Ele dizia ser. Suas palavras muito desprezadas eram verdadeiras. Suas advertências e mandamentos eram dignos de atenção e obediência. Consequentemente, a estrutura fundamental de sentido da sua vida, o tradicionalismo judaico, desmoronou e os deixou em total desalento e desorientação. Conscientes da verdade nesse momento, uma atitude precisava ser tomada quanto ao rumo que suas vidas deveriam tomar a partir dessa nova relevação de Deus. Esse sentimento é percebido nas palavras da multidão em Atos 2:37: “O que faremos?”. Essa simples frase mostra o impacto drástico de uma convicção na vida de uma pessoa: o poder de mudar o rumo de uma existência.

Ao tratar do tema da ressurreição, Paulo é incisivo quando diz “Se Cristo não ressuscitou, logo vã é nossa pregação e também é vã nossa fé.” (I Coríntios 15:17). Algo vão é algo que é vem da vaidade e portanto é vazio, desnecessário e sem sentido [1,2]. Se Cristo não ressuscitou o Cristianismo não tem sentido, nossa fé é dispensável, logo o sentimento de apatia que frequentemente nos ataca é justificado. Mas se ele for verdadeiro, o mesmo espírito dos ouvintes no Pentecostes se manisfesta.

Fé é algo muito sério. Pessoas matam e morrem em nome da fé professada. Uma vida inteira é decidida pelas convicções de uma pessoa. Todas as nossas escolhas diárias são dirigidas por nossas crenças. Agora imagine que Jesus não ressuscitou. Toda fé cristã se torna uma grande perda de tempo. Uma vida cristã vira sinônimo de uma vida desperdiçada. Se Cristo não está vivo, você na verdade perdeu sua vida. Você está morto.

Embora Cristo esteja vivo à destra de Deus, para muitos cristãos Ele permanece morto. Ele está morto porque Sua influência não é sentida na vida diária, o contato com Ele é negligenciado e Sua presença não é desejada tanto quanto outras coisas da vida. No entanto, a maioria de nós, apesar dessa circunstância, continua a frequentar a igreja, muitas vezes assumindo cargos de liderança e responsabilidade, tomando parte no serviço, mas cada vez mais estando desprovidos de um senso verdadeiro de propósito. Inconscientemente, estamos condicionando a salvação de nossa alma a assiduidade aos cultos, aos cargos assumidos, ao nome escrito no livro da igreja e muitas vezes não sabemos nem o porquê de estarmos praticando tudo isso. Na primeira hesitação da mente em busca por significador, toda a prática cristã começa a perder o significado porque Cristo está morto na alma. E se Ele está morto, você também está.

Frequentemente não nos apercebemos desse “estado de morte” em nós, então ele começa a crescer e se desenvolver qual uma gangrena da alma culminando, na maioria das vezes, na incredulidade e apostasia. Como podemos escapar dessa circunstância? Como já falei no começo do texto, pretendo compartilhar a minha experiência com esse problema e não dar a fórmula mágica que irá resolver seus problemas que podem ser muito mais complexos do uma apatia espiritual. Vou elencar algumas atitudes que tomei para poder sair desse estado

1 — Confesse seu estado a Deus em oração

E logo o pai do menino, clamando, com lágrimas, disse: Eu creio, Senhor! ajuda a minha incredulidade. (Mc 9:24)

Durante minha fase de crise, essa foi minha constante oração ajoelhado no chão do meu quarto.

“Tu orarás a Ele, e Ele te ouvirá.” (Jó 22:27).Precisamos compreender que Deus não se fatiga de nos ouvir, ainda mais quando a alma está ferida (Jo 6:37, Mt 11:28).

2 — Conheça quem é Jesus
Refletir sobre cada fato de Sua vida, especialmente sobre a cruz, o custo dela e a sua importância para nós, desenvolveu em mim um amor pelo Filho de Deus que jamais tinha sentido antes.

Se o Cristianismo centra-se na figura de Jesus, não há como ser cristão sem conhecê-Lo. Entender quem Jesus É e a Sua mensagem é fundamental para que nossa mente possa permanecer firme frente as tentações da vida secular pós-moderna. Mergulhe profundamente na vida de Jesus. Esquadrinhe a pessoa dEle.

“E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo, (…),para conhecê-lo, e à virtude da sua ressurreição(…)” (Fp 3:8, 10)

3 — Entenda o que você professa crer
Passei então a me cercar de literatura para entender racionalmente qual era a proposta do cristianismo (e do adventismo, no meu caso) para que eu pudesse de fato pisar com segurança no terreno que estava entrando, conhecer o verdadeiro objeto da minha fé.

Convicções e crenças afetam profundamente nossa maneira de viver. Se uma pretensa convicção não influencia a vida, é porque ela ainda não foi de todo admitida pela razão. Essa não admissão pode ser tanto pela falta de evidências ou argumentos suportem a crença em questão, ou pela negligência indolente em relação a mesma. Você só descobrirá o sentido (o falta dele) de suas crenças se investigá-las a fundo nas Escrituras. Para que haja progresso na experiência cristã é necessária um contínua busca pela verdade. Se você se considera nulo de conhecimento, não se envergonhe. Comece pelo começo e prossiga, ainda que lentamente, no estudo da Bíblia.

Portanto, convém-nos atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas. (Hb 2:1)

4 — Não guarde esqueletos no armário
Não deixe questões mal resolvidas quanto a sua fé. Se essas forem negligenciadas, “jogadas para baixo do tapete”, elas vão fermentar em sua mente a ponto estourar em incredulidade. Questões como inerrância da Bíblia, Inferno Eterno, a bondade de Deus e o problema do mal, criação x evolução, são alguns exemplos daquilo angustia a mente de muitos cristãos que fazem “vista grossa” a esses assuntos. Procure livros confiáveis, sermões no teológicos no YouTube e converse com seu pastor sobre os assuntos que afligem e comprometem sua relação com Deus.

5 — Tenha amigos tementes a Deus próximos de você
Tive amigos (aliás, tenho até hoje) em que podia realmente abrir meu coração sem medo de julgamentos. Orávamos e estudávamos a Bíblia em grupo com um entusiasmo que era compartilhado por todos. Em nossos encontros, era comum que em momentos aleatórios alguém começasse a cantar algum hino e todos seguíamos em coro. Muita alegria e descontração caracterizavam nossas reuniões. Sentia realmente a amizade de Cristo no meio de todos eles.

À esquerda: meu antigo quarteto acapela 3MA. À direita: um encontro com uma parte dos meus amigos da IASD Parangaba em Fortaleza. Muitos desse tempo não se encontram nas fotos, mas a amizade de todos foi muito importante nesse momento de amadurecimento. (Acervo pessoal)

Paulo tinha amigos que o confortavam em seus momentos de dor e angústia. Lutero era constantemente apoiado por Felipe Melâncton. Jesus ordena aos 70 discípulos irem aos pares em missão. Em momentos de crise de fé, um bom amigo cristão pode realmente ajudar a sair dessa situação. Procure alguém que seja temente a Deus e o anime biblicamente na fé com as promessas de Deus e não com jargões vazios do meio gospel. Alguém que esteja disposto a orar por você e com você. Um amigo que quer compartilhar a volta de Cristo. Desfrutar desse companheirismo na jornada cristã é um privilégio que podemos ter para experimentar que realmente é “melhor serem dois do que um” (Ec 4:9).

Conclusão
Se somos propensos a questionar a realidade material/social ao nosso redor, mais ainda seremos quanto a espiritual, que não enxergamos. Entretanto questionar o sentido das coisas é sadio e produz amadurecimento. Se eu não tivesse sido “espetado” por essa crise talvez estaria morto por dentro agora, mas Jesus veio para me dar vida em abundância (Jo 10:10). O convite de viver em novidade de vida é real. Podemos todos os dias escapar da eterna mesmice da vida e da experiencia religiosa quando buscamos o sentido dessa em nossa vida. Cada novo aspecto descoberto mostra novas possibilidades para nossa existência até o dia do Senhor. Que Deus o ajude em sua busca, lembrando sempre que:

Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração.

Jeremias 29:13

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Lição 3 11 a 17 de janeiro Do mistério à revelação

Sábado à tarde
VERSO PARA MEMORIZAR: “Disse Daniel: Seja bendito o nome de Deus, de eternidade a eternidade, porque Dele é a sabedoria e o poder” (Dn 2:20).
LEITURAS DA SEMANA: Dn 2:1-49; At 17:28; Sl 138; Jo 15:5; Dt 32:4; 1Pe 2:4
Nas águas que cercam a Groenlândia há icebergs de muitos tamanhos. Às vezes, os pequenos blocos de gelo se movem em uma direção, enquanto suas contrapartes imensas flutuam para outra. Os ventos da superfície conduzem os pequenos blocos, enquanto as enormes massas de gelo são levadas pelas correntes oceânicas profundas. Considerar a ascensão e a queda das nações ao longo da História é como explicar os ventos da superfície e as correntes oceânicas. Os ventos representam tudo que é mutável e imprevisível, assim como a vontade humana. Porém, outra força ainda mais poderosa e muito semelhante às correntes oceânicas atua simultaneamente com essas rajadas e ventanias. É a ação segura dos propósitos sábios e soberanos de Deus. Como disse Ellen G. White: “Como as estrelas no vasto circuito de sua indicada órbita, os desígnios de Deus não conhecem adiantamento nem tardança” (O Desejado de Todas as Nações, p. 32). Embora a ascensão e a queda de nações, ideologias e partidos políticos pareçam acontecer apenas a critério do capricho humano, ­Daniel 2 mostra que o Deus do Céu é quem realmente conduz a História humana para seu grande final.
Dez Dias de Oração e Resgate: utilize o relatório atualizado da secretaria da igreja para organizar a visitação às pessoas que precisam ser resgatadas. Mobilize as Unidades de Ação e os Pequenos Grupos.
Domingo, 12 de janeiro
A imanência de Deus
1. Leia Daniel 2:1-16. Qual foi a crise que os hebreus enfrentaram por causa do sonho que o Senhor deu ao rei?
Os sonhos eram levados a sério no mundo antigo. Quando um sonho parecia um mau presságio, muitas vezes ele indicava um desastre iminente. Assim, é compreensível que Nabucodonosor ficasse tão ansioso com um sonho do qual, para tornar as coisas ainda mais agourentas, ele não conseguia mais se lembrar. Sábios babilônios acreditavam que os deuses pudessem revelar a interpretação dos sonhos, mas, no caso desse sonho, não havia nada que os especialistas pudessem fazer porque o rei havia se esquecido do sonho. Se o conteúdo do sonho lhes fosse transmitido, eles encontrariam uma interpretação que agradasse ao rei. Entretanto, naquela situação sem precedentes, quando os especialistas foram incapazes de dizer ao rei do que o sonho se tratava, eles foram forçados a admitir que ninguém havia que pudesse “revelar diante do rei” o seu sonho e a sua interpretação, “senão os deuses, e estes não moram com os homens” (Dn 2:11).
Frustrado, o rei ordenou que os sábios de Babilônia fossem mortos. Tal atrocidade não era desconhecida no mundo antigo. Fontes históricas atestam que, por causa de uma conspiração, Dario I mandou executar todos os magos, e Xerxes ordenou que fossem mortos os engenheiros que tinham construído uma ponte que acabou desmoronando. Quando Nabucodonosor publicou seu decreto, Daniel e seus companheiros haviam acabado de concluir o treinamento e tinham sido admitidos no círculo de especialistas do rei. Por isso, o decreto de morte se aplicava também a eles. Na realidade, o idioma original sugere que o assassinato teria começado imediatamente, e Daniel e seus amigos seriam executados em seguida. Mas Daniel, “avisada e prudentemente” (Dn 2:14), abordou Arioque, o homem encarregado de efetuar as execuções. Por fim, Daniel pediu tempo ao rei para decifrar o mistério. Curiosamente, embora o rei tivesse acusado os magos de tentar “ganhar tempo”, ele prontamente atendeu ao pedido de Daniel. Aquele jovem hebreu certamente concordava com a afirmação dos magos de que nenhum ser humano podia resolver aquele mistério, mas o servo do Senhor também conhecia o Deus que podia revelar tanto o conteúdo quanto a interpretação do sonho.
Os teólogos falam sobre a “imanência” de Deus. Embora distinto da criação, Ele pode estar próximo dela. O sonho que o Senhor deu a Nabucodonosor seria uma prova de que Ele é muito imanente em relação aos seres humanos? (Veja também At 17:28).
Segunda-feira, 13 de janeiro
A oração
Daniel imediatamente reuniu seus três amigos para uma sessão de oração, explicando que eles seriam executados se Deus não revelasse o sonho. Sempre que enfrentamos um grande problema, também devemos reconhecer que o Senhor é grande o bastante para resolver até mesmo os desafios mais insolúveis.
2. Leia Daniel 2:17-23. Quais foram os dois tipos de oração feitos pelo profeta?___________________________________________________________________________________
Dois tipos de oração são mencionados nesse capítulo. O primeiro é uma petição de Daniel a Deus para que Ele revelasse o conteúdo do sonho e sua interpretação (Dn 2:17-19). As palavras dessa oração não são conhecidas, mas a Bíblia declara que o profeta e seus amigos pediram “misericórdia ao Deus do Céu sobre o mistério, a fim de que Daniel e seus companheiros não perecessem com o resto dos sábios da Babilônia” (Dn 2:18). Enquanto oravam, Deus respondeu à petição e revelou o conteúdo e a interpretação do sonho. Podemos ter certeza de que, sempre que pedirmos “misericórdia ao Deus do Céu”, nossas orações também serão ouvidas, mesmo que não seja de maneira tão dramática como vimos nessa passagem bíblica, pois o Deus de Daniel também é o nosso Senhor.
Em resposta ao fato de que o Criador atendeu sua petição, o servo de Deus e seus amigos irromperam em uma oração de gratidão e louvor. Eles louvaram a Deus porque Ele é a fonte da sabedoria e está no controle da natureza e da história política. Há aqui uma lição importante para nós. Ao orarmos e pedirmos tantas coisas a Deus, quantas vezes louvamos e agradecemos porque Ele respondeu às nossas orações? A experiência de Jesus com os dez leprosos apresenta uma ilustração apropriada da ingratidão humana. Dos dez que haviam sido curados, apenas um retornou “para dar glória a Deus” (Lc 17:18). A resposta de Daniel não apenas nos lembra da importância do agradecimento e do louvor, mas também revela o caráter do Deus a quem oramos. Quando rogamos ao Senhor, podemos crer que Ele fará o que é melhor para nós; portanto, devemos sempre ­louvá-Lo e agradecer-Lhe.
Leia o Salmo 138. Como essa oração de ação de graças pode ajudá-lo a ser grato a Deus, independentemente das circunstâncias em que você se encontra?

Terça-feira, 14 de janeiro
A estátua: parte 1
3. O que foi dito em Daniel 2:24-30? Por que é tão importante que sempre nos lembremos dessas palavras? (Veja também Jo 15:5)
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Em resposta à oração, Deus revelou o conteúdo do sonho e sua interpretação. E Daniel não hesitou em contar ao rei que a solução para o mistério veio do Deus do Céu. Além disso, antes de relatar o conteúdo do sonho e sua interpretação, ele mencionou os pensamentos e preocupações não expressos do rei quando este ficou sem dormir em sua cama. Essa informação circunstancial enfatizou ainda mais a credibilidade da mensagem, pois esse conteúdo era conhecido apenas pelo rei e foi revelado a Daniel mediante um poder sobrenatural. No entanto, ao relatar o conteúdo do sonho, o jovem hebreu arriscou desencadear outra crise, pois o sonho não era necessariamente uma boa notícia para Nabucodonosor.
4. Leia Daniel 2:31-49. De acordo com o sonho, qual era o destino do reino de Nabucodonosor? Assinale a alternativa correta:
A.(  ) Ser substituído pela prata, representação do Império Medo-Persa.
B.(  ) Ser substituído pelo ferro, representação do Império Romano.
O sonho consistia em uma estátua majestosa, com sua cabeça “de fino ouro, o peito e os braços, de prata, o ventre e os quadris, de bronze; as pernas, de ferro, os pés, em parte de ferro, em parte, de barro” (Dn 2:32, 33). Por fim, uma pedra “feriu a estátua nos pés” (Dn 2:34), e toda a estrutura foi destruída e espalhada como palha ao vento. Daniel explicou que os diferentes metais representavam sucessivos reinos que substituiriam um ao outro ao longo da História. Para Nabucodonosor, a mensagem era clara: Babilônia, com todo o seu poder e glória, seria substituída por outro reino, que seria seguido por outros até que um reino de natureza completamente diferente os substituiria: o reino eterno de Deus, que durará para sempre.
Observe como as coisas humanas são fugazes e temporárias. O que esse fato nos ensina sobre a grande esperança que temos somente em Jesus (veja Jo 6:54; 2Co 4:18)?
Quarta-feira, 15 de janeiro
A estátua: parte 2

5. Leia novamente o sonho e sua interpretação (Dn 2:31-49). O que isso nos ensina sobre a presciência de Deus acerca da História do mundo?
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A profecia expressa pelo sonho de Nabucodonosor apresenta um esboço profético geral e funciona como o parâmetro para abordar as profecias mais detalhadas de Daniel 7, 8 e 11. Além disso, Daniel 2 não é uma profecia condicional, mas uma profecia apocalíptica: uma predição definitiva do que Deus anteviu e realizaria no futuro.

1. A cabeça de ouro representa Babilônia (626–539 a.C.). De fato, nenhum outro metal poderia representar melhor o poder e a riqueza do Império Babilônico do que o ouro. A Bíblia a chama de “a cidade dourada” (Is 14:4, ARC) e “um copo de ouro na mão do SENHOR” (Jr 51:7; compare com Ap 18:16). Heródoto, antigo historiador, relatou que uma abundância de ouro embelezava a cidade.

2. O peito e os braços de prata representam a Média-Pérsia (539–331 a.C.). Como a prata é menos valiosa que o ouro, o Império Medo-Persa nunca alcançou o esplendor do Império Babilônico. Além disso, a prata era também um símbolo apropriado para os persas porque eles a usavam em seu sistema de tributação.

3. O ventre e os quadris de bronze simbolizam a Grécia (331–168 a.C.). Ezequiel 27:13 descreve os gregos negociando objetos de bronze. Os soldados gregos eram conhecidos por sua armadura de bronze. Seus capacetes, escudos e machados de batalha eram feitos desse metal. Heródoto afirmou que Psamético I, do Egito, viu nos invasores piratas gregos o cumprimento de um oráculo que prenunciava “homens de bronze vindos do mar”.

4. As pernas de ferro representam apropriadamente Roma (168 a.C.– 476 d.C.). Como Daniel explicou, o ferro representava o poder esmagador do Império Romano, que durou mais do que qualquer um dos reinos anteriores. O ferro era um metal perfeito para representar o império.

5. Os pés em parte de ferro e em parte de barro representam uma Europa dividida (476 d.C.–Segunda vinda de Cristo). A mistura do ferro com o barro apresenta uma imagem adequada do que ocorreu após a desintegração do Império Romano. Embora muitas tentativas tenham sido feitas para unificar a Europa, desde alianças matrimoniais entre as casas reais até a atual União Europeia, a divisão e a desunião prevaleceram e, de acordo com a profecia, permanecerão assim até que Deus estabeleça o reino eterno.
Quinta-feira, 16 de janeiro
A pedra
6. Leia Daniel 2:34, 35, 44, 45. O que esses versos revelam sobre o destino final de nosso mundo? Assinale a alternativa correta:
A.(  ) O reino de Deus substituirá todos os outros e será eterno.

B.(  ) Haverá outro império que substituirá o reino de Deus.

O foco do sonho está no que acontecerá nos “últimos dias” (Dn 2:28). Por mais poderosos e ricos que tenham sido, os reinos de metal (e barro) nada mais são que um prelúdio do estabelecimento do reino representado pela pedra. Enquanto, até certo ponto, os metais e o barro podem ser produtos de manufatura humana, a pedra do sonho não é tocada por mãos humanas. Em outras palavras, embora cada um dos reinos anteriores deva chegar ao fim, o reino representado pela pedra durará para sempre. A metáfora da rocha, portanto, muitas vezes simboliza Deus (por exemplo, Dt 32:4; 1Sm 2:2; Sl 18:31), e a pedra também pode ser uma representação do Messias (Sl 118:22; 1Pe 2:4, 7). Sendo assim, nada é mais apropriado do que a figura de uma pedra para simbolizar o estabelecimento do reino eterno de Deus.
Alguns defendem que o reino representado pela pedra foi estabelecido durante o ministério terrestre de Jesus e que a propagação do evangelho é um indício de que o reino de Deus tomou conta do mundo inteiro. No entanto, o reino da pedra passará a existir somente depois que os quatro principais reinos caírem, e a história humana chegar aos dias dos reinos divididos, representados pelos pés e dedos da estátua. Esse fato descarta o cumprimento durante o primeiro século, pois o ministério terrestre de Jesus ocorreu durante o domínio do Império Romano, o quarto reino.
Mas a pedra deu lugar a uma montanha. Isto é, “a pedra que feriu a estátua se tornou em grande montanha, que encheu toda a Terra” (Dn 2:35). Uma montanha como essa evoca o Monte Sião, o lugar em que ficava o templo, a representação concreta do reino terrestre de Deus nos tempos do Antigo Testamento. Curiosamente, a pedra cortada do monte se torna uma montanha, que segundo o texto já existe e provavelmente aponta para a Sião celestial, o santuário celestial, de onde Cristo virá para estabelecer Seu reino eterno. Esse reino encontrará seu cumprimento final na Jerusalém que descerá do Céu (Ap 21:1-22:5).
Primeiro Deus - Peça a Deus que o ajude a ser atencioso e cortês durante esse dia


Até agora verificamos que as informações de Daniel 2 sobre todos os reinos estão corretas. Por que, então, é tão lógico e sábio confiar em sua profecia sobre a vinda do reino final e eterno de Deus? Por que é tão insensato não acreditar na profecia?
Sexta-feira, 17 de janeiro
Estudo adicional
É instrutivo ver que a estátua de Daniel 2 era feita de ouro e prata, metais relacionados ao poder econômico. Ela também era feita de bronze e ferro, usados para ferramentas e armas, e de barro, usado no mundo antigo para fins literários e domésticos. Assim, a estátua apresenta uma descrição vívida da humanidade e de suas realizações. De modo apropriado, as distintas partes anatômicas da estátua expressam a sucessão de reinos mundiais e a desunião final que prevalecerá nos últimos dias da História. Porém, a pedra foi descrita como algo realizado “sem auxílio de mãos” (Dn 2:45), um poderoso lembrete do fim sobrenatural que virá a este mundo transitório e a todas as suas realizações.
Embora, “a olho nu, a história humana possa parecer uma caótica interação entre forças contrárias [...], Daniel nos assegurou que, por trás de tudo isso, está Deus, observando de cima e agindo no meio delas para realizar o que Ele entende ser o melhor” (William H. Shea, Daniel: A Reader’s Guide, Nampa, ID: Pacific Press, 2005, p. 98).
Perguntas para discussão
1. Como é bom saber que, em meio a todo o caos e sofrimento deste mundo caído, Deus está no controle e concluirá todas as coisas de maneira gloriosa! Até lá, qual é a nossa função em buscar fazer o bem para aliviar as aflições que existem ao nosso redor?
2. Por que Daniel e os cativos trabalharam de modo tão próximo e leal a um líder pagão que causou tanto dano ao povo de Israel?
3. Alguns argumentam que a pedra cortada sem auxílio de mãos se refere à propagação do evangelho. Esse é um equívoco por várias razões, entre as quais a afirmação de que a pedra esmagaria os reinos anteriores, e o vento os levaria, e deles não se veriam mais vestígios (Dn 2:35). Isso não ocorreu após a cruz. Além disso, algumas tentativas de identificar o reino da pedra com a igreja deixam de observar que esse reino substitui as outras formas de domínio humano. É um reino que abrange todo o mundo. Por isso, somente a segunda vinda de Jesus cumprirá o clímax dessa profecia. Por que, então, a volta de Cristo é a única interpretação sensata para a ação da pedra no fim dos tempos?

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